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Avaliação: Volvo XC40 T4 está longe de ser básico e surpreende; assista

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

10/09/2018 04h00

Design, espaço e segurança são pontos fortes do SUV em sua versão de entrada, de R$ 169.950

O XC40 chegou no Brasil há poucos meses, mas já ocupa papel de destaque na linha Volvo. O ranking de emplacamentos da Fenabrave está aí para provar: foram 1.262 unidades licenciadas desde abril deste ano, estabelecendo uma diferença de apenas 498 unidades para o XC60, mais caro e lançado pela marca no ano passado. A novidade, porém, ainda está atrás dos principais rivais: BMW X1 (2.675 carros), Audi Q3 (2.066 unidades) e Mercedes-Benz GLA (1.897 veículos). 

A diferença, no entanto, deve cair nos próximos meses com a chegada do XC40 T4. A versão de entrada do SUV custa R$ 169.950. Não é mais barato que dois de seus rivais: o Q3 parte de R$ 153.990 e o GLA sai por R$ 161.900 -- o BMW X1 é mais caro, começando em R$ 191.950. O XC40, porém, é bem mais equipado. E ainda é o único a contar com tecnologia de condução semiautônoma: basta desembolsar mais R$ 5 mil pelo pacote "Pilot Assist", tecnologia que controla acelerações, frenagens e até permite que o carro faça curvas de raio médio a até 120 km/h por conta -- tornando o XC40 o semiautônomo mais barato do país.

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Assim, não é exagero afirmar que o XC40 é a nova referência de SUVs compactos de luxo. Maior do que a concorrência, combina design moderno, bom espaço interno e um generoso pacote de itens de série mesmo para uma versão de entrada. Vamos detalhar isso!

Qual é o truque?

Há alguns segredos por trás do abismo de R$ 25 mil que separa o XC40 T4 da versão intermediária Momentum. Um dos principais está no motor 2.0 turbo, que é o mesmo para todas as versões. Na T4, porém, ele é mais fraco e tem menos torque do que nas versões mais caras. São 190 cv e 30,6 kgfm, contra 252 cv e 35,7 kgfm das versões Momentum e R-Design -- nestes últimos, há compressor para render mais. Mesmo assim, ele é bem mais forte que Q3 (150 cv) e GLA (156 cv) e praticamente empata com os 192 cv do X1.

As rodas de liga leve são de 18 polegadas -- versões mais caras usam aro 19. A cabine não tem o mesmo acabamento refinado das versões mais caras, mas está longe de ser espartana. O ar-condicionado digital tem apenas uma zona de temperatura e o acabamento não traz apliques de alumínio no painel e portas, substituído por um charmoso mapa da cidade de Estocolmo feito em alto-relevo sobre o plástico. A potência do sistema é de 80 watts, o que não é ruim, embora esteja longe da qualidade sonora do som das versões mais caras.

Falta câmera de ré (disponível só a partir da versão Momentum), não existe seletor de modos de condução (apenas um modo Eco), a pintura da carroceria não pode ter dois tons e não há carregamento de celular por indução. Notamos ainda a estranha ausência do espelho de cortesia no para-sol do banco do passageiro -- custaria tão caro inclui-lo de fábrica?

Apesar da lista de desfalques, não pense que o XC40 T4 é “peladão”. Pelo contrário. Segurança, obviamente, está em primeiro lugar, como em todo Volvo: há seis airbags, sistema de frenagem autônoma de emergência (City Safety), alerta de colisão, assistente de permanência em faixa, controle de velocidade em descidas, assistente de partida em rampas e ganchos para fixação de cadeirinhas Isofix.

O SUV também traz central multimídia com tela de nove polegadas, sensor de chuva, coluna de direção com regulagem de altura e profundidade, painel de instrumentos digital com tela de 12,3 polegadas, sensores de estacionamento traseiros, controle de cruzeiro (sem função semiautônoma), sistema start-stop, partida do motor sem chave, faróis full led com acendimento automático, bancos revestidos em couro, retrovisor interno fotocrômico e alerta de pressão dos pneus.

E anda bem?

Quem dirigir o XC40 de 252 cv vai notar muitas diferenças ao volante da versão mais fraca. Os 62 cv a menos são sentidos especialmente nas retomadas e acelerações. Como já citamos anteriormente, mesmo assim ele ainda é mais potente do que seus concorrentes. Na prática, o Volvo é tão ágil quanto o X1, até então o melhor entre os SUVs premium "de entrada".

Porém, é bom frisar que o T4 não é manco, nem ruim de dirigir. Ele só não tem aquela sobra de desempenho a qual estamos acostumados a ver em versões mais fortes. Talvez você nem precise dela se não for um grande fã de velocidade.

O câmbio automático de oito marchas trabalha de forma inteligente no XC40. Ela faz tudo na hora certa, recorrendo ao freio-motor para reduzir velocidade ou subindo marchas para poupar combustível. O que pode causar estranheza no início é a alavanca de câmbio: o sistema é eletrônico e funciona por toques, não por posição fixa para "Drive", "Neutro" ou "Ré". A posição "Parking", aliás, fica em um botão à parte ao lado da manopla. 

A direção elétrica leve é ótima em manobras, mas poderia até ser um pouco mais responsiva em velocidades altas. De qualquer maneira, não transmite insegurança para o motorista. Méritos vão também para a calibragem rígida da suspensão, evitando que a carroceria incline excessivamente em curvas (algo comum e esperado em SUVs pelo centro de gravidade mais elevado), mesmo abusando dos limites. Lado ruim é que buracos e piso acidentado judiam um pouco dos passageiros.

Muitas qualidades

O design é um dos pontos fortes do XC40. Mesmo nesta versão T4, o SUV vira o centro das atenções por onde passa. O SUV segue a identidade visual dos modelos maiores da linha XC, com a vantagem de obter um resultado mais harmonioso, na opinião de UOL Carros. Apenas o recorte das janelas de trás é algo a ser melhorado, em nossa opinião, por limitar o campo de visão em nome do estilo.

O espaço interno é bom para um SUV classificado como compacto. Medindo 4,42 metros de comprimento, 1,65 metro de altura e 1,91 metro de largura, ele é mais alto e largo do que todos os rivais diretos -- Audi Q3, BMW X1 e Mercedes-Benz GLA -- perdendo em comprimento para o GLA por apenas 1 cm.

A distância entre-eixos de 2,70 m é a maior do segmento -- e a mesma de um Toyota Corolla, referência em espaço interno no mercado -- resultando em bom espaço para as pernas até de pessoas mais altas. Só não tente levar um quinto ocupante, pois o túnel central alto demais vai judiar do pobre coitado.

O bom porta-malas de 460 litros tem assoalho plano para facilitar a acomodação de bagagens de vários tipos e tamanhos. O piso retrátil pode ser dobrado, revelando pequenos ganchos para prender mochilas e sacolas.

Enquanto as novas gerações de Q3 e GLA não desembarcam no Brasil, cabe ao Volvo o posto de melhor da categoria.

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