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Avaliação: Ford EcoSport Storm é 4x4 "raiz" ou só faz pose? Assista

Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

09/04/2018 04h00

Testamos versão de R$ 100 mil do SUV, que traz tração integral e cara de F-150 Raptor; veja como ela anda

Antes do facelift aplicado à segunda geração do Ford EcoSport, em meados do ano passado, a fabricante americana praticamente escondia a existência de uma configuração com tração integral do SUV compacto. Não havia qualquer diferencial estético em relação às versões convencionais e o modelo pouco vendia.

Com a chegada da reestilização a estratégia mudou. O EcoSport 4WD agora quer sair da toca, ficar mais visível. Para isso, adotou um sobrenome próprio, "Storm", e visual muito mais agressivo, inspirado na picape americana F-150 Raptor. Pacote de equipamentos vem da versão de topo "civil", Titanium, e preço flerta perigosamente com a casa de seis dígitos: R$ 99.990.

Mas, afinal, a tração nas quatro rodas transforma o "suvinho" em lameiro genuíno ou tudo não passa de roupagem? UOL Carros rodou com o modelo no asfalto e na lama para responder a essa pergunta. Assista à nossa avaliação em vídeo acima e confira mais detalhes no texto abaixo.

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Eco de estabilidade

Vamos lá: a tração nas quatro rodas presente no EcoSport Storm não é aquela que nos acostumamos a ver em veículos 4x4 tradicionais, mas sim entregue eletronicamente às rodas, de acordo com as condições do piso e sem intervenção do condutor. Ou seja: não há bloqueio de diferencial, reduzida ou mesmo pneus com capacidade mista de uso.

Logo, a maior vantagem dessa configuração aparece quando você o dirige em estrada asfaltada. A tração integral ajuda a dar mais estabilidade, especialmente ao contornar curvas. Junte controles eletrônicos de estabilidade e tração, auxílio anticapotamento da carroceria e sete airbags e pronto, temos a receita do EcoSport mais seguro já projetado.

E a lama? Bem, é claro que o EcoSport Storm aguenta encarar o fora-de-estrada até determinado ponto. A ótima altura de 20 cm em relação ao solo e os bons ângulos -- acima de 20 graus de ataque, acima de 30 graus de saída e perto de 20 graus no ventre -- permitem que o SUV passe por desníveis de grau intermediário sem raspar o assoalho.

O curso das suspensões, ampliado em 1,7 cm com relação ao Eco 4WD anterior, também ajuda nessas horas. Vale lembrar que a geometria do conjunto traseiro difere do EcoSport 4x2, trocando o eixo de torção pela arquitetura independente com braço duplo e barra estabilizadora.

Entretanto, os pneus 205/50 desenvolvidos para o asfalto e de perfil baixo, já que calçam largas rodas de liga leve aro 17, deixam o Eco Storm um bocado escorregadio e duro em trechos com lamaçal pesado.

Nesse sentido, a tração integral vai ajudar o condutor a sentir mais firmeza e aderência num pavimento de cascalho, por exemplo. O mesmo se pode dizer de uma rua ou rodovia molhada pela chuva, portanto não é um trabalho voltado especificamente à terra.

Pesos ao bolso

Ok, já aprendemos que o EcoSport Storm é mais seguro e estável, embora não necessariamente recomendado a quem gosta ou precisa encarar off-road pesado. Mas que outros atrativos a mal-encarada versão traz?

Condizente ao preço de R$ 100 mil está, além do visual "diferentão" e da tração integral, o motor 2.0 4-cilindros flex herdado do Focus, capaz de render excelentes 170/176 cv (gasolina/etanol) e 20,6/22,5 kgfm. Podemos dizer que até sobra força para empurrar um veículo abaixo de 1,5 tonelada em ordem de marcha.

Também vale destaque positivo o câmbio automático de seis marchas -- com conversor de torque, e não mais o controverso automatizado de dupla embreagem Powershift --, pertencente à mesma família do Fusion. Respostas são rápidas e escalonamento está adequado ao fôlego proporcionado pelo propulsor.

Lista de equipamentos é igualmente generosa. Além dos itens de segurança já mencionados, o EcoSport Storm traz de série os seguintes elementos:

Quatro opções de pintura (incluindo o marrom Trancoso da unidade avaliada no vídeo); chave inteligente; controle ativo de abertura da grade frontal; partida do motor por botão; faróis com projetor e luz diurna em LED; direção elétrica; central multimídia Sync 3 com tela tátil de 8 polegadas e projeção de celulares Apple ou Android; controle de cruzeiro; computador de bordo digital colorido em tela de 4,2 polegadas; sistema de som Sony com nove alto-falantes; ar-condicionado automático e digital; câmera de ré; sensores de estacionamento traseiro, de luminosidade e de chuva; bancos e volante revestidos em couro; vidros elétricos com função um-toque em todas as posições; teto solar elétrico.

O que mais fala contra -- aliás, não só em relação ao Storm como a toda a gama -- é o espaço interno. O entre-eixos de 2,52 metros, menor que o de um Chevrolet Onix, e o acanhado volume de 356 litros no porta-malas, abaixo do Honda Fit, estão muito aquém do que os SUVs compactos concorrentes oferecem.

Também é bom se preparar para virar amigo do frentista do posto: para ser um dos motores mais fortes da categoria o 2.0 Duratec Direct Flex consome combustível com avidez: em nossa avaliação a autonomia final ficou abaixo de 6 km/l em ciclo misto. Detalhe: com gasolina no tanque.

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