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Você sabe o consumo do seu carro? Pois é, a indústria também sofre com isso

ANP/Divulgação
Imagem: ANP/Divulgação

Fernando Calmon

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

16/09/2018 08h00

Adoção do padrão WLTP promete deixar estimativas mais realistas -- e reduzir a confusão -- no mundo todo

Medições de consumo e emissões em laboratório devem ser referenciadas no uso em ruas e estradas, a partir deste mês de setembro na União Europeia, utilizando o padrão WLTP (Worldwide Harmonized Light Vehicles Test Procedure), algo como "procedimento de teste global e ponderado para veículos leves"). Processo homologatório longo, porém necessário. Antigo padrão NEDC, de 1991, se mostra confuso e, atualmente, tem perdido relação com a realidade de uso de automóveis.

Não apenas consumidores registram em seus carros consumo bem diferente das médias (laboratoriais) anunciadas por fabricantes. O padrão atual também gera armadilhas para as fabricantes, que agora se vem culpadas por agências ambientais e diferentes governos por discrepâncias entre o que é divulgado e o que se mede no uso prático.

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Note que o ciclo NEDC é de 1991 e só foi atualizado uma única vez em 1997. Naquela época, os carros eram totalmente diferentes e também o perfil da frota (pouco diesel nos anos 1990) e as condições de trânsito.

Pelo novo teste WLTP, consumo e emissão são testados em quatro fases (velocidades baixa, média, alta extra alta), com médias de 46,5 km/h (ante 34 km/h do NEDC) e máximas de 130 km/h (ante 120 km/h do anterior), prevendo diferentes ritmos de condução na vida real.

Na virada do século, as discrepâncias eram de apenas 8%. Em 2015 atingiam um recorde absoluto de 42%. E isso considerando que o combustível na Europa não traz grande variação na formulação. Na Alemanha toda gasolina (exceto a premium) é E10 (10% de adição de etanol anidro), sendo que em outros países varia de 0 (gasolina pura) a E8 (8%).

No Brasil, onde a gasolina padrão dos testes éE22 (22% de adição de etanol anidro), mas na prática o combustível é E27 (27%), a diferença pode ser ainda maior, de cerca de dois pontos percentuais, em média, mas podendo ser ampliada em alguns modelos. Ou seja, um carro homologado na Europa, dentro do NEDC, como fazendo 10 km/l de gasolina, pode acabar consumindo de fato algo entre 6 e 5,5 km/l por aqui -- daí a adoção de um formato mais severo ou realista, o US75-EPA (da; agência ambiental norte-americana, usado nos EUA e aqui Brasil).

Para se ter ideia, um carro elétrico com 560 quilômetros de autonomia (NEDC, com testes de bancada), registra 420 km no WLTP (bancada referendada pelo teste no asfalto). A diferença ainda é grande para o US75-EPA, no qual o mesmo modelo atingiria apenas 385 km.

Notícia divulgada recentemente por diferentes canais, inclusive por UOL Carros, dá conta da confusão criada atualmente pela desatualização do NEDC ("novo ciclo europeu de direção", na sigla em inglês): a Volkswagen teria com metade de sua linha de produtos irregular, fora das normas de consumo e de emissão de poluentes aprovadas para a Europa. Inverídico. O que ocorre é que o custo de homologar uma linha tão extensa de automóveis para o novo formato faz com que o grupo alemão tenha decidido fazer o processo por etapas. Neste momento, a preferência é dada para lançamentos ou best sellers. O restante terá seus dados apresentados no novo padrão paulatinamente, conforme seus ciclos de vida sejam renovados.

As vantagens do novo padrão são: poder ser adotado globalmente; ter lastro com a realidade, por incluir validação dos dados de bancada em vias. Outra vantagem útil para os tempos atuais é poder ser adotado tanto por veículos com motor a combustão, quanto por híbridos e elétricos, sem grandes variações. Mas não se anime: projeções da consultoria IHS, menos otimistas que os governos, mostram que 35% a 40% de veículos leves novos, no mundo, seriam híbridos, em 2028. Apenas 6%, elétricos.

Tudo isso exposto, fica claro que a forma de dirigir ainda é o melhor aliado para economizar combustível, não esse ou aquele dado. Muitas vezes mudanças de hábitos trazem resultados surpreendentes. Renault diz que mesmo em modelos econômicos, como o Kwid, é possível obter redução de até 20% no consumo. Pode ser checado em relatórios na central multimídia por meio dos programas Eco Scoring e Eco Coaching.

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