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Esta é a seleção de carros franceses que todo brasileiro deveria respeitar

Arte/Divulgação
Minivan, compacto e até cupê: franceses têm vários fãs no Brasil Imagem: Arte/Divulgação

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

10/07/2018 04h00

Modelos de Citroën, Peugeot e Renault honram as cores de seu país mesmo na casa do adversário

A eliminação do Brasil consolida a França como uma das favoritas à conquista da Copa do Mundo de futebol.

Além de ter um dos elencos mais estrelados do torneio, os franceses também são algozes de grandes seleções, incluindo a brasileira: a França acumula três vitórias sobre nós.

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O revés mais dolorido certamente foi o de 1998, quando o escrete comandado por Zagallo foi derrotado por 3x0, perdendo o título na casa do rival.

Porém, não é só nos gramados que os franceses são respeitados pelos brasileiros. UOL Carros convocou seis craques nascidos na França, mas que também fizeram muito sucesso por aqui.

Renault Twingo

O irreverente Twingo nasceu em 1993. Por trás das linhas simpáticas (porém controversas, fazendo muita gente amar ou odiar o carrinho) estava um projeto bastante criativo e inteligente de aproveitamento de espaço interno.

O compacto tinha um interior modular como o das minivans, incluindo soluções como o rebatimento total dos bancos dianteiros, formando uma espécie de cama juntamente com os bancos de trás. A fileira traseira, aliás, era corrediça, abrindo espaço para as pernas dos passageiros ou para bagagens no porta-malas.

O Twingo (nome oriundo da junção de "Twist", "Swing" e "Tango", todos nomes de danças) era vendido em cores vibrantes e repetia os tons berrantes na cabine. No Brasil, o carrinho desembarcou em 1995, inicialmente importado da França apenas com o motor 1.2 de 55 cv. Não era muito bem equipado, já que ar-condicionado, rádio/toca-fitas e vidros e travas elétricas eram opcionais.

Cinco anos depois começou a vir do Uruguai, já reestilizado e com motorização 1.0 de 59 cv. O Twingo incorporava os opcionais citados anteriormente mais airbag duplo frontal.

No ano seguinte veio a versão luxuosa Initiale, trazendo consigo o motor 1.0 16V de 68 cv, além de direção elétrica e CD Player. 

O simpático Twingo deixou de ser trazido para cá em 2002. Na Europa, porém, ele foi produzido até 2007, saindo de cena com mais de 2 milhões de unidades fabricadas em 14 anos.

Uma nova geração foi lançada no mesmo ano e atualmente o Twingo está em sua terceira geração, lançada em 2014 com quatro portas e motor traseiro -- herança do projeto baseado no smart  fortwo.

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Irreverente, Twingo tinha espaço interno de sobra Imagem: Divulgação

Peugeot 406 Coupé

O 406 deu continuidade à linhagem de sedãs médios da Peugeot em 1995. O belo modelo tinha coeficiente aerodinâmico de apenas 0,30 e tecnologias como sensor de chuva e faróis com refletores duplos.

Porém, o membro mais atraente da linha 406 foi revelado no Salão de Paris de 1996. O 406 Coupé trazia a elegância do design Pininfarina, o mítico estúdio de estilo responsável por diversos projetos da Ferrari.

Os bancos dianteiros feitos pela Recaro tinham revestimento em couro e ajustes elétricos. A motorização 3.0 V6 de 24 válvulas rendia 190 cv e era a única opção disponível no Brasil.

Uma leve reestilização aconteceu em 2003, um ano antes do fim de sua produção. Até hoje é um carro muito raro de ser encontrado no país, principalmente em boas condições.

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Belas linhas do 406 Coupé eram assinadas pelo estúdio Pininfarina Imagem: Divulgação

Peugeot 206

A Peugeot ainda era uma marca menos conhecida quando o 206 desembarcou no Brasil em 1999.

O hatch vinha da França em três versões: Passion, Soleil e Rallye. Havia opções de carroceria de duas e quatro portas e apenas uma motorização, a 1.6 de 90 cv. O 206 cativou muita gente principalmente pelo design moderno, responsável por inaugurar uma nova identidade visual dentro da linha Peugeot.

A inauguração da fábrica da PSA no Brasil fez o hatch ganhar cidadania nacional em 2001. Juntamente com a produção local veio um novo motor 1.0 16V de 70 cv, curiosamente adquirido da Renault pela falta de motores desta cilindrada dentro do grupo. Já as versões mais caras tinham um 1.6 16V de 110 cv.

A charmosa versão conversível CC (que tinha capota rígida com acionamento elétrico) estreou no mercado brasileiro em 2003. Uma leve reestilização veio em 2004 acompanhada do novo motor 1.4 de 75 cv -- que aposentou o 1.0 na maioria das versões.

Em 2008, a Peugeot decidiu reestilizar o 206 com o visual frontal do 207 europeu, batizando-o com o mesmo nome do “quase xará” francês. A solução caseira não foi muito bem recebida pelo público.

Mesmo assim, o 207 brasileiro não só resistiu até 2015 como conviveu com o sucessor 208 por quase dois anos.

