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Mico ou não? Especialista fala sobre carros de marcas que deixaram o Brasil

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Niva é um dos poucos carros da Lada com boa aceitação no mercado de usados Imagem: Divulgação

Felipe Carvalho

Colaboração para o UOL, de São Paulo (SP)

17/08/2018 15h28

"Caçador de carros" diz que modelos de fabricantes sem representação no país nem sempre são mau negócio

Um bom passatempo para os amantes de carros é navegar nos classificados de usados para encontrar aquele veículo dos sonhos.

Se no passado era impossível ter um (seja pelo preço ou pela idade), hoje alguns custam bem baratinho e não demandam muito esforço para trocarem de garagem.

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Porém, os mais acessíveis são aqueles que, por algum motivo, não deram certo no nosso mercado e tiveram vida curta.

Pior ainda é quando a marca desse modelo também abandonou o país, deixando os donos sem assistência de pós-venda. Não faltam exemplos assim de carros do início dos anos 90 até meados dos anos 2000 a valores tentadores. Mesmo assim, será que vale a pena levá-los para casa?

Resposta: depende do modelo. Por isso, listei algumas opções interessantes e outras nem tanto.

Mazda

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Esportivo Miata ganhou status de colecionável com o passar dos anos Imagem: Divulgação

A importância mundial da japonesa Mazda não condiz com a breve participação em nosso mercado. Forte no primeiro mundo, por aqui não conseguiu se estabelecer e deixou órfão quem acreditou na marca.

Os mais baratos são os sedãs Protegé e 626, além da minivan MPV.

Porém, se é fácil levar um deles para casa, difícil é manter. Dá até para encontrar mecânicos especializados em Mazda em São Paulo e em outras grandes cidades, mas peças e mão de obra são caras -- ainda mais quando comparamos com o valor de mercado desses carros.

É por esse motivo que é comum encontrar esses modelos abandonados pelas ruas, pois chega um momento que o dono perde a disposição de deixá-lo na ativa.

O mesmo não posso dizer da linha esportiva. O pequeno MX-3 até que vendeu bem, mesmo sendo equipado com um modesto 1.6 de 106 cv, mas o visual esportivo conquistou uma parte do público.

Quando aparece um original e em bom estado, consegue sustentar valores maiores. Alguns raros MX-3 com motor V6 de apenas 1,8 litro devem ficar restritos a colecionadores, com preços ainda mais caros.

Já o MX-5 Miata, o famoso conversível de dois lugares com tração traseira, já é considerado um clássico colecionável que tende a ficar cada vez mais caro. Nesses casos, até vale a pena ter um Mazda esportivo, desde que não seja um carro de uso diário.

Seat

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Carros da marca espanhola trazidos para cá eram derivados do VW Polo Imagem: Divulgação

Dez em cada dez anúncios de Seats indicam que a mecânica é Volkswagen. Isso porque a marca espanhola pertence à VW e os modelos vendidos por aqui (Ibiza, Cordoba, Vario e Inca) nada mais eram do que variações do VW  Polo europeu daquela época.

Assim, o anunciante usa o "parentesco" para que seu carro não seja visto como um importado impossível de se manter no Brasil. 

Faz sentido, pois, de fato, eles compartilham a mesma mecânica, o que facilita a manutenção.

Mas a parte boa da história acaba por aqui. Por serem carros de entrada descontinuados há muitos anos e sem potencial de virarem futuros clássicos, é praticamente impossível encontrar um Seat em bom estado.

O que se vê são carros "moídos", usados sem dó. Além disso, boa parte das peças de acabamento são exclusivas. Respeito quem gosta e tem alguma história com esses modelos, mas, para mim, não faz sentido comprar um Seat.

Daihatsu

Tem quem ainda pense que a Daihatsu é coreana, mas na verdade ela é japonesa e, desde 1999, pertence a gigante Toyota.

Nos poucos anos que esteve no Brasil, ganhou a simpatia dos compradores de carros pequenos, mas ainda assim tiveram pouca participação no mercado. É raro ver modelos como Cuore, Charade, Applause, Feroza e Terios por aí.

Hoje são carros bem baratos, com exceção dos dois últimos que conseguem segurar mais o preço.

