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Operários da Fiat ameaçam greve por ida de Cristiano Ronaldo à Juventus

Massimo Pinca/Reuters
CR7 na Juventus? "Não com dinheiro do nosso suor", criticam operários da FCA, enquanto torcedores italianos se animam Imagem: Massimo Pinca/Reuters

Ricardo Ribeiro

Colaboração para o UOL, em Coimbra (Portugal)

11/07/2018 11h02

Trabalhadores reclamam que parte dos 105 milhões de euros para trazer o craque do Real Madrid estão sendo pagos por eles

Melhor jogador do mundo em cinco oportunidades, craque da seleção de Portugal de futebol, ídolo no Real Madrid (artilheiro de todos os tempos, com 450 gols)... qualquer um estaria feliz com a chegada de Cristiano Ronaldo ao seu time, ou não? Parte da torcida da Juventus já afirmou que sim, mas nem todo mundo quer ver o jogador na equipe italiana. Ou, pelo menos, não quer pagar a conta.

Trabalhadores da Fiat-Chrysler anunciaram que podem fazer greve de, pelo menos, 48 horas (entre os dias 15 e 17 de julho) caso a contratação de Cristiano Ronaldo seja mantida nos atuais termos. Os operários reclamam que terão de pagar a conta dos quase R$ 500 milhões (cerca de 105 milhões de euros) ofertados pela Juventus ao Real Madrid em duas parcelas.

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Quem paga a conta

De acordo com o sindicato Unione Sindacale di Base, boa parte dos 105 milhões de euros está sendo financiada pela Fiat-Chrysler, que recentemente anunciou plano amplo de reestruturação, divulgou corte na fabricação de diversos modelos e foco em apenas algumas marcas para ampliar sua lucratividade, na Europa, mas também nos EUA e no Brasil.

Segundo a imprensa italiana, é realmente fato que parte do valor será financiado pela Exor, empresa que faz parte do Grupo FCA -- a família Agnelli, que já foi dona e ainda é grande acionista da FCA na Itália, é dona da Juventus.

Em nota o sindicato italiano afirmou que "os empregados têm feito grande sacrifício econômico... sem reajuste de salários, enquanto a empresa investe milhões na chegada de um jogador" e afirmaram que vão paralisar a fábrica de Melfi, que entrega o Jeep Renegade e o Fiat 500X, entre outros modelos, nos próximos dias, caso nada seja alterado.

Veja a íntegra da nota do sindicato dos trabalhadores italianos da FCA:

"Não é aceitável que os trabalhadores continuem a fazer enormes sacrifícios econômicos, enquanto a empresa gasta milhões de euros num jogador. Eles dizem às famílias para apertarem cada vez mais o cinto e depois decidem investir tanto dinheiro num jogador. Acham isso justo? É normal uma pessoa ganhar milhões, enquanto milhares de famílias a meio do mês já quase não têm dinheiro? Somos todos empregados e esta diferença de tratamento não pode continuar.

Os trabalhadores da FIAT deram uma fortuna aos patrões nas últimas três gerações, mas foram compensados com uma vida de miséria. A Fiat deveria investir em novos modelos que consigam garantir o futuro de milhares de pessoas, ao invés de enriquecerem apenas uma pessoa. Esse é que deveria ser o objetivo. 

A empresa deveria colocar os interesses dos seus empregados em primeiro lugar. Se isto não acontece, é porque eles preferem o mundo do futebol e do entretenimento em detrimento do resto.

Pelas razões descritas acima, o Sindicato convocou uma greve na fábrica de Melfi entre as 22 horas do dia 15 de julho e as 18 horas do dia 17 de julho."

Não é a primeira vez que a contratação de um jogador pela Juventus gera reclamações dos funcionários: a chegada do argentino Gonzalo Higuaín ao clube também teve esse tipo de controvérsia, em 2016. Curiosamente ou não, a transferência de Cristiano Ronaldo pode forçar a saída de Higuaín do clube italiano.

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