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Volkswagen Kombi faz 61 anos com prestígio em alta; veja motivos

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

01/09/2018 08h00

"Velha Senhora" deixou de ser produzida há quatro anos, mas ainda tem fã clube grande e fiel

Difícil achar quem não tenha uma história de vida com a Volkswagen Kombi. Pode ser uma lembrança de viagem em família, a perua escolar de todos os dias ou mesmo a fiel companheira de trabalho pesado.

Fato é que o modelo ajudou (e ainda ajuda, dada a grande quantidade de exemplares na ativa) a construir o Brasil. E que seu dia -- comemorado nacionalmente em 2 de setembro, mesma data do início da produção local, há 61 anos -- ainda reúna milhares de fãs em celebrações pelo país.

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Vários clubes de entusiastas se reúnem mensalmente e marcam presença nos maiores eventos de carros antigos, como os encontros de Águas de Lindóia e Araxá (que neste ano acontecerá em setembro).

Mas o "Dia Nacional da Kombi", em alusão à data do início da produção em 1957 -- ainda que a VW afirme que 552 unidades foram produzidas em regime CKD (no qual as peças são importadas e então montadas no país) desde 1953 -- e que desta vez cai num domingo, é realmente a maior celebração do modelo.

O Sampa Kombi Clube, inclusive, organiza no mesmo dia um grande encontro em São Bernardo do Campo (SP), quase ao lado da fábrica da Volkswagen, de onde milhares de unidades saíram em 56 anos de produção ininterrupta.

Os motivos citados no começo do texto já seriam suficientes para justificar o prestígio da "Velha Senhora". Mas UOL Carros separou outras boas razões para gostar (ou pelo menos respeitar) a sessentona Kombi.

1. Carisma inigualável

Não há como ficar indiferente a uma Kombi restaurada nos mínimos detalhes. Seu design sempre foi "simpático", com aquele ar de caixa sobre rodas que perdurou por várias gerações.

Muitas pessoas também viam nela um carro feito para trabalhar durante a semana e passear aos finais de semana. Era só colocar os bancos de volta e a família toda podia ir para qualquer lugar.

2. Valorizada no mercado de clássicos

Poucos carros tiveram uma valorização tão grande quanto a Kombi nos últimos anos.

Estudo realizado pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP) em 2017 apontou que a perua foi o veículo antigo (aqueles com no mínimo 30 anos de vida) que mais subiu de preço na última década.

A campeã foi a Kombi "Corujinha" (1968 a 1975), que valorizou 135,1% acima da Selic (a taxa básica de juros, que serve como bússola para investimentos como poupança e CDB, entre outros).

A perua deixou para trás modelos de respeito, como Chevrolet Opala, Ford Maverick e seu "irmão" Volkswagen Fusca.

3. Cobiçada no mundo todo

Foram mais de 1,5 milhão de unidades feitas no Brasil de 1957 a 2013. Justamente por isso, nosso país virou "exportador" de peruas para várias partes do mundo.

Uma rápida busca no Google aponta meia dúzia de empresas que se dizem especializadas em vender Kombi para o exterior.

Os valores anunciados em dólar ou euro são altos se convertidos para real, mas verdadeiras pechinchas para os estrangeiros. Uma unidade em perfeito estado de 1973 foi anunciada em um site por US$ 16.500 (pouco mais de R$ 67 mil).

E olha que este anúncio estava barato mesmo. Segundo outra agência, a Combi Brésil, um modelo similar varia entre 25 mil e 50 mil euros -- ou algo entre R$ 118 mil e R$ 236 mil).

4. Fácil de manter

Robustez foi a maior qualidade compartilhada entre Fusca e Kombi. Mas se algo der errado ainda há uma boa disponibilidade de peças de reposição no mercado paralelo.

"Como foram produzidas muitas unidades e considerando que a Kombi compartilha componentes com outros modelos de grande volume, como Fusca, o mercado independente de itens de reposição está bem abastecido", avalia Antonio Fiola, presidente do Sindirepa (Sindicato Paulista da Indústria de Reparação de Veículos).

As únicas exceções vão para algumas peças de acabamento e componentes de modelos mais antigos.

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