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Opinião do dono: Fiat Strada, 20 anos de loja, é "pioneira" e "valente"

Arquivo pessoal
Fiat Strada Adventure 2010 Cabine Dupla de Matheus Tumelero Gomes, donos de uma assistência técnica em Lagoa Vermelha (RS) Imagem: Arquivo pessoal

Fernando Miragaya

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

07/09/2018 04h00

Proprietários apontam qualidades e defeitos da picapinha veterana, que ainda é líder do segmento

Comercial leve mais vendido do país, a Fiat Strada completa 20 anos em 2018, quase todos eles vividos como líder de segmento. UOL Carros já publicou reportagem especial com a história do modelo. E também avaliou uma unidade atual para saber o que a picape compacta veterana oferece -- ela ainda lidera o mercado.

Mas o que pensam os donos do utilitário? Lançada em 1998 e derivada do primeiro Palio, a Strada não tem isso como ponto negativo por quem compra. É justamente essa origem mais antiga que torna seu custo-benefício atraente, especialmente para frotistas. Mas também é justo lembrar que o modelo jamais se "acomodou": foi pioneira nesses anos em diferentes e inéditas configurações de carroceria e versões, com quatro reestilizações e seis séries especiais.

Versátil, com apelo forte tanto para o trabalho quanto para bancar a lama, a Strada sempre esteve em evidência e isso ajudou a formar um perfil de consumidor amplo, eclético. 

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Dose dupla de Strada

Charles Cunha de Sousa, empresário do ramo de refrigeração de Abaeté (MG), comprou uma Strada Working 2000 há mais de 13 anos, e até hoje a utiliza para levar ferramentas, equipamentos e pequenas máquinas.

Comprou o modelo atraído, entre outras coisas, pela cabine estendida, um dos muitos pioneirismos do pequeno utilitário. "A Strada me atraiu pelo custo-benefício, pela suspensão muito confiável e pelo espaço interno bacana. A cabine estendida não comprometeu a caçamba e ainda permite que eu transporte peças e ferramentas delicadas", afirmou.

A afinidade é tamanha que o empresário comprou outra unidade para a labuta: uma Hard Working ano-modelo 2015.

Arquivo pessoal
Matheus Tumelero Gomes comprou a Strada Adventure 2010 de um tio Imagem: Arquivo pessoal

Aventuras urbanas

A exclusividade para vocação proletária durou pouco na Strada. Logo na primeira reestilização, em 2002, surgiu a versão Adventure. A ideia era aproveitar a receita bem-sucedida da Palio Weekend: suspensão elevada, pneus de uso misto e muitos apliques que remetiam ao fora-de-estrada, como estribos, quebra-mato e faróis de milha -- tudo bastante em desuso atualmente, seja por mudança de leis de segurança, seja por falta de interesse do consumidor, mas de bastante sucesso à época.

O apelo "jipeiro" motivou o também empresário Matheus Tumelero Gomes, de Lagoa Vermelha (RS), a trocar sua Chevrolet Montana por uma Strada Adventure 2010 que antes havia sido de seu tio. "Sempre curti o mundo off-road e a Montana não tem muito esse espírito. Como ainda não tenho dinheiro para pegar uma [picape] diesel 4x4, a melhor opção que eu vejo é a Strada", explicou.

Dono de uma assistência técnica de celulares, Gomes destaca como uma das maiores virtudes do carro o bloqueio do diferencial dianteiro a partir de um botão no console, chamado pela Fiat de "Locker" e implantado em 2008 na carona de outra reestilização da gama.

Ok, ele não vai fazer da Strada um veículo preparado para o fora-de-estrada severo, mas permite fazer uma graça em trechos mais leves. "Também me agrada bastante o conjunto de suspensões. Só que poderiam melhorar a calibragem, pois quando passo em um quebra-molas ela quase chega ao final de curso", ponderou.

A Strada Adventure de Matheus Gomes é Cabine Dupla, outro pioneirismo que a Strada trouxe para o segmento. Esta configuração foi lançada em 2009 e sete anos depois ganharia outra novidade: a terceira porta, que estreou em 2013 durante mais uma remodelação da veterana picape. 

