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Citroën aposta pesado em sucesso do C4 Cactus para dobrar vendas em 2019

Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

28/09/2018 04h00

Marca estabelece meta ambiciosa após perder participação de mercado nos últimos anos; conseguirá cumprir?

Não é por menos que a Citroën vem chamando o recém-apresentado C4 Cactus de "lançamento mais importante de sua história" no Brasil. O SUV -- pelo menos é assim que a fabricante o classifica, embora haja controvérsias -- será o grande responsável por dobrar as vendas da marca em um ano.

Quem fez a previsão foi ninguém menos que Linda Jackson, diretora-executiva global da Citroën, durante conversa com jornalistas brasileiros nesta quinta-feira (27). Jackson está no país justamente para acompanhar de perto o início das vendas do C4 aos consumidores, que acontece em 1º de outubro.

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Façamos as contas: se a projeção para 2018 é emplacar 25 mil automóveis e comerciais leves, então estamos falando de 50 mil veículos em 2019. De acordo com a montadora, metade desse volume será formada exclusivamente pelo C4 Cactus, o que significa que o SUV terá de emplacar uma média acima de 2 mil unidades ao mês.

Se o plano der certo, o C4 Cactus não será líder de segmento, mas certamente estará no bolo dos 10 SUVs mais vendidos do país, próximo a concorrentes como Chevrolet Tracker e Renault Duster. Mais importante que isso, encerrará um forte ciclo negativo da Citroën no Brasil, com queda de 2,9% em 2010 para menos de 1% registrados no primeiro semestre deste ano em participação de mercado.

Com essa investida a PSA também pretende elevar a fatia da América Latina nas vendas globais da Citroën de 6% para 10% até 2023.

Pedro Bicudo/UOL
Linda Jackson, presidente global da Citroën, posa ao lado de um C4 Cactus brasileiro e um clássico Traction Avant 1950 pertencente a um colecionador brasileiro Imagem: Pedro Bicudo/UOL

Obstáculos a vencer

"Sabemos que não será fácil [alcançar o objetivo]. Há uma questão de imagem a resolver, mas precisamos entender que em algum momento isso [a má fama] precisa ser encerrado", admitiu a presidente. "Temos planos ambiciosos para a América Latina, tanto que investimos R$ 580 milhões apenas no C4 Cactus, mas isso significa que a região precisa se tornar rentável", seguiu.

Para romper o preconceito quanto à qualidade em pós-venda e valor de revenda de seus carros, a fabricante vem adotando medidas como incentivo à recompra de modelos usados na troca por um zero-quilômetro, um programa de compra online, uma plataforma de avaliação de serviços e até um aplicativo de celular conectado ao veículo.

"A Citroën ainda passa uma imagem de sofisticação e elegância ao consumidor brasileiro, mais até do que em muitos países da Europa. O que houve é que muitos clientes passaram por frustrações com a marca, e precisamos deixar essas frustrações no passado", avaliou Ana Theresa Borsari, diretora-geral da Peugeot-Citroën no Brasil, presente no mesmo evento.

Outro desafio está na parte de produção. Segundo Borsari, até o fim de 2018 a fábrica de Porto Real (RJ) poderá entregar apenas 1.200 mil unidades do C4 Cactus mensalmente para abastecer o mercado interno. Para cumprir a meta em 2019 será preciso aumentar o ritmo de fabricação.

"Nosso maior desafio está na parte de pintura, pois o processo bitom [teto em cor contrastante] é mais demorado e cerca de 35% dos veículos vendidos terão esse tipo de pintura", explicou a diretora.

Apesar dos obstáculos, a executiva nacional da PSA afirma que a campanha de pré-venda deixou os concessionários animados. "Este mês foi muito encorajador e mostrou que nossas metas não são tão malucas assim. O fluxo de visitação às revendas cresceu a um nível que nossa rede não experimentava desde 2002", relatou.

Na campanha de pré-venda foram consumadas as compras de 800 unidades, que começarão a ser entregues em outubro. O modelo será vendido em três versões de acabamento, sendo três opções de conjunto motor-transmissão, todas flex: 1.6 aspirada MT5 (122 cv com etanol); 1.6 aspirada AT6 (118 cv); 1.6 turbo AT6 (173 cv). Preços vão de R$ 68.990 a R$ 98.990.

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