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Cultura do carro

Como você decide qual carro vai comprar: valor, preço, visual ou pelo peso?

Arte UOL Carros
Imagem: Arte UOL Carros

Chico Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

20/04/2018 04h00

Peso-mosca, peso-pesado: um carro poderia valer o quanto pesa

Na hora de comprar um carro, o que você leva em conta? Primeiramente, presumo, são o preço e as condições de pagamento. É preciso ajustar desejos e necessidades às possibilidades de cada um. Mas, consideremos que, para todos os bolsos, houvesse um leque amplo de opções, com as mais diversas características para a mesma categoria. Qual seria seu fator de decisão, então? 

Seguindo o raciocínio, pesquisas de pranchetas e de botecos comprovam que a aparência é o fator para decidir o jeitão da máquina que vai parar na garagem. Você confirma isso? Mas e se usássemos outro fator para decidir?

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O carro entrega o dono

Pela afirmação ou pela negação, carro é uma extensão do dono, e seus contornos dizem muito sobre ambos. Uns gostam de um visual mais moderninho, cheio de atitude e juventude. Outros preferem posar de respeitáveis, prezam pela sobriedade e pela classe.

Existem aqueles que não querem ser notados ao volante, por medo ou por discrição; quanto mais se embrenharem no emaranhando do trânsito, melhor -- o carro mais blindado do Brasil é Toyota Corolla, também líder entre médios

Há os que se deixam render pelo aspecto retrô, bem como os que passam um estilo meio cool de ser. Ainda no quesito primeira impressão, cor também faz a diferença: das sóbrias às espalhafatosas, das claras às mais escuras, das foscas às cintilantes.

Só na sequência, passaríamos a avaliar espaço interno, capacidade do porta-malas, desempenho, consumo, conforto, posição dos comandos, parafernália eletrônica. Ou seja, em condições ideias, itens mais objetivos e racionais passam a ser considerados mais ao fim do processo de definir qual veículo vai ter a honra de frequentar a garagem de casa.

Vale o quanto pesa?

Mas, pensemos: em uma época em que as coisas valem quanto pesam, de medidas a partir da relação do custo/benefício, tudo sendo observado pelos zelosos olhos do código do consumidor, não seria o caso de fazer a escolha refletindo sobre o peso? Sim, literalmente o peso, como nos habituamos a calcular no caso de bananas e de batatas.

Consultando uma tabela de informações sobre carros, me dei conta de que o peso pode triplicar, até quadruplicar, dependendo das características do modelo. O Smart  Fortwo  Cabrio, que, apesar do tamanho, conseguiu ser alguém entre as estrelas espalhafatosas de salões do automotivos, pesa uns 750 quilos. No outro extremo podemos citar a super-picape RAM 2500, com quase 3,5 toneladas.

Em alguns casos, tomando-se como parâmetro essa velha escala de valor, seria possível avaliar o quanto do carro terá de equipamentos de segurança e de conforto, se o tamanho é conveniente para a dimensão da garagem, se o porte será imponente ou miúdo. Também por esse critério se terá ideia do material empregado na sua concepção: aço, plástico, fibra de vidro, fibra de carbono. Se for blindado e trouxer vigorosas barras de proteção, terá desproporcionalmente pesado.

Pela lógica da balança, é possível supor o tamanho do motor e os pormenores de seus componentes. Os mais preocupados com o desempenho podem cruzar esses números da balança com a capacidade do motor e saber se a relação peso/potência é favorável. Basta dividir um pelo outro.

Forçando a barra, dá até para imaginar se há muitos penduricalhos estéticos do lado de fora ou apetrechos de decoração interna, supor até o perfil das rodas, se são de aço ou de magnésio.

Os ecologicamente corretos podem ainda sacar a calculadora e estimar o consumo de combustível. Afinal, não há milagre: assim como os seres humanos, os "seres motorizados" mais fortes precisam de mais calorias para se movimentar.

* Chico Barbosa, autor do blog "Car & Fun", jornalista e doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, é editor da "CBNEWS Books" (especializada em livros sobre cultura automotiva)

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