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Cultura do carro

Viajar e fazer trilhas de carro pode divertir mais que chegar ao destino

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Jeep Renegade na Chapada dos Guimarães: é possível ver vários tipos de vegetação que compõem o cerrado, bioma com diversidade incrível Imagem: Divulgação

Chico Barbosa

Colaboração para o UOL, na Chapada dos Guimarães (Mato Grosso)

12/05/2018 04h00

Ser um explorador do automóvel e da natureza, muitas vezes, permite que você faça descobertas que importam mais que apenas chegar

A trilha sonora recheada de clássicos do rock rolava solta nos alto-falantes do Jeep Renegade enquanto eu sacolejava em pisos irregulares, caprichando na pontaria para desviar de buracos e ao mesmo tempo não afundar em terrenos arenosos, movediços, atento para o que iria aparecer depois da próxima curva.

Até que começou a tocar os primeiros acordes da icônica "Like a Rolling Stone", de Bob Dylan, que me tirou a concentração. Não demoraria muito, o trovador dispararia a fazer perguntas que pareciam endereçadas a mim, naquele instante, dizendo mais ou menos assim: "como você se sente"... "sem direção"... "como uma pedra rolando".

A estrada ora se desenhava como uma reta infinita ora serpenteava à minha frente, fazia poeira para todos os lados, e a máquina, ao menos para quem via de fora, "rolava" feito uma pedra à deriva.

Foi o "clique" que eu precisava para me transportar de corpo e alma para o que vivia ali, para além da direção. Aliviei o pé do acelerador, de maneira que comecei a olhar a paisagem da janela, sem me preocupar se me distanciaria muito do veículo da frente ou se seria alcançando pelo que vinha atrás -- afinal, não se tratava de competição. Muito pelo contrário: aquilo era uma expedição de jipeiros-jornalistas, embrenhados no cerrado, participando da Jeep Experience Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso.

Estávamos no papel de exploradores: do carro, da natureza e da integração entre ambos. Nosso compromisso era com a descoberta e com a diversão, na melhor tradução de que a viagem importa tanto ou mais que o destino.

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Explorar detalhes

Ao tirar o foco da velocidade, pude explorar aspectos impensáveis com o carro em movimento acelerado no seu limite. A começar, perceber a própria natureza ao redor. Atravessávamos um lugar de beleza rústica, a caminho da Cidade de Pedras, um dos pontos mais visitados da Chapada dos Guimarães.

Em um percurso relativamente curto, coisa de 10 km, foi possível me deparar com os vários tipos de vegetação que compõem o cerrado, bioma com diversidade característica incrível, podendo ser mais denso, mais ralo e limpo como um campo. O céu, azul puro, contrastava com as plantas de tom opaco, o que o deixava ainda mais radiante.

Evidentemente que era preciso olhar para a frente também, para saber por onde se estava pisando. E aí repousava a atração para quem quisesse domar a fera motorizada em seu "habitat". Saímos do asfalto, entramos em terra batida, depois seguimos em um longo trecho de areia. Em cada um desses terrenos, foi preciso recorrer à parafernália eletrônica de controle de tração das rodas, auxílio determinante para não ficar preso em uma armadilha do piso ou perder o controle do veículo.

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Ao tirar o foco da velocidade, é possível explorar aspectos impensáveis com o carro em movimento acelerado Imagem: Divulgação

Claro que não bastava apertar o botão e achar que o carro iria andar sozinho. Era preciso se valer de uma dose de habilidade e outra de bom-senso para promover o "ataque": entrar e sair do lugar corretamente, saber frear e acelerar na hora certa e em outras achar que o "bicho" iria agir por conta própria. Ou mesmo para fazer malabarismos, como subir a parede de um buraco.

Nosso passeio mal tinha começado. Ainda iríamos conhecer cachoeiras, mirantes, cavernas, lagos e tudo mais. Mas, beleza à parte, dirigir naquelas condições de pura aventura era, por si só, uma atração e tanto.

A música acabou em um piscar de olhos. Fiz questão de tocá-la outra vez, até para poder responder à pergunta de Dylan que soava no alto-falante. Como eu me sentia? Bem, muito bem. Diria mais: o melhor lugar do mundo era ali, naquele momento, fazendo o que eu fazia, tendo a natureza como testemunha.

*Chico Barbosa, autor do blog "Car & Fun", é jornalista e doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, editor da "CBNEWS Books" (especializada em livros sobre cultura automotiva) e editor contribuinte de Motor da revista "VIP"

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