Levando em conta que a Daihatsu deixou de importar veículos para cá há duas décadas, fica até compreensível imaginar que é difícil mantê-los rodando.

Mesmo assim, a simplicidade e robustez mecânica desses carros nas mãos de alguém que tenha um pouco de conhecimento e paciência para importar peças permite que tenham uma sobrevida. Só recomendo para quem tem esse perfil, caso contrário é melhor nem se arriscar.

Daewoo

Essa sim é coreana, mas tem DNA Chevrolet -- e essa é a melhor notícia que posso dar para quem pretende comprar um Daewoo.

Caso você não saiba, o belo sedã Espero tem a mesma mecânica do Vectra e o pequeno Lanos tem o mesmo motor do Corsa.

Se por um lado não é difícil manter a mecânica de um desses carros, por outro devemos levar em conta a falta de interesse por eles.

Com preços cada vez mais em baixa, caem nas mãos de quem não consegue mantê-los por muito tempo. Assim, muitos deles acabam destruídos até serem abandonados. Melhor comprar um Vectra ou um Corsa mesmo. 

Lada

Lembro-me muito bem da chegada dos russos da Lada ao Brasil. Seus carros estiveram entre os primeiros importados dos anos 90, mas pareciam carros de décadas passadas. A vantagem estava no preço, menor que qualquer outro carro, mas nem isso foi o bastante para mantê-los em linha por aqui.

Pesou o visual defasado e a baixa qualidade de construção. Mas quem diria que hoje em dia esses russos estão valorizados? Claro que a maioria está completamente destruída, mas os poucos que sobraram em bom estado estão cada vez mais caros.

No caso, a preferência é pelo Laika, tanto sedã quanto perua, justamente os que tinham projeto mais antigo. O simpático Niva também vai bem e tem público fiel. Já o Samara deve ficar somente nas nossas lembranças.

Bônus 1: Kia e Hyundai

Vamos deixar claro: até agora listei apenas marcas que ficaram pouco tempo no Brasil. De qualquer maneira, as coreanas entram nesta lista porque a boa imagem construída atualmente nada tem a ver com o passado das marcas -- daí a citação.

A Kia chegou com foco nos utilitários como a Besta, que encantou donos da defasada Kombi e fez bastante sucesso.

Porém, o mesmo não podemos dizer dos inexpressivos Sephia, Clarus e Shuma, sedãs que muitos nem conhecem.

Já no início dos anos 2000, os mais conhecidos Carens, Carnival e Cerato sofreram com o visual das gerações passadas.

Somente na segunda metade daquela década é que a Kia investiu pesado no design.

Algo semelhante aconteceu com a Hyundai, que tinha apenas bons carros com visual sem sal, despertando o interesse de poucos.

Aqui tivemos Excel, Elantra, Sonata, Scoupe, Accent entre outros. Levou algum tempo para que o design dos modelos atuais encantasse o público.

Para resumir, Kia e Hyundai renasceram na segunda metade dos anos 2000 e é a partir dessa época que vale a pena investir em um de seus carros. Os mais antigos estão renegados ao esquecimento e não despertam interesse nem mesmo nos colecionadores.

Bônus 2: marcas chinesas

Ainda é cedo para cravar o futuro das marcas chinesas. Mesmo assim, especialistas do mercado automotivo afirmam que os chineses devem ter uma trajetória semelhante ao de Kia e Hyundai.

A tendência é que, aos poucos, elas se firmem no mercado com bons carros de visual atraente e alta tecnologia. Mas enquanto isso não acontece, a dúvida persiste na compra dos chineses, principalmente daquelas marcas que já deixaram nosso mercado.

Na minha opinião, basta entrar em qualquer carro da primeira leva de importados para descartar a compra. O acabamento sofrível e a impressão de baixa qualidade mecânica também fazem com que não valha a pena levá-los para casa.

Além disso, são carros que não transmitem segurança nem mesmo em uma curta viagem. Não se deixem enganar quando o vendedor te falar que a mecânica de alguns é a mesma do Corolla, pois continuam sendo carros ruins que não valem a compra. 

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Effa M100 teve vida curta no mercado brasileiro Imagem: Divulgação

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