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Você não tem dinheiro para isso: Porsche mostra nova edição do lendário 935

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Porsche 935 2019 ao lado do clássico 935: "Moby Dick" do século 21 tem 700 hp Imagem: Divulgação

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em Monterey (EUA)

30/09/2018 08h00

Supercarro de pista chega em 2019 acelerando em números "cabalísticos", inclusive na cifra: 700 mil euros

Que lugar melhor do que um evento cheios de fãs, carros clássicos e clima que mistura festa de aniversário com decisão de campeonato para revelar novidades para deixar qualquer um que gosta de carros embasbacado? Pois foi exatamente nisso que a Porsche apostou ao usar sua "reunião" de carros e donos de carros no autódromo de Laguna Seca (na Califórnia), que neste ano celebra os 70 anos de existência da marca, para mostrar três mega novidades.

Uma delas é uma recriação (peça a peça) de um 911 clássico, que terá status de carro zero-quilômetro, mas UOL Carros vai falar disso em breve, não perca!

Outras duas também carregam um pé no futuro e outro na tradição, mas conseguem ser ainda mais instigantes: a marca de supercarros de Stuttgart revelou o conceito Speedster, com nome e estilo (motor central-traseiro, câmbio manual, teto do tipo targa) inspirados no primeiro modelo da empresa, o 356 Speedster.

Mas é do 935 de nova geração, um "Moby Dick para o século 21" que vamos falar com mais detalhes. Ainda que nem você, nem eu tenhamos quaisquer condições para trazer um ao Brasil -- não se "preocupe", o carro já tem vocação para se tornar uma lenda, como seu antecessor, e isso deve atrair interessados locais de qualquer jeito.

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Profusão "cabalística" de 7

Primeiro ele surgiu no palco destinado aos shows de rock e música country do "Rennsport Reunion VI (nome oficial do evento, que ocorre a cada quatro anos nos EUA, mas que foi antecipado nesta edição para coincidir com os 70 anos da Porsche). Depois, na reta principal de Laguna Seca. E UOL Carros esteve pertinho nas duas ocasiões.

Não é um carro-conceito como o novo Speedster, já é um carro real, mas ainda precisa ter seu desenvolvimento terminado e só começará a ser entregue em junho de 2019.

Tudo foi inspirado no Porsche 935 dos anos 1970 (Type 991 de segunda geração), que também estava na pista. Estilo alongado e delgado, carroceria branca e pintura esportiva "Martini" (ainda que o modelo real possa ter outras cores), que renderam (junto a outros atributos "matadores") o apelido ao primeiro 935 de Moby Dick, baseado num clássico da literatura do autor norte-americano Norman Melville, contando a saga de baleeiros e de uma cachalote.

Para este novo modelo, porém, o conjunto mecânico deriva do atual 911 GT2 RS: 4,87 metros de comprimento, 2,03 m de largura, construção abusando de fibra de carbono, mas também como elementos como laminados de madeira (na manopla do câmbio) ou alumínio (nas ponteiras de escapa amplamente expostas).

Feito especificamente para uso na pista, o novo 935 se vale do motor 6-cilindros, twinturbo, de 3,8 litros que gera 700 hp (710 cavalos). Junto ao câmbio PDK, de dupla embreagem e sete marchas, jogará toda essa potência sobre as rodas traseiras para movimentar os 1.380 quilos do bólido (que pesa tanto quanto um sedã médio). Velocidade máxima e capacidade de aceleração não foram revelados.

Tanque de combustível (115 litros), suspensões, conjunto de freios (cáliper de alumínio com seis pistões atuando sobre discos de 380 e 355 milímetros, na dianteira e traseira respectivamente), sistema de escape, chassis e célula de sobrevivência, bem como extintores seguem regulamentações da FIA. Ainda assim, sistema de controle de tração e dos freios com antiblocante (ABS), através do programa controle "Pasm" são mimos similares aos de um 911 das ruas.

Também por ser feito para as pistas, um banco de carona pode ser adicionado, mas isso é totalmente opcional.

Mas o que a Porsche quer ressaltar é que o supercarro apresentado para seus 70 anos e que gera 700 hp de potência, com câmbio de sete marchas terá apenas 77 donos no mundo. Cada um, aliás, vai ter de desembolsar 700 mil euros (de fato, 702 mil euros). 

Contas de conversão não funcionam nestes casos, mas digamos que alguém tivesse algo como R$ 3,5 milhões (livres, fora qualquer encargo decorrente) para colocar essa excentricidade numa garagem brasileira... Ainda assim, não seria o melhor dos negócios se o intuito for só exibicionismo, já que o modelo só pode ser usado em pistas, não permitindo sequer voltinhas em baixa velocidade para exibição dentro da cidade. 

Há mais um ponto a ser considerado: cada um dos futuros compradores vai receber o 935 das mãos dos engenheiros da Porsche, que terão o papel de ensinar o uso correto do modelo, em toda sua fúria e imponência... nas pistas.

Assim, além de milionário, interessado em supermáquinas e com disposição para encarar pistas, o brasileiro que tiver condições de ser um dos 77 donos do novo 935, muito certamente, deixará o carro no exterior, onde é mais fácil e menos oneroso levá-lo para para acelerar em track days e reuniões como esta que a Porsche está fazendo aqui.

* Viagem a convite da Porsche

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