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Tairone Gomes de Cristo com sua Strada Working cabine dupla 3-portas 2018 Imagem: Arquivo pessoal

Fiel

Charles de Sousa se mostra fã do exemplar da Fiat. Sua Working 2000 já passou dos 285 mil km e, antes da Hard Working 2015, ele teve uma outra Strada cabine dupla que comprou zero-quilômetro, mas foi furtada.

"Ano que vem vou comprar uma Strada zero e vender a mais antiga. Já pesquisei muito sobre a Toro, mas a versão a diesel é cara e a versão a gasolina gasta muito. Pega a minha 2000 e a 2015 e você percebe que a Strada evoluiu no consumo e está mais completa", defendeu.

O empresário mineiro pondera que, se pudesse, aumentaria o vão livre do solo da picape, já que pega estrada de terra diariamente, e melhoraria a vedação da cabine. "Entra muita poeira. Na cabine dupla três portas [esse problema] era horrível. Antes de me roubarem, eu tinha mandado vedar toda por dentro", apontou.

Mas e as queixas?

Assim como o perfil de usuários não é homogêneo, alegria com o veículo está longe de ser unanimidade. Em Alagoinhas (BA), Tairone Gomes de Cristo, se diz decepcionado com a versão Working três-portas 2018, novinha, que retirou recentemente da concessionária.

"O acabamento interno e externo tem várias partes que não encaixam. O câmbio, impreciso e longo, às vezes mexe sozinho. A direção é dura para um carro 2018. A terceira porta bate em estrada de calçamento e a posição para encher o estepe é horrorosa, pois a válvula fica para dentro", relatou.

Prestes a se formar em Ciências Biológicas, o estudante usa o modelo para atividade rural, principalmente no transporte de pequenas mercadorias que produz em um sítio. Também se queixa da falta de desempenho do motor 1.4 8V Fire Evo flex, de 85/88 cv (gasolina/etanol).

Essa provavelmente será a primeira e última Strada de sua vida. O estudante destaca posição de dirigir, capacidade de carga e valorização na revenda como pontos positivos, mas não consegue solucionar o problema da fechadura da terceira porta, que trava quando o veículo está carregado.

Além disso, as lanternas traseiras vieram quebradas da concessionária e ele teve de trocá-las. Todas essas insatisfações foram registradas em uma pesquisa da própria Fiat. "Levei na assistência, porém eles só lubrificaram a fechadura e não resolveu. Melhorou, mas ainda assim trava quando coloco muita carga na caçamba. Acredito que deve ser a torção do chassis", lamentou. Por fim, enfatiza que só não trocou de veículo ainda -- ele quer comprar uma Toro -- porque está com um financiamento de 48 prestações.

Arquivo pessoal
Edson Lanfredi e sua Strada Trekking 2010 Imagem: Arquivo pessoal

Matheus Tumelero Gomes, dono de assistência técnica, concorda quanto à falta de fôlego e destaca ainda o consumo elevado de sua Strada Adventure 2010, que usa propulsor 1.8 E-Torq 16V. "Minha Strada faz 5, 6 km/l dentro da cidade. E falta potência", analisa.

A parte do conjunto mecânico, que teve na história desde o 1.5 Fiasa até o atual 1.8 E-Torq, é um dos principais alvos de reclamações da Strada. 

Tumeleiro quer partir para uma picape maior e adianta preferência pela Volkswagen Amarok. "Depois da Strada, só troco por uma picape a diesel", resumiu.

O transportador de carga Edson Lanfredi afirma que a unidade 1.4 de sua Strada Trekking 2010 é suficiente apenas para levar cargas medianas. Ele é dono de uma propriedade em Visconde de Mauá (RJ) e confia mais na velha Ford Pampa para outros transportes.

"Na Strada carrego cimento, esterco e lenha. O 1.4 tem desempenho bom porque é leve, principalmente para passeios. Mas, para o trabalho pesado, ainda prefiro a minha Pampa antiga", reconheceu. Mas também admitiu estar de olho na Toro, apesar de preferir veículos compactos.

#Avaliação: como está a Strada hoje?

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