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Venda online de carros cresce no Brasil e sites oferecem até vistoria

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Além de anúncios, sites têm ferramentas para garantir a segurança da transação online Imagem: Divulgação

Alessandro Reis

Colaboração para o UOL, de São Paulo (SP)

27/09/2018 04h00

Empresas como Webmotors e Mercado Livre investem em serviços que ajudam clientes a fechar negócio

A venda de carros pela internet ainda é tímida entre as montadoras brasileiras. Até hoje, houve apenas iniciativas pontuais, como os casos de Renault Kwid e Citroën C3. Porém, a história é diferente com os sites de classificados automotivos.

Em vez de apenas publicar anúncios de veículos novos e usados, algumas empresas começam a oferecer serviços úteis para os clientes, como vistoria veicular, prevenção contra fraudes e golpes e até a possibilidade de pagamento do veículo pela internet. As novidades focam principalmente as transações realizadas entre pessoas físicas, mas também contemplam lojas e concessionárias, que também têm investido cada vez mais no formato de classificado eletrônico.

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"Hoje, o site de classificados que se preocupa apenas em anunciar o veículo tende a perder espaço para o formato de concièrge, que é assessorar todo o procedimento de compra e venda. A empresa que quiser se manter competitiva precisa se comprometer com todo o processo, inclusive no que se refere à segurança do negócio", destaca Luiz Diniz, diretor de produto da Webmotors, maior site de classificados de automóveis do país que hoje conta com 420 mil veículos cadastrados em sua base de dados.

Tudo online

A empresa lançou este mês um novo serviço chamado Autopago, disponível em site e aplicativo para celular. Trata-se de uma plataforma para intermediar o processo de venda, oferecida como complemento aos anúncios de veículos da Webmotors. A novidade traz vistoria veicular, verificação dos históricos das partes envolvidas na transação nos órgãos de trânsito e garantia de pagamento e recebimento. Logo após comprador e vendedor acertarem detalhes do negócio surge a opção de utilizar o Autopago. Se for aceita por ambos, eles preenchem um cadastro rápido, concluído após envio de uma selfie e foto da CNH.

"Podemos verificar, via biometria, a real identidade do comprador e do vendedor. Também temos acesso ao histórico de ambos nos órgãos de trânsito para checar se vendedor ou comprador têm alguma restrição ou processo. As informações coletadas vão para um banco de dados, com garantia à privacidade dos dados dos envolvidos", explica.

Após a aprovação dos dados, o comprador pode depositar dinheiro em conta segura da empresa, via boleto gerado pelo aplicativo. Em seguida, o vendedor é informado que o dinheiro já está em custódia do site. "O pagamento é feito antecipadamente também como forma de sinal, para reforçar a real intenção de adquirir o veículo", justifica.

O dinheiro do comprador permanece em uma conta segura da empresa e o valor é depositado na conta do vendedor 24 horas após o negócio ser concretizado. Por esse serviço, a Webmotors recebe uma comissão de 1,5% do valor do veículo, cujo pagamento pode ser dividido entre as partes ou arcado por uma delas, a combinar.

Vistoria sem sair de casa

O Autopago também ajuda na realização da vistoria. O processo verifica cerca de 250 itens, como numeração de chassi e motor, histórico de multas, pintura e situação estrutural, incluindo se o veículo foi recuperado de sinistro e não pode rodar, por exemplo. Feita a inspeção, um laudo é gerado com fotografias que podem revelar eventuais problemas.

"O comprador pode desistir do negócio nesta etapa e o dinheiro é restituído integralmente em sua conta em até 24 horas, via TED", aponta o diretor, segundo o qual a vistoria pode ser feita no endereço indicado pelo vendedor, como sua casa, e leva cerca de 30 minutos. Esse benefício está disponível em aproximadamente 100 cidades do país -- nas demais, o serviço é realizado por oficinas credenciadas.

