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Avaliação: Nissan Versa não encanta aos olhos, mas seduz pelo lado racional

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

20/08/2018 14h41

Defasado diante de rivais mais atuais, sedã ainda é boa opção para quem precisa de espaço interno

Algumas coisas acontecem em vários países, mas não no Brasil. Nissan Versa vendendo bem é uma dessas.

Campeão de vendas no México e o sedã mais vendido da América Latina, ele emplacou apenas 15.592 unidades de janeiro a julho deste ano no Brasil, ocupando uma discreta 27ª posição no ranking da Fenabrave (associação das concessionárias).

Mas qual seria a razão (ou as razões) do desempenho tímido por aqui? UOL Carros passou uma semana avaliando o sedã e tirou algumas conclusões.

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Feinho

Um dos motivos principais é o design. Lançado em 2011 e atualizado em 2015, o Versa raramente encanta pelo visual.

Há quem o rotule, inclusive, de feio. Tudo por causa das linhas meio desajeitadas, com certa falta de proporção depois das colunas "B". O desenho pouco inspirado da traseira também não ajuda a conquistar fãs.

Outra deficiência do Versa está no projeto defasado -- alguns elementos fazem com que você se sinta dirigindo um carro da década passada. E olha que ele até se esforça para superar a expectativa do cliente trazendo itens como ar-condicionado digital e direção elétrica.

No fim das contas, porém, o Versa só traz o essencial. A posição de dirigir é levemente deslocada para a direita, o volante é grande demais (e não tem ajuste de profundidade) e o acabamento interno não abusa de texturas e cores variadas para disfarçar a simplicidade.

Falta também um melhor isolamento acústico, já que o som do motor está mais presente do que deveria no interior. A situação piora sensivelmente durante as acelerações, quando o câmbio CVT faz o motor "berrar" com mais intensidade.

Tem espaço, hein?

Obviamente o Versa não tem só defeitos. Uma das maiores virtudes está justamente na transmissão continuamente variável. A caixa funciona de forma suave e precisa, sem lags ou trancos. Definitivamente é um dos melhores câmbios CVT do mercado.

Porém, sua maior virtude é o espaço interno. Não há sedã compacto à venda no Brasil tão espaçoso como o Versa. Com distância entre eixos de 2,60 metros (maior do que quase todos seus rivais), ele oferece um latifúndio de espaço para as pernas no banco de trás. Ajuda também na maior sensação de amplitude o encosto levemente reclinado.

O porta-malas de 460 litros é amplo, mas está longe de ser gigantesco como o de outros rivais -- inclusive menores do que o Versa, como o Toyota Etios Sedan e seus 562 litros. Falta também um acabamento mais esmerado dentro do porta-malas, mas praticamente todos os seus concorrentes ficam devendo neste quesito.

Anda bem

O motor é um velho conhecido: trata-se do 1.6 16V de 111 cv e 15,1 kgfm abastecido com gasolina ou etanol. Ele cumpre bem seu papel, até porque o Versa não é um carro pesado para seu porte (1.088 kg).

Não falta fôlego em arrancadas, mesmo se o veículo estiver carregado. Parte do mérito vai para o bom relacionamento entre motor e câmbio, que atuam em sintonia mesmo nas situações mais críticas.

Embora o Versa seja um bom carro, a concorrência se mexeu nos sete anos em que ele está entre nós. Atualmente, Volkswagen Virtus e Fiat Cronos surgem na crista da onda: além de mais modernos e bem equipados, eles superam o Versa em espaço no porta-malas (521 litros no Virtus e 525 l no Cronos) e se aproximam em espaço interno no caso do VW.

Porém, o Versa Unique ainda leva vantagem no preço. O Virtus Comfortline 1.6 MSI com câmbio automático parte de R$ 66.525 e não oferece itens presentes no Nissan, como ar-condicionado digital e nem um simples ajuste de altura do volante.

Já o Cronos Precision 1.8 AT custa R$ 69.990 (apenas R$ 1.150 a mais do que o Versa) e traz até controle de cruzeiro (ausente no Nissan), embora ainda fique devendo ar digital câmera de ré.

Dificilmente alguém comprará o Versa por design ou tecnologia. O modelo cativa pelos atributos que estão longe dos olhos, como a relação custo/benefício e o amplo espaço interno. Se você não liga para as aparências, não há porque não abraçar o sedã da Nissan.

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