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Avaliação: VW Virtus MSI une espaço de carro médio a preço de compacto

Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

03/07/2018 04h01

Versão mais barata do sedã tem bom compromisso entre porte, segurança e desempenho a R$ 64.390; falta recheio

Quando se fala em Volkswagen Virtus logo vem à cabeça a versão "completaça" 200 TSI Highline, dotada de quadro de instrumentos 100% digital, "rodonas" aro 17, luzes diurnas em LED etc. Só que ela custa perto de R$ 90 mil, e, portanto, está um bocado longe de ser a mais acessível da gama.

Se o que o bolso do comprador permite é gastar não muito mais do que R$ 60 mil, faixa por onde orbitam versões intermediárias de modelos como Chevrolet Prisma, Hyundai HB20S e afins, a opção será a configuração de entrada 1.6 MSI, que parte de R$ 59.990. Não é à toa que ela é responsável por cerca de 40% dos emplacamentos do modelo.

Mas será que ela vale a pena?

UOL Carros dá a resposta agora, após experimentar unidade na cor metálica prata Sirius (R$ 1.450), com kit opcional chamado "Connect Pack" (R$ 2.950) com controle de estabilidade, bloqueio eletrônico de diferencial, assistente de partida em aclives, central multimídia com tela tátil de 6,5 polegadas e projeção de celulares (Apple CarPlay e Android Auto), volante multifuncional, rodas de liga leve aro 15 e sensores traseiros de estacionamento. Total: R$ 64.390.

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Proposta equilibrada

Vamos aos fatos. O Virtus 1.6 MSI é uma opção bastante interessante para sua faixa de preço, e há várias razões para chegarmos a esta conclusão.

A mais latente dela está em suas dimensões: com 4,48 metros de comprimento, 1,75 metro de largura e 2,65 metros de comprimento, o três-volumes está mais perto de modelos médios do que de compactos. Isso significa que o espaço interno é generoso e que o porta-malas alcança um ótimo volume de 521 litros.

Plataforma modular MQB se mostra um trunfo interessante em outros dois aspectos. O primeiro é segurança: com quatro airbags (frontais e laterais) de série, inclusão de controle de estabilidade (opcional) e a utilização de aços de alta e ultra alta resistência na construção -- a avaliação cinco estrelas no Latin NCAP atesta isso. Além disso, os cintos de segurança dianteiros possuem pré-tensionador e limitador de carga, coisa que nem todo rival tem.

Segundo, o sedã oferece talvez a melhor ergonomia de todo o segmento. Posição de dirigir é bastante simétrica em relação a volante e pedais, enquanto a manopla do bom câmbio manual de cinco marchas ocupa um espaço adequado no console. Bancos dianteiros envolvem bem motorista e passageiro.

Há de se destacar, ainda, o ótimo nível de isolamento antirruído e o bom trabalho das suspensões -- McPherson e eixo de torção -- na absorção de impactos, embora tenhamos sentido falta da barra estabilizadora ao constatar o nível de rolamento da carroceria nas curvas. Conjunto, no geral, é surpreendentemente mole para um Volkswagen, em partes por conta dos pneus de perfil relativamente alto, 195/65 R15.

O motor 4-cilindros flexível de 1,6 litro e 16 válvulas não proporciona a mesma emoção ao conduzir que o 1.0 TSI das versões de topo, o que é elementar, mas entrega o que se espera de um automóvel do porte do Virtus: torque honesto -- 15,8/16,5 kgfm (a 4.000 rpm) com gasolina/etanol --, boa elasticidade e potência final razoável -- 110/117 cv (a 5.750 rpm).

Consumo não pode ser considerado um primor, mas está na média do que o segmento exige: 11,9/13,8 km/l (gasolina) e 8,2/9,5 km/l (etanol) nos respectivos ciclos cidade/estrada, segundo o programa de etiquetagem veicular do Inmetro. Em nossas medições a autonomia ficou sempre acima de 10 km/l com o combustível derivado do petróleo no tanque, em uso quase integralmente urbanio e ar-condicionado o tempo todo ligado.

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Cadê o recheio?

Se o Virtus é tão ajeitado assim, o que falta? Uma lista de equipamentos mais bem preenchida, em resumo. Tudo bem que estamos falando de uma versão "de entrada", mas é inadmissível um carro de quase R$ 65 mil oferecer regulagem manual de retrovisores (o mesmo acontece com o Polo 1.6 MSI). Também ficamos sem entender por que não colocar ajuste pelo menos de altura do volante.

Assim, o Virtus 1.6 MSI traz de série, além de itens já mencionados: alarme; chave canivete; quadro de instrumentos com computador de bordo digital e monocromático ao centro; direção elétrica; travas e vidros elétricos (com funções um-toque e antiesmagamento nas portas dianteiras); porta-malas com abertura por comando elétrico; ar-condicionado manual; banco do motorista com altura regulável; fileira traseira rebatível com cinto de três pontos e encosto de cabeça central; pontos de fixação para cadeirinhas infantis.

Pouco, não é mesmo?

Sem a presença de faróis de neblina, luzes diurnas em LED ou mesmo de rodas com desenho mais inspiradao do que as que compõem opcionalmente a unidade testada, o visual acaba ficando ainda mais sóbrio e um tanto sem sal. Por dentro, há o já contestado abuso dos plásticos rígidos em composição ainda mais simples que a das versões de topo.

Portanto, o que chama a atenção nesse carro não é qualquer tipo de "mimo" a bordo. Seu poder de sedução está na interessante combinação de espaço com experiência correta de condução.

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