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É bom para fabricantes de carro patrocinar o Brasil? E a Copa do Mundo?

Rafael Ribeiro/ CBF
2016: Gilmar Rinaldi, da CBF. e Dunga, ex-técnico da Seleção Brasileira, exibem camisa com antiga patrocinadora, a Chevrolet Imagem: Rafael Ribeiro/ CBF

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

09/06/2018 08h00

Pesquisa diz como torcedores enxergam as marcas no futebol

Olha a foto acima e responda o que há de errado. Pode pensar...

De fato, não há nada errado com a imagem em si, ela só não corresponde ao momento atual do futebol brasileiro. E só por isso já é histórica.

Até a Copa do Mundo de 2014, disputada aqui no Brasil, a Volkswagen era a marca com contrato vigente com a CBF para ser a fornecedora oficial de veículos. Durante o período do contrato, a marca alemã fez de tudo para se manter em voga: contornar o imbróglio com o então aspirante-a-craque-global Neymar (que tinha um Volvo XC60), mas teve de fazer propaganda de Gol e se exibir (pelo menos em eventos) com um Novo Fusca (2012); permitir que a Audi (marca controlada na Europa, mas que não tem essa relação tão assimida no Brasil) entregasse um R8  Spyder  GT para que Neymar não aparecesse em outro super-carros pelo país (ainda em 2012); e até série especial "Seleção" de Gol, Voyage e companhia (2014), que foi bem, mas não superou o 7 a 1 nos gramados.

Logo após a Copa, a General Motors assumiu -- daí a foto com Gilmar Rinaldi e Dunga (técnico no período) segurando camisas com a gravatinha dourada da Chevrolet.

Esse texto é parte integrante do "Especial: Carros na Copa", que pode ser conferido na íntegra neste link

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Olha o que ela fez!

Tabelinha entre GM e Seleção durou pouco e não rendeu títulos. A fabricante até trocou Neymar por Dunga como garoto-propaganda oficial, para ter mais contato e menos problemas a contornar. Na prática, tudo rendeu uma série especial de carro (a Onix Seleção, de 2015), até o fracasso da "segunda era Dunga" e da situação política atribuída à camisa verde-amarela nas ruas do país.

Agora, em 2018, a CBF e a Seleção Brasileira não têm qualquer patrocínio automotivo. Por quê? Lembramos que o trio ofensivo Copa-Seleção-Carros rendem boas jogadas desde 1982, ano do primeiro VW Gol Copa.

Oficialmente, ninguém abre o jogo. Fontes afeitas à GM, porém, afirmaram a UOL Carros que "a imagem ruim da CBF e das cores da seleção nos últimos anos" foi motivadora do desinteresse.

Será isso mesmo? Será que outras empresas e outros times sofrem do mesmo problema justamente durante a Copa?

Reprodução/Hello Research
Resultado automotivo da pesquisa conduzida pela Hello Research: Hyundai com a bola toda Imagem: Reprodução/Hello Research

É bola na rede

Pelo visto, não. Copa do Mundo é sempre chance de colocar o carro na principal vitrine global: Considerada o maior evento esportivo mundial -- superando até mesmo os Jogos Olímpicos --, a Copa do Mundo começa em exatos sete dias e se traduz em excelente vitrine.

Marcas como Hyundai, Kia, Volkswagen, Mercedes-Benz, Volvo, BMW e até empresas que não são fabricantes, mas estão diretamente ligadas ao mundo dos carros -- como as petrolíferas Shell e YPF, ou a locadora de veículos Hertz -- são patrocinadoras de seleções nacionais ou de eventos ligados à Copa.

Só o grupo sul-coreano Kia-Hyundai, que é patrocinador veicular oficial da Copa do Mundo e da Fifa, vai colocar quase 1.000 carros rodando na Rússia para transportar atletas, juízes, organizadores e convidados.

No caso da Hyundai, sendo patrocinadora da Fifa e da Copa do Mundo, mas não da Seleção Brasileira, a vitrine também é devidamente aproveitada aqui no Brasil: sem VW ou GM em campo, a marca joga sozinha nessa copa automotiva de 2018. O Hyundai HB20 Copa do Mundo Fifa é o único representante de uma série especial focada no futebol como alavanca de vendas. Sem investir muito na base, a fabricante repete a estretégia de 2014, mas dessa vez se dá bem pelo W.O. dos rivais.

UOL Carros já experimentou o carro, que tem itens que agradam ao público brasileiro, mas se ressalta na série limitada pela central multimídia com TV digital integrada, por emblemas alusivos à competição na Rússia e por uma réplica da bola da copa que vem de brinde.

"Fora de campo", a Hyundai ganha em convocações na boca do povo. De acordo com pesquisa do instituto de pesquisa pública Hello Research, acessada por UOL Carros em primeira mão, a fabricante sul-coreana é a marca automotiva mais bem posicionada quanto o assunto é Copa do Mundo.

No corpo a corpo, a Hello perguntou a 1.410 pessoas de todo o país (maiores de 16 anos, das classes A a C), na primeira semana de maio, se conheciam marcas patrocinadoras da Copa do Mundo da Rússia.

As respostas citaram quatro fabricantes automotivas: Hyundai teve 35% de palpites, levando de carona a Kia (20%), Toyota (20%) e Honda (16%), todas asiáticas. Nem Chevrolet, nem VW foram citadas pelas pessoas ouvidas.

Nenhuma das marcas citadas, obviamente, é patrocinadora da equipe de Tite, mas olha o potencial jogado dentro desse campo. 

Para uma ideia mais ampla do tamanho dessa torcida compradora de carros ao redor do mundo, veja nossa reportagem especial mostrando os carros mais vendidos dos 32 países classificados para a Copa do Mundo.

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