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Bike elétrica é opção para quem quer pedalar sem suar; assista

Arthur Caldeira

Da Infomoto, em colaboração para o UOL

16/04/2018 04h00

Testamos a brasileira Vela 1: motor elétrico na roda traseira reduz o esforço, mas preço assusta

Diariamente, paulistanos gastam em média quase três horas do dia em deslocamentos pela cidade, apontou a mais recente edição da pesquisa de mobilidade urbana, realizada em setembro de 2017.

A maioria confinada em seus automóveis ou espremida no transporte público. Apenas 1% da população utiliza a bicicleta para se locomover.

A segurança ainda é apontada como o principal entrave à adesão da bike como meio de locomoção. Isso porque 58% dos entrevistados não se sentem seguros ao utilizar as ciclovias e ciclofaixas espalhadas por São Paulo. Mas também há muita gente que não quer chegar suada ao trabalho e aponta as ladeiras de bairros como Perdizes, Lapa e Saúde como um "obstáculo" para seu uso no dia-a-dia.

Cada vez mais comuns na cidade, porém, as bikes elétricas podem ser uma alternativa para quem quer fugir do trânsito carregado e não suar tanto. Atualmente, há diversas opções neste segmento: de modelos compactos até os mais charmosos, como a Vela 1, da brasileira Vela Bikes.

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Da teoria à prática

Criada como protótipo em um curso de engenharia mecânica, a primeira Vela era para ser a bike elétrica do engenheiro Victor Hugo Cruz, de 29 anos. Mas sua ideia chamou atenção. "Resolvemos então lançar uma campanha de financiamento coletivo em 2014", relembra. A campanha deu o impulso para a criação da empresa, um ano depois.

Com objetivo de oferecer uma alternativa sustentável para a mobilidade, a empresa, instalada em Pinheiros, bairro da zona oeste da capital paulista, criou a "Vela 1", inspirada no design dos clássicos modelos usados em cidades como Copenhague e Amsterdã.

O visual vintage contrasta com a tecnologia do motor elétrico na roda traseira, que promete reduzir em cerca de 80% o esforço no pedal para vencer ladeiras. Mas é bom destacar que, atendendo à legislação, que regulamentou bicicletas elétricas em 2013, o motor tem 350w de potência e só funciona enquanto você pedala -- não existe acelerador. Essa configuração permite que a bicicleta seja utilizada nas ciclovias sem exigir habilitação, mas obriga uso do capacete.

A Vela 1 oferece dois níveis de assistência no pedal, que podem ser selecionados na manopla esquerda. O mais forte, indicado para ladeiras "ou para chegar cedo" ao trabalho, auxilia as pedaladas até 25 km/h -- velocidade máxima permitida pela lei.

Isso não significa que você não pode ir mais rápido em uma descida, por exemplo, mas o pedal assistido (também conhecido como "pedelec") só vai te auxiliar até essa velocidade. O nível mais baixo ajuda a rodar até 10 km/h, porém exige mais esforço.

A autonomia da bateria integrada ao quadro é estimada em 30 quilômetros quando selecionado o nível mais forte. A recarga completa leva até cinco horas, mas Lucas Vitale, da Vela Bikes, explica que não é preciso esperar a bateria "acabar".

"Usamos células de íons de lítio, como os celulares modernos, que não têm memória de carga. Portanto, você pode chegar ao escritório e já colocar para recarregar", garante. É possível retirar a bateria e carregá-la na tomada com o carregador, ou caso haja uma tomada na garagem, o carregador pode ser ligado direto no "cérebro" da bicicleta -- uma espécie de caixa vedada que indica a carga da bateria e tem até entrada USB, onde se pode carregar o smartphone enquanto pedala.

Reprodução
Vela Bike oferece a Vela 1 por R$ 5.590 no Brasil e com possibilidade de adicionar acessórios Imagem: Reprodução

Menos esforço

Quem usa bicicleta convencional como meio de transporte pode se surpreender com uma elétrica. O motor de assistência no pedal reduz o esforço em subidas, por exemplo. Ela também faz com que você vença ladeiras sem cansar ou suar tanto -- nas subidas, escolha sempre o nível mais forte de assistência, o que deixa o pedal bem leve se comparado à bicicleta normal. Já no plano, a velocidade de 25 km/h é atingida facilmente, portanto exige um ciclista com certa habilidade.

Para isso, a Vela 1 tem sistemas de segurança: ao acionar qualquer um dos freios, o motor para de funcionar; caso você pare de pedalar, o motor também corta o auxílio (para voltar, é preciso pedalar um pouco). A bateria é suficiente para fazer você ir e voltar do trabalho sem chegar "pingando" de suor. A recarga à noite não levava nem duas horas -- há uma luz piloto no carregador que fica verde quando a carga está completa.

Para todos

"A bike elétrica tem o poder de democratizar o uso da bicicleta. Independentemente da profissão, do trajeto ou da idade, torna-se mais fácil o uso da bicicleta como meio de transporte", garante o criador da Vela Bikes.

Para isso, a empresa oferece um serviço para você montar sua própria bike. Pode-se escolher o tipo de quadro (alto ou baixo) e ainda seu tamanho, de acordo com sua estatura. A unidade testada por UOL Carros tinha rodas aro 700 (29 polegadas), mas é possível optar por aro 26 e dá até para escolher o tipo de pneu.

Com roda aro 29 e pneus mais altos, a Vela 1 oferece mais conforto, mas isso fica ao gosto do cliente. 

Outro entrave à tal democratização almejada pela Vela Bikes é o preço elevado. A Vela 1, por exemplo, custa a partir de R$ 5.590 e o valor pode aumentar dependendo dos acessórios escolhidos. Segundo a empresa, os culpados pelo preço são a alta tributação das bicicletas elétricas e o câmbio, uma vez que, além da bateria, outros componentes são importados.

O preço cobrado faz com que a Vela 1 rivalize com scooters e até algumas motos populares. Mas vale lembrar que no caso da bicicleta não se paga IPVA e nem o Seguro Obrigatório (DPVAT), além do que não é preciso nunca abastecê-la.

Em um trajeto de 15 km de ida e volta para o trabalho, uma bicicleta elétrica pode bem servir como meio de locomoção. Pedalar fica menos cansativo, é um meio de transporte mais limpo e, de quebra, mais saudável.

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