Uma vez aprovado o laudo, as partes combinam a transferência e, ao receber os documentos e as chaves, o comprador gera uma senha no aplicativo que é repassada ao vendedor, que confirma a realização do negócio e recebe o dinheiro na conta em até 24 horas.

Diniz estima que, em três anos, aproximadamente 60% das vendas entre particulares sejam realizadas por meio da nova plataforma. Vale destacar que na Webmotors o anúncio não prevê cobrança de comissão - você paga uma taxa que varia de acordo com a exposição na lista de buscas.

Quero esse!

O Mercado Livre, site de classificados horizontal (que oferece vários tipos de produto, inclusive veículos), passou a oferecer nos anúncios automotivos o botão "Reservar". Trata-se de um sinal pago pelo usuário (por cartão de crédito ou boleto bancário) para garantir a compra via Mercado Pago, plataforma de pagamento online.

"Ainda não fomos diretamente na venda final 100% via internet, mas a reserva é o primeiro passo. O sinal vai de R$ 100 a R$ 4 mil, dependendo do valor do veículo anunciado, e o Mercado Livre repassa esse valor ao vendedor assim que ele avisa a companhia que o negócio foi concretizado. É uma forma de o vendedor ter uma garantia do real interesse do comprador no veículo", explica Caio Ribeiro, diretor de classificados para América Latina do Mercado Livre. A empresa, aliás, não cobra percentual sobre a reserva nem sobre o valor total do bem comercializado. 

A empresa avalia futuramente liberar também o pagamento da entrada por site ou aplicativo e liberar também simulação e efetivação do financiamento. No momento, a empresa não oferece simulação de crédito nos anúncios de veículos.

De acordo com Ribeiro, o Mercado Livre tem hoje cerca de 300 mil anúncios ativos de automóveis por mês e algo entre 20% e 25% do total de classificados automotivos. "Ainda temos muito a crescer nessa área no país, são aproximadamente 3 milhões de anúncios por ano apenas de veículos", afirma.

Usados dominam

A crescente procura por venda de carros online já atrai novos nomes. Concorrente direto do Mercado Livre, o OLX é um site horizontal de classificados que passou também a investir fortemente no segmento automotivo. Na avaliação da empresa, o fato de trabalhar com vários tipos de produtos, como o Mercado Livre, pesa a favor na atração de novos clientes. Isso porque potenciais compradores de automóveis que pesquisam dentro de uma determinada categoria acabam ficando mais tempo no site e conferindo também os anúncios de veículos.

"Cerca de 40% de nossa audiência vêm de outras categorias. Desde 2016 estamos focando mais os anúncios de automóveis e temos hoje uma média de 200 mil anúncios do tipo por mês e respondemos por cerca de 25% de todos os carros transacionados no país", afirma Giselle  Tachinardi, diretora de Autos do OLX, que lançou recentemente o Autoshift, site direcionado a anúncios automotivos de vendedores profissionais, replicados da base de dados do OLX.

"Aprendemos muito observando a experiência do usuário, como tornar nossa plataforma mais ágil e simples tanto para vendedores profissionais quanto para particulares", complementa a executiva, afirmando que cerca de 70% dos anúncios automotivos do OLX são de pessoas físicas e o restante, de anúncios de lojas e concessionárias -- foco diferente do adotado pela Webmotors.

Tachinardi afirma que, do volume total, aproximadamente 90% são anúncios de veículos usados e o restante, de unidades novas - uma tendência geral do mercado automotivo, seja online ou presencial. Ela aponta como maior diferencial do OLX a velocidade na qual o produto é vendido: mais de 30% das vendas de automóveis usados acontece em até quatro dias. "Vendemos em média cinco carros por minuto e acumulamos mais de 100 milhões de buscas por mês", complementa.

No caso do OLX, o anúncio é gratuito para até dois veículos por mês -- acima disso, o interessado precisa adquirir um pacote para cada anúncio, cujos valores variam de acordo com o nível de exposição nas buscas. A companhia também trabalha com banners de anúncios publicitários de veículos. Além de montadoras, a empresa também atende locadoras de veículos interessadas em vender seu estoque de seminovos, seja por meio de anúncio nos classificados e/ou publicidade.

