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Citroën C4 Cactus é SUV, crossover ou hatch "bombado"? UOL Carros analisa

Vitor Matsubara, André Deliberato, Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo(SP)

30/08/2018 11h01

Não importando o rótulo, modelo terá missão de preencher lacuna de tamanho, uso e tecnologia na linha da Citroën

Depois de apresentar preços e equipamentos do Citroën C4 Cactus -- os valores vão de R$ 68.990 a quase R$ 99 mil -- UOL Carros conta agora quais são suas primeiras impressões sobre o crossover, que a PSA Brasil vai vender fazendo questão de apresentá-lo com o rótulo de SUV típico. 

Embora tenha características de hatch na origem, inclusive sendo vendido na Europa desta forma -- como uma variante aventureira/chique do C4 Hatchback  --, a fabricante prefere apostar tudo na nomenclatura "SUV" aqui no Brasil. Faz sentido mercadologicamente: é uma boa oportunidade de coloca-lo no segmento da moda e, também, de preencher um vazio no portfólio.

Pelo menos, o rótulo vem acompanhado de uma mudança mecânica: "nosso" C4 Cactus é mais alto e teve recalibragem na suspensão em relação ao projeto europeu.

Fora isso, porém, acaba sendo praticamente igual ao modelo fabricado na Espanha. Inclusive no design: o Cactus traz o facelift revelado na Europa e vendido por lá desde o começo deste ano. Sendo SUV, crossover ou hatch anabolizado, o que o Cactus  tem de bom?

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Que estilo é esse?

Linhas do Cactus são musculosas, como pede o "manual" do bom SUV. Conjunto óptico em três níveis segue a fórmula adotada no projeto Tecnospace (de 2013 e que deu origem ao C4 Picasso/Grand Picasso), com luzes diurnas e de posição (de LED) na parte superior (alinhada à mínima grade frontal), canhões principais mais abaixo (ladeando a "boca" da tomada de ar principal) e luzes de neblina na porção inferior da para-choque.

Isso tudo forma conjunto arrojado e original -- sim, a Citroën criou este estilo antes de Jeep (com Cherokee) e Fiat (com Toro). 

Nas laterais, os airbumps europeus (bolsas de ar plásticas e rígidas, desenhadas para proteger a carroceria de pequenos impactos em estacionamentos, por exemplo), foram abolidas -- solução também adotada na Europa. Viraram meros apliques plásticos na parte inferior do carro, sem preenchimento de ar e que agora só ajudam a dar um "aspecto aventureiro" à lateral.

A traseira tem linhas mais comedidas que quase destoam do resto do carro. As lanternas retangulares têm efeito 3D, mas possuem estilo convencional, que em alguns momentos lembra modelos da Volkswagen.

O interior abusa da mistura entre formas retangulares e superfícies com acabamento abaulado: saídas de ar-condicionado, no console central, painéis laterais abusam dessa solução. Há, porém, algumas diferenças para o Cactus europeu: o painel também é digital, mas tem aparência mais simples e veio do C4 Lounge -- por lá, é próprio, vem do Cactus anterior e tem pouca relação com outros modelos.

O acabamento traz bastante plástico de boa qualidade, mas com acabamento rígido. Há mínimo aplique de tecido (como no Peugeot 3008) para trazer alguma suavidade ao toque -- na Europa, usa-se diferentes texturas e mistura de tecidos como lona e sarja. A central multimídia com tela tátil de sete polegadas é bastante fácil de operar, com boa navegabilidade e visual elegante, em posição e uso melhorados para o modelo europeu.

O espaço interno é bom para pernas, inclusive no banco de trás. Já o porta-malas de 320 litros está abaixo da média do segmento, apenas empatando com o Jeep Renegade, o que é ruim. Para piorar, o recorte da tampa traseira é alto demais, dificultando o acesso ao compartimento.

Murilo Góes/UOL
Design do Cactus brasileiro é praticamente o mesmo que do modelo europeu, reestilizado recentemente Imagem: Murilo Góes/UOL

Vai brilhar?

UOL Carros avaliou a versão Shine por uma semana e constatou: o C4 Cactus é mais alongado do que alto e é tipicamente um modelo urbano. Quem precisa de um utilitário esportivo para uso em diferentes pisos e situações, porém, terá de buscar entre os competidores. Mas o Citroën é uma aposta real para os outros 80% dos compradores do segmento, que usarão o modelo na cidade e na rodovia.

Assim como na maioria dos modelos topo de gama da PSA, o motor turbo é o destaque. Oferece respostas rápidas toda vez que solicitado e embala sem dificuldades.

Câmbio tem excelente escalonamento e marchas são trocadas, para cima e para baixo, de forma bastante suave e precisa. Isso resulta em bons números de desempenho: segundo a Citroën, o Cactus THP faz de 0 a 100 km/h em 7,3 segundos (com etanol) e pode chegar à velocidade máxima de 212 km/h.

Espaço interno é bom: quatro pessoas conseguem viajar com folga por grandes distâncias, graças à boa área para pernas e cabeça. Porém, como já dissemos, isso prejudica o espaço para bagagem.

A direção é leve nas manobras, mas esse comportamento se mantém mesmo em velocidades maiores -- ainda que não seja anestesiada, a direção do Cactus não será direta o bastante para agradar quem gosta de carros responsivos ao extremo.

Grande senão, porém, é a falta de sensor de estacionamento num carro com carroceria tão "parruda". Apesar da câmera de ré, o alerta sonoro seria um grande aliado para manobrar em espaços restritos, sem risco de machucar a lataria ampla na lateral e 

Por dentro, acabamento mostra boa qualidade nos materiais adotados -- camadas de material suave ao toque, reforçando o nível de requinte. Apesar disso, existe um certo exagero nas linhas retangulares.

Em tempo: UOL Carros está fazendo teste mais aprofundado e publicará em breve texto sobre o comportamento do Cactus em longas distâncias. 

* Viagem a convite da PSA do Brasil

Murilo Góes/UOL
Citroën também promete oferecer uma versão automática com preço abaixo dos R$ 70 mil para PCD Imagem: Murilo Góes/UOL

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