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BMW e Mercedes são boas opções de carros de luxo usados; veja outras dicas

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Cobiçado quando 0km, o BMW Série 3 ainda é prestigiado no mercado de usados Imagem: Divulgação

Felipe Carvalho

Colaboração para o UOL, de São Paulo (SP)

20/07/2018 04h00

"Caçador de carros" recomenda modelos alemães e japoneses, mas alerta para cuidados na hora da compra

Não tenho dúvidas que os anos 90 foram os mais legais para o mercado automotivo nacional. A abertura das importações fez nosso mercado ser inundado com carros das mais diversas marcas de um dia para o outro.

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Naquele tempo, quatro grandes fabricantes dominavam o país: Volkswagen, Chevrolet, Ford e Fiat. Mesmo consagradas, todas precisaram renovar seus produtos para acompanhar a qualidade dos modelos vindos de outros países.

Porém, a segunda metade dos anos 90 já indicava que aquela festa estava próxima do fim. Medidas protecionistas foram adotadas para privilegiar os fabricantes nacionais e, com isso, deixou de ser tão interessante trazer carros de fora.

Aos poucos, o mercado foi ficando cada vez mais conservador, até chegarmos ao cenário atual, no qual o consumidor não compra mais o que tem vontade, e sim aquilo que pensa ser fácil de revender no futuro. Hoje carro bom é SUV, de preferência preto ou prata, e é provável que você queira sem nem mesmo se perguntar se gosta disso.

Mico ou bom negócio?

Felizmente, existem guardiões espalhados por esse "Brasilzão", dispostos a fazer o que for preciso para manter seus carros antigos em condições de uso.

Mesmo assim, é viável encarar um carro de luxo dos anos 90 ou início dos anos 2000?

Para responder isso, listei algumas opções interessantes e outras nem tanto.

Se você não quer errar, vá de BMW ou Mercedes. Essas marcas alemãs são as que mais conseguem segurar os preços de seus carros no mercado de usados.

Alguns modelos ainda são incrivelmente caros. Algo que ajuda é o fato de saber que ainda é possível contar com assistência nas concessionárias. Os carros que estão em alta são os sedãs de entrada, ou seja, BMW Série 3 e Mercedes-Benz Classe C.

Mesmo sendo mais refinados e bem equipados, eles são mais simples que seus irmãos maiores. Se estiver pensando em um deles, espero que você tenha disposição de encarar o desafio e não abandoná-los na primeira quebra.

A não ser que você seja um colecionador em busca de exclusividade, fuja daquelas versões que venderam pouco e das que tenham motores grandes demais. A dificuldade de peças será maior e o consumo de combustível tornará um simples passeio algo inviável.

Outra alemã consagrada (e que até fabrica carros aqui) é a Audi. Porém, basta abrir os classificados para ver que seus modelos dos anos 90 e início dos 2000 não chegam nem perto dos preços das outras duas alemãs. Infelizmente, a imagem desses Audis antigos é de carros dificílimos de se manter e por isso são baratos.

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Modelos da Audi não são tão valorizados -- e têm fama de manutenção difícil Imagem: Divulgação

Fuja dos micos

Carros feitos por marcas francesas sofrem com a má reputação. Aliás, boa parte do preconceito que ainda se tem com eles vem do fraco desempenho dos anos 90.

Geralmente, os carros eram belos e desejáveis, porém, a baixa qualidade mecânica e a aparente inaptidão para aguentarem o nosso solo lunar queimou a imagem deles.

Hoje esses carros não valem quase nada no mercado e não é nada racional querer levar um Renault Laguna, Peugeot 407 ou Citroën Xantia para garagem.

Furada mesmo é a Alfa Romeo. Até dói dizer isso, pois sou fã da marca e considero o 164 e o 156 os mais belos sedãs de seus tempos.

Para ser dono de Alfa, tem que ser maluco por carro e não se importar com a dificuldade em se manter carros luxuosos de uma marca que a Fiat abandonou no Brasil há muitos anos.

Se você é uma pessoa comum, deixe esses italianos somente para os ricos colecionadores continuarem preservando a história deles.

A Volvo que conhecemos hoje pouco tem a ver com o de 20 anos atrás. Se hoje seus modelos são altamente desejados, antigamente tinham um visual bem sem graça. Os poucos que foram vendidos jamais foram objetos de desejo e os preços caíram muito rápido.

É quase impossível encontrar um bom Volvo dessa época, portanto é uma marca que deve ser evitada.

Confie nos japoneses

Bom mesmo são os carros de Honda e Toyota. O desenho conservador de alguns Accords e Camrys não despertava tanto desejo, mas a forma como envelheceram bem comprova a qualidade deles.

Estão longe de terem o status de uma BMW ou Mercedes, mas entregam pacotes de equipamentos de conforto e segurança similares, além da notável simplicidade com que os japoneses constroem seus robustos carros, que podem facilmente encarar o uso diário.

Boas compras

Algumas opções interessantes também foram oferecidas pelas quatro grandes montadoras citadas no início, principalmente as opções fabricadas por aqui.

O VW Santana se destaca mais que seu refinado irmão Passat. A mesma coisa acontece com o Omega, no qual o nacional é muito mais desejado e procurado que seus sucessores importados.

A Ford passou pelos anos 90 de forma nebulosa, com nacionais sem identidade própria ou importados de baixa qualidade.

Já a Fiat não soube se estabelecer no mercado de luxo. Hoje seus saudosos Tempras e Mareas são vendidos a preço de banana e só servem para apaixonados pela marca. 

Caso você esteja pronto para buscar algo interessante nos classificados, espero apenas que você seja realmente um “guardião” disposto a cuidar bem dessa parte da nossa história automotiva.

Se for para comprar e abandonar, melhor nem começar a procurar.

* Felipe Carvalho é administrador de empresas, consultor e primeiro "caçador de carros" profissional do país. Seu canal no YouTube dedicado a avaliações de achados automotivos tem mais de 100 mil inscritos.

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

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