Há cerca de seis meses, o OLX oferece botão para simular financiamento e disponibiliza e-mail e chat online para troca de mensagens entre vendedor e potenciais compradores, além de suporte especializado para os clientes. Mas, diferente de outros sites, a compra é efetuada de fato fora do ambiente do site. "Futuramente, planejamos oferecer toda a experiência da compra dentro do site, do início ao fim, incluindo o pagamento, mas é preciso avançar passo a passo, o mercado ainda está amadurecendo", conta Giselle. Ela informa que nos últimos dois anos o OLX teve crescimento anual de mais de 200% no volume de anúncios de veículos.

Dinheiro na hora

Receber o dinheiro no ato da venda é o principal diferencial da Instacarro. A empresa dedicada à compra e venda de veículos (no caso apenas usados), atuava apenas na capital paulista e em cidades da Grande São Paulo, mas já começa a expandir suas atividades com a chegada à Brasília (DF) em outubro.

Trata-se de uma plataforma de leilão virtual, que funciona como uma espécie de venda em consignação. "O interessado em vender o veículo faz o cadastro no site e agenda uma vistoria que verifica mais de 150 itens, realizada em loja própria da Instacarro ou de parceiros. Com base nas condições apuradas, damos ao vendedor uma ideia da faixa de preço. Em seguida, realizamos um leilão virtual em uma plataforma fechada, com cerca de 1.500 lojistas cadastrados, sem lance mínimo. Ao término do processo, informamos a melhor oferta ao vendedor, que pode fechar o acordo ou não", explica Conrado Cordeiro, gerente de marketing da companhia.

Se o negócio prosseguir, o vendedor preenche o documento de compra e venda, reconhece a firma em um cartório e entrega o documento em uma unidade de atendimento -- a Instacarro é a única empresa com sedes físicas. O veículo vai para um depósito da empresa e o pagamento é feito na hora, via transferência bancária (TED). "Pagamos antes de receber o dinheiro do comprador, e isso é uma segurança a mais para quem vende. Todo o processo pode ser concluído no mesmo dia e o comprador, que deu o lance baseado no laudo, pode desistir do negócio ao conferir o veículo pessoalmente, sem prejuízo ao vendedor, que já foi pago", relata. A empresa é remunerada cobrando uma comissão sobre o valor da venda, cujo percentual não foi revelado pelo executivo.

"Temos mais de 60 mil carros negociados desde 2015 e a expectativa é de crescer 5% ao mês. Nosso modelo de negócio foca a rapidez e a segurança. Cuidamos de toda a documentação no processo de transferência de propriedade ao novo dono", afirma Cordeiro.

Outros mercados

A venda online não se restringe ao automóvel em si. Segmentos de autopeças e acessórios também estão na mira de empresas de varejo eletrônico. O site Americanas.com tem uma área dedicada a esses produtos, que em quatro anos aumentou de 2.000 para 830 mil itens, comercializados hoje por mais de 2.000 lojistas parceiros. São produtos como pneus, alto-falantes, centrais multimídia, motores, baterias, lanternas, faróis, ferramentas, alarmes, capacetes e módulos de potência.

Para avançar em uma categoria de negócio, que já corresponde a cerca de 13% do sortimento total da empresa, a Americanas.com acaba de lançar a ferramenta Garagem, que permite buscar componentes nas especificações técnicas de determinado modelo de veículo. Tudo que o usuário precisa fazer é fornecer informações do seu veículo, como marca, modelo, versão e ano de fabricação. Logo surge uma lista de produtos compatíveis com o veículo informado, além de estimativa de preço do automóvel com base na tabela Fipe. A companhia informa que "em breve" vai oferecer serviços adicionais, como agenda de troca de óleo e avisos de recall.

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