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Avaliação: novo Classe A quer reinventar segmento de hatches premium

André Deliberato

Do UOL, em Split (Croácia)

04/05/2018 04h00

Nova geração ganha tecnologias do Classe S e nova família de motores; estreia no Brasil será no final deste ano

Apresentada oficialmente em fevereiro e classificada como "celular sobre rodas", a quarta geração do Classe A hatch (a segunda do carro depois que se transformou em um hatch) já tem data para chegar ao Brasil. Sua estreia será justamente na época do Salão do Automóvel de SP, em novembro.

A primeira versão que será importada será a A250, de topo, que atualmente custa cerca de R$ 210 mil e deverá ter valor maior por conta da tecnologia aplicada na nova geração. Será, ao lado da picape Classe X, um dos destaques da marca no evento paulistano.

A configuração de entrada para o Brasil, chamada de A200 -- na Europa a primeira versão tem motor a diesel e se chama A180 --, chega no primeiro trimestre do ano que vem. O preço, atualmente na faixa dos R$ 156 mil, também pode aumentar.

Já o sedã deve surgir somente no segundo semestre e, sim, deve manter o nome Classe A Sedan, como já acontece na China. Feitos sobre nova plataforma, a MFA2, a nova família terá configurações hatch, sedã, um SUV (substituto do atual GLA), monovolume (substituto do atual Classe B), além de um inédito cupê compacto (possivelmente o novo CLA), com e sem capota.

Essa nova geração de compactos da marca será toda compartilhável por meio de um aplicativo chamado "Mercedes Me". Segundo a empresa, pelo app será possível repassar funções ao carro, como abertura e localização, permitindo que mais que uma pessoa possa comandá-lo sem a necessidade de chave.

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Na visão de UOL Carros

UOL Carros foi à Croácia conhecer a novíssima geração do carro, que ganhou tecnologias utilizadas até mesmo no todo luxuoso Classe S, novos motores e câmbios e opção de "car sharing" (compartilhamento) em alguns países.

Visualmente, mesmo revelando a nova face para carros compactos e médios da marca, baseada no AMG GT e que não deixa de ser elegante -- chamada pela Mercedes de "Pureza Sensual" ("Sensual Purity") --, a nova geração não gera o mesmo impacto positivo que o Classe A anterior causou em 2012/2013, ao menos por fora.

Por dentro, porém, a sensação é de estar em um carro maior, tanto em porte quanto em tecnologia aplicada. O novo Classe A tem 3 cm a mais de entre-eixos, e isso na prática fez o espaço interno melhorar para todos os ocupantes, principalmente com a disposição de novos bancos. Ele é um carro compacto para a Europa, mas médio no Brasil.

O assistente virtual que atende comandos por voz, chamado pela empresa de MBUX ("interface com usuário da Mercedes-Benz", na linguagem de tecnologia), também é uma novidade tremenda. Com um simples "Hey, Mercedes" você consegue traçar rotas, fazer questões que precisem de busca na internet sem precisar retirar as mãos do volante. Segundo Dieter Zetsche, chefão da Daimler-Benz (controladora da Mercedes), o MBUX "muda tudo o que sabemos sobre sistema multimídia de carros atualmente".

De fato, o sistema permite uma "conversa fluida" com a central multimídia, mais que qualquer outro modelo já ofereceu, nada muito além do que assistentes virtuais de celulares já fazem. Foi por isso que Zetsche chamou o novo Classe A de "celular sobre rodas".

O novo Classe A ainda permite conexão de smartphones via CarPlay ou AndroidAuto e até 64 tipos de configurações de cor no interior, de modo que toda a proposta pareça mudar apenas com a utilização de cores diferentes.

Murilo Góes/UOL
Carro mais acessível da Mercedes vai inaugurar nova geração da era digital dos automóveis da marca: duas telas comandadas por joysticks ao volante, sistemas semi-autônomos de condução e car sharing (compartilhamento de carro) na Europa Imagem: Murilo Góes/UOL

Motor e câmbio novos

Para as configurações brasileiras, são dois novos motores: 1.4 turbo na versão A200 (capaz de desligar dois cilindros a fim de economizar energia) e 2.0 turbo com comando de válvulas variável no A250. Ambos são comandados por uma caixa de câmbio automatizada totalmente nova, de sete marchas e dupla embreagem (7G-DCT), programada com calibrações diferentes para cada motor. Há também uma versão a diesel desenvolvida para o mercado europeu que ainda pode ter câmbio manual de seis marchas.

Na prática, é impressionante como os dois novos motores respondem bem ao acelerador. O trabalho do sistema de transmissão é excelente e permite que seja possível sentir a real potência do conjunto, principalmente no modelo mais invocado equipado com o motor 2.0 turbo, de 227 cv e 35,7 kgfm de torque -- o 1.4 tem 165 cv e 25,5 kgfm.

O torque (a força da arrancada) é menos sentido que a potência (velocidade final), mas é válido dizer que UOL Carros estava com três pessoas a bordo e ar-condicionado sempre ligado. O nível de barulho vindo de fora para dentro incomodou um pouco.

Mimos e tecnologia

Sistemas semi-autônomos de condução inteligentes vindos do Classe S  e o painel inteiramente digital formado por uma tela dupla tátil são os destaques tecnológicos da nova cabine. A tela da esquerda, onde normalmente ficam velocímetro, conta-giros e outros dados de viagem, é facilmente comandada pelo joystick que fica à esquerda do volante; já a tela da direita, que concentra informações sobre climatização, GPS, sistema de entretenimento e outras configurações, pode ser controlada pelo joystick da mão direita do motorista.

Mas tudo também pode ser controlado pelo touchpad que fica no console, desta vez muito mais intuitivo e fácil de mexer que o sistema da geração atual.

Não há alavanca de câmbio no meio e isso merece novamente ser destacado: a Mercedes aos poucos começa a colocar em todos os seus carros a manopla no lugar onde todo mundo costuma ter como noção ficar a chave de comandos do para-brisa, ao lado direito do volante. É questão de costume, mas confunde. E você pode colocar o carro em neutro no meio de uma estrada se não estiver acostumado e começar a chover, por exemplo...

Murilo Góes/UOL
Traseira ficou mais arredondada. Visual não encanta como o da geração anterior, mas não faz feio por onde passa Imagem: Murilo Góes/UOL

Tudo isso por?

Considerando que o Classe A chegou a custar R$ 99 mil quando foi lançado no Brasil, assusta saber que a versão mais cara do modelo pode encostar na casa dos R$ 230 mil. A de entrada, com motor 1.4, deverá ficar perto dos R$ 170 mil, dependendo do pacote de equipamentos que a marca escolher.

As vendas na Europa começaram em março, mas as entregas serão feitas a partir de junho, apenas da versão básica. O restante da linha só chega ao mercado do Velho Continente no final de 2018, na mesma época em que o Brasil irá receber o A250.

Mas é preciso entender sua nova proposta. O novo Classe A vai colocar o segmento de hatchbacks premium em um novo patamar, com tecnologias que ainda não foram vistas nem em categorias superiores.

De forma resumida, o novo Classe A dá um belo passo à frente de seus concorrentes (Mercedes ainda considera Audi A3 e BMW Série 1) e mostra compatibilidade excelente com o motorista, além de oferecer ótima sensação ao ser guiado. Mas quem quiser levá-lo terá de pagar um preço alto...

E isso assusta em um momento em que o mercado dessa faixa de valores só pensa em SUVs e crossovers.

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