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Salão de Paris

Marcas somem do Salão de Paris; quem ficou aposta em mobilidade e elétricos

hristophe ARCHAMBAULT / AFP
Paris em transe: marcas não vieram com força total e europeu está pouco interessado em carros de temática "antiga" Imagem: hristophe ARCHAMBAULT / AFP

Ricardo Ribeiro

Colaboração para o UOL, em Paris (França)

07/10/2018 08h00

Em tempos de carro tido como vilão, salão muda de perfil para sobreviver

Paris não é mais uma festa. Ao menos, não mais para os automóveis. Bienal, o Salão do Automóvel (Mondial de l’Auto 2018), abriu as portas ao público, no último dia 2, bastante esvaziado. E promete seguir assim até o dia 14.

Das grandes fabricantes, Nissan, Ford, Fiat, Volvo e todo o Grupo Volkswagen optaram por não participar da feira -- algumas marcas da VW, como Porsche (que trouxe o especial de série limitada 911 Speedster) e Audi (que mostrou o SUV elétrico E-tron) marcaram presença por meio de suas subsidiárias locais, não pelas matrizes.

E muitos estandes repetiram atração -- apresentaram veículos que são novidade apenas para a Europa ou só para a França, já vistos em outros eventos.

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Acabou o glamour?

Algumas novidades vieram, é verdade, inclusive com confirmação de venda no Brasil, como o novo BMW Série 3 ou o Renault K-ZE, que será um Kwid elétrico e antecipa a reestilização do popular (mas que surgiu na véspera da abertura, não no Salão em si).

Em cenário tão atípico, até a estreia de uma marca vietnamita roubou a cena, com sedã e SUV de acabamento premium e David Beckham como garoto-propaganda.

O fato é que o carro virou meio que um "vilão" no continente. Os jovens já sentem-se atraídos por outros produtos há alguns anos e o recente escândalo das fraudes em motores diesel azedou a opinião pública de todas as faixas etárias. A preocupação com a poluição, tida por anos pelos fabricantes como inexpressiva, cresceu. Nos grandes centros urbanos, há ainda a irritação com o trânsito.

Some a isso o custo para montar um estande no salão, em torno de 1 milhão de euros (R$ 4,5 milhões), na sequencia de crise de vendas e os prejuízos do próprio "dieselgate". Há também questões estratégicas, com outras feiras ganhando mais importância -- caso de Los Angeles, Las Vegas e China (que alterna entre Xangai e Pequim).

Sim, o padrão é vender quase tudo na China primeiro, o mercado onde mais se emplaca carro hoje, então muitos modelos acabam sendo guardados para os salões do país, ou mesmo outras mostras e eventos asiáticos. Se o foco é tecnologia e conectividade, cada vez mais carros aparecem na CES, em Las Vegas. A feira de consumo passou a ofuscar Detroit, como já mostrou UOL Carros.

Indústria vai reagir com diversidade

A reação da indústria para reposicionar seu negócio é acelerar a produção de modelos elétricos e investir em programas de mobilidade. Planos que se refletem no tema comum percebido nos pavilhões do Porte de Verseilles.

A Renault, por exemplo, lançou o conceito ZE-ULTIMO, elétrico e autônomo, que propõe ser uma sala de estar sobre rodas, para transporte compartilhado sob demanda de luxo, planejando, como outras marcas, deixar de ser apenas uma fabricante de carros e tornar-se fornecedora de soluções de mobilidade.

Já na parte prática, a organização de Paris, que já figurou, com Frankfurt, entre as feiras de automóveis de maior número de visitantes, reduziu a mostra dos habituais 16 dias para apenas 11. Com um número considerável de estandes vagos, o salão se abriu também para motos, com um espaço exclusivo para fabricantes e produtos de duas rodas.

Ou seja, na crise o salão deixa de ser tão exclusivista e abriu espaço para mais temas e mais demandas.

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