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O 206 seduziu milhares de clientes pelo design moderno Imagem: Divulgação

Citroën C3

O C3 não foi o primeiro modelo da Citroën fabricado no Brasil, mas é o mais vendido da história da marca por aqui. Lançado em 2003, ele foi posicionado na categoria hoje conhecida como compacto premium, que mal existia na época. Por trás disso havia uma decisão de marketing para evitar concorrência com o Peugeot 206, produzido na mesma fábrica do C3.

O design de linhas arredondadas tinha inspiração no clássico 2 CV.  O C3 era oferecido nas versões GLX e Exclusive, ambas com o motor 1.6 16V de 113 cv, ainda movido apenas a gasolina. Logo veio a motorização 1.4 de oito válvulas com 75 cv. Em 2005, a Citroën nacionalizou a produção dos dois motores, convertendo-os para a tecnologia bicombustível. Assim, a potência subiu para 83/80 cv (1.4) e 113/110 cv (1.6 16V).

No ano seguinte surgia a versão aventureira XTR, identificada pelo excesso de adereços em plástico preto. Em 2008, o C3 foi reestilizado e ganhou opção de câmbio automático de quatro marchas.

A segunda geração foi lançada na Europa em 2009, mas só chegou ao Brasil em 2012. Talvez para compensar o atraso, a filial brasileira lançou o C3 com um visual que só seria adotado na Europa anos depois. A grade frontal aberta e as luzes diurnas de led eram duas exclusividades do modelo nacional.

O grande destaque do C3 é o para-brisa panorâmico com prolongamento até o teto, batizado de Zenith. O nome das versões também mudou: Origine, Tendance e Exclusive. Desde então, o C3 ganhou apenas séries especiais e alterações pontuais em seu projeto.

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C3 foi o primeiro (e até hoje único) compacto feito pela Citroën no Brasil Imagem: Divulgação

Citroën Xsara Picasso

Foi da Xsara Picasso a honra de inaugurar a linha de montagem da Citroën em Porto Real (RJ). A produção da minivan começou em 2001, um ano após o início de sua importação na França. Suas linhas controversas eram do tipo “ame ou odeie”, a ponto de haver gente que a comparava com um guarda chuva pelo formato do teto. Inicialmente oferecido com um motor 2.0 de 115 cv, a Picasso passaria para 138 cv em 2004.

Dois anos depois a minivan ganhou a opção do motor 1.6 16V Flex, de 113 cv/110 cv. A primeira (e única) reestilização da Picasso veio no final de 2007. A partir de 2010, o Brasil virou o único país a manter sua produção, já que as novas C4 Picasso e Grand C4 Picasso aposentaram o modelo na Europa.

A minivan permaneceu em linha até 2012, quando saiu de cena depois de 11 anos com pouco mais de 100 mil unidades produzidas.

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Xsara Picasso inaugurou a produção da Citroën em Porto Real (RJ) Imagem: Divulgação

Renault Clio

O Clio já estava entre nós desde 1996, quando a segunda geração do modelo veio importada da Argentina. O compacto só foi nacionalizado três anos depois, já de cara nova, com produção em São José dos Pinhais (PR).

Disponível em três versões (RL, RN e RT) e duas motorizações (1.0 de 59 cv e 1.6 de 90 cv), o Clio foi o primeiro carro nacional a sair de fábrica com airbag duplo, algo que infelizmente o público brasileiro não soube valorizar na ocasião.

Em 2000 surgiu o Clio Si, versão com pretensões esportivas no visual (tinha rodas de liga leve exclusivas e faróis duplos) e no desempenho -- graças ao motor 1.6 16V de 110 cv. No ano seguinte o motor 1.0 também ganhou 16 válvulas, saltando para 70 cv. Naquele ano também surgia o Clio Yahoo!, versão simplificada que dispensava os airbags -- já que o consumidor preferia pagar menos por um carro menos seguro.

A primeira reestilização aconteceu em 2003, alterando faróis, para-choque e grade frontal para deixar o design mais agressivo e esportivo. Junto com as modificações vieram a carroceria de duas portas e uma nova nomenclatura de versões: Authentique, Expression e Privilège. Mais tarde surgiria o esportivo Dynamique, juntamente com o motor 1.6 flex com até 115 cv se abastecido com etanol.

Enquanto a terceira geração estreava na Europa em 2005, por aqui o Clio ganhava apenas opção bicombustível no motor 1.0, chegando aos 77 cv. No mesmo ano veio também a segunda renovação visual, esta mais discreta com uma nova tampa traseira fazendo a placa migrar para o para-choque.

O lançamento do Sandero “rebaixou” o Clio ao posto de veículo de entrada da Renault a partir de 2008. Apenas a versão Campus foi mantida em linha com o motor 1.0. Nova atualização visual aconteceu em 2012, evidenciando a idade do projeto ao combinar a grade semelhante à nova identidade visual da Renault com a velha carroceria dos anos 90.

Airbag duplo e freios ABS voltariam ao popular em 2014 por exigência da lei.

O Clio, enfim, foi descontinuado no fim de 2016 (e parou de ser vendido no começo do ano seguinte), encerrando uma trajetória de 20 anos.

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Clio nasceu moderno, mas virou quase "imortal" e foi produzido até 2016 Imagem: Divulgação

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