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Transporte público sustentável? Conheça ônibus híbridos que já rodam em SP

Murilo Góes/UOL
Imagem: Murilo Góes/UOL

Alessandro Reis

Colaboração para o UOL, de São Paulo (SP)

22/09/2018 08h00

Serviço de transfer do Salão do Veículo Elétrico deste ano foi feito por ônibus híbrido com tração totalmente elétrica; conheça a novidade

O Salão do Veículo Elétrico deste ano também ganhou foco na eletrificação no transporte público. Realizado no Transamerica Expo Center, na zona sul de São Paulo, o evento conta com um serviço de transfer gratuito a cada 15 minutos da estação Santo Amaro da CPTM até o local da exposição.

O veículo utilizado para isso é um ônibus híbrido, com tração totalmente elétrica, que utiliza um motor compacto Euro 5, a diesel, como gerador para manter a carga das baterias.

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Esse ônibus, especificamente, começou a circular no corredor Diadema-Brooklin, da região metropolitana de São Paulo, operando na linha 376. É um dos dois exemplares circulando com a tecnologia Dual, lançada em 2014, que permite rodar até 30 quilômetros no modo 100% elétrico, desligando o gerador a diesel.

Isso é possível pelo fato de ele contar com baterias maiores, recarregadas exclusivamente em frenagens e desacelerações -- como acontece no Toyota Prius, as baterias não são recarregadas em tomada e, portanto, não exigem infraestrutura para abastecimento. No modo híbrido, a autonomia é de aproximadamente 250 km por dia. Motor e inversor do controle de tração elétrica são nacionais, fornecidos pela Weg.

O ônibus híbrido tem tecnologia nacional, com trem de força projetado e desenvolvido pela Eletra, empresa estabelecida em São Bernardo do Campo (SP). É a mesma companhia que no começo dos anos 1980 lançou o primeiro Trólebus (ônibus elétrico energizado diretamente na rede, por meio de cabos) feito no Brasil e que até hoje produz o veículo com atualizações. O chassi é o mesmo de um coletivo convencional a combustão e ele também conta com ar-condicionado e suspensão pneumática -- as baterias são instaladas no teto.

"Considerando que o centro expandido tem oito km, com esse ônibus dá para rodar com emissões zero na região", garante Ieda Maria Oliveira, gerente comercial da Eletra.

Murilo Góes/UOL
Chinesa BYD também mostra no Salão seu ônibus elétrico com capacidade para rodar 300 km com uma carga Imagem: Murilo Góes/UOL

BYD também mostra ônibus "verdes"

O Salão também exibe um ônibus 100% elétrico, recarregável na tomada, fabricado desde 2015 pela chinesa BYD na planta de Campinas (SP), onde são feitos também o chassi e o sistema de propulsão, com baterias importadas e montadas localmente. A empresa também anunciou uma linha de montagem de baterias em Manaus (AM) com capacidade para abastecer até 4 mil veículos/ano -- a inauguração da fábrica já foi adiada duas vezes à espera da concessão de incentivos fiscais, de acordo com Adalberto Maluf, diretor de marketing, sustentabilidade e novos negócios da BYD.

O ônibus elétrico da empresa, segundo o executivo, é capaz de rodar até 300 km com uma carga completa e suas baterias podem ser recarregadas com carregador próprio, em um processo que leva de três a quatro horas.

Um exemplar desse ônibus já roda na capital paulista. "Nosso chassi custa de 5% a 10% a mais que um convencional, mais o custo do aluguel do pack de baterias. Além desse ônibus elétrico, temos unidades rodando em Campinas, Santos e Bauru, em São Paulo, Volta Redonda, no Rio de Janeiro, Uberlândia, em Minas Gerais, e Brasília (DF). Até o fim do ano, devemos estar em dez cidades", aponta Maluf.

O diretor da BYD informa que a fábrica em Campinas tem capacidade para fabricar um chassi por dia e já entregou mais de 50 ônibus em todo o país, com estimativa de ampliar o volume para cerca de 80 unidades até o fim do ano, além de perspectiva de vender aproximadamente 300 em 2019.

Segundo Ieda Oliveira, da Eletra, hoje a Grande São Paulo conta com 16 ônibus híbridos, dois quais dois são de tecnologia Dual, mais dois elétricos puros. Além disso, a região é atendida por 320 trólebus, dos quais 50 são atualizados com uma pequena bateria para situações de emergência -- se as varetas se soltarem dos cabos de energia, por exemplo, o veículo é capaz de se deslocar mesmo desconectado até o próximo ponto.

Ainda de acordo com Ieda, uma licitação para a ampliação da frota de ônibus elétricos e híbridos já foi aberta pela Prefeitura de SP, porém ela está parada há quase um ano por conta de questionamentos do Tribunal de Contas do município. Maluf, da BYD, confirma que espera por este desenrolar para vender mais unidades. "Na cidade de São Paulo, entregamos um ônibus, mas a expectativa é entregar até 60 no final do ano que vem para atender as metas de redução das emissões de poluentes pelo transporte público", projeta.

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