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Saiba diferenças entre o C4 Cactus brasileiro e europeu; qual será melhor?

Alessandro Reis

Colaboração para o UOL, em Porto Real (RJ)

03/08/2018 04h00

UOL Carros mostra detalhes e diferenciações entre uma unidade nacional do SUV e outra feita para a Europa; quem leva a disputa?

Durante a cerimônia de início da produção do Citroën C4 Cactus na fábrica de Porto Real (RJ), UOL Carros obteve com exclusividade informações sobre as diferenças entre a versão brasileira e a europeia do SUV compacto -- ambas foram desenvolvidas paralelamente no Brasil, com participação de mais de 400 profissionais de diferentes nacionalidades.

A versão brasileira chega ao mercado em setembro, com preços e detalhes das versões anunciados no próximo dia 27 de agosto. Já tivemos acesso à configuração topo de linha do utilitário esportivo e revelamos especificações sobre seu conteúdo (confira no álbum acima).

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A configuração europeia recebe modificações de estilo e conteúdo em relação ao modelo lançado naquele continente em 2014, e a versão atualizada para aquele mercado -- idêntica à nossa em porte e design -- chegou em março.

A história já apontou no passado que adaptações para mercados "emergentes" como o nosso significam um produto piorado em relação ao europeu, por conta de economia de custos, para tornar o produto mais acessível por aqui.

Vide o exemplo do Peugeot 208, que compartilha a plataforma PF1 com o C4 Cactus e todos os automóveis nacionais da PSA Peugeot Citroën, também produzidos no Rio: em 2016, o hatch foi mal em teste do Latin NCAP por não trazer barras de proteção contra batidas laterais nas portas, enquanto a versão europeia trazia os reforços estruturais.

Agora isso mudou

No caso do C4 Cactus, executivos ouvidos pela reportagem garantem que a história é diferente. "Em alguns aspectos, o C4 Cactus fabricado em Porto Real é mais seguro que o europeu", sentenciou João Carlos da Costa Barreira, diretor de projeto do C4 Cactus (brasileiro e europeu), que comandou o time de mais de 400 profissionais durante os três anos de desenvolvimento do SUV em território brasileiro.

"O modelo feito no Brasil traz duas barras de aço 22MNB5 nas portas dianteiras. É um aço muito particular, flexível, para absorção de impactos. O modelo europeu não tem essas barras", salienta.

Ainda tratando da segurança, a novidade feita aqui terá seis airbags na versão mais completa, bem como sistema de frenagem automática de emergência com detecção de pedestres, alerta de saída de faixa, alertas de atenção de cansaço ao condutor e controles de tração e estabilidade com seletor de modos de condução, além de assistente de rampa.

Fora isso, a versão brasileira tem quatro saídas de ar-condicionado, contra apenas três na Europa, enquanto o sistema de climatização do modelo nacional também é mais potente -- neste caso, para lidar com o clima mais quente da nossa região.

Divulgação
C4 Cactus já começou a ser feito em Porto Real (RJ) e será mais um rival de HR-V, Renegade, Creta e cia Imagem: Divulgação

Para lidar com os rigores das nossas vias, como é de costume em outras adaptações de veículos estrangeiros, as suspensões foram retrabalhadas em relação ao modelo vendido lá fora. "O modelo brasileiro tem até 38 mm (3,8 cm) de altura maior em relação ao solo das suspensões na comparação com o europeu, nas configurações com rodas de 17 polegadas (as oferecidas na configuração de topo).", garante Barreira.

O SUV também será oferecido com o motor 1.6 16v aspirado de até 122 cv nas versões mais baratas, acompanhados de caixa de marchas manual ou automática.

O Cactus nacional também vai contar com subframe dianteiro e novo semieixo para compensar a maior altura do solo (que chega a quase 20 cm se comparado ao carro da Europa) e reduzir vibrações, nas configurações com motor 1.6 THP e transmissão automática de seis marchas da Aisin.

As suspensões, que contam com sistema McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira, também ganharam ajustes nas molas e outros componentes para lidarem com os buracos, valetas e lombadas de nossas vias. O motor conta também com coxins hidráulicos, outra vez para proporcionar um rodar mais confortável.

Newspress
Cactus europeu existe desde 2014, mas nova geração surgiu este ano, praticamente junto com a versão brasileira Imagem: Newspress

Inédito no Brasil

O lançamento é o primeiro modelo da PSA fabricado no país a combinar esse propulsor turbo ao câmbio de seis marchas com conversor de torque -- o Citroën C4 Lounge traz o mesmo trem de força, mas é feito na Argentina, enquanto o Peugeot 2008, feito sobre a mesma base PF1 em Porto Real, só oferece a motorização turbo acompanhada de transmissão manual -- de acordo com a PSA, isso acontece por conta de "restrições" de plataforma.

Por outro lado, tudo indica que o Cactus brasileiro não vai contar com o sistema de amortecedores hidráulicos progressivos disponível para a variante estrangeira -- embora a empresa não informe muitos dos detalhes técnicos. Com suspensão mais baixa, o C4 Cactus é vendido pela Citroën na Europa como hatch.

As diferenças entre o modelo fluminense e o "gringo" também se estendem às portas traseiras e ao interior: no europeu, as janelas laterais traseiras não descem (são basculantes, abertas parcialmente para fora, como em modelos mais antigos de duas portas), enquanto o nosso traz uma configuração convencional, com vidros descendo ou subindo na vertical, como nas portas dianteiras. Mais prático, né?

A cabine do Cactus brasileiro também é diferente daquela vista na variante europeia. Além das mudanças já citadas no sistema de climatização, o painel de instrumentos é digital como no do carro estrangeiro, porém diferente e maior (é o mesmo do C4 Lounge). Aparentemente, os revestimentos internos do modelo brasileiro são mais simples.

De forma resumida, dá para dizer que o carro brasileiro, mesmo com revestimento mais simplificado, estará um passo à frente que o europeu.

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