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No dia 4x4, veja quatro veículos "incomuns" com tração nas quatro rodas

Pampa 4x4 foi vendida até meados dos anos 90 - Divulgação
Pampa 4x4 foi vendida até meados dos anos 90
Imagem: Divulgação

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

04/04/2018 17h58

Modelos não são "jipões", mas têm valentia para sair do asfalto

O dia 4 de abril é especial para os fãs de veículos off-road. Nesta data é que se comemora o "Dia 4x4", no qual jipeiros de todas as partes do mundo se reúnem para fazerem o que mais gostam: colocar seus carros na lama.

Só que nem só de jipes vive o universo 4x4. UOL Carros lista quatro modelos que não teriam qualquer aptidão para sair do asfalto se não tivessem tração nas quatro rodas.

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1. Fiat Panda

Fiat Panda Cross - Divulgação - Divulgação
Panda nasceu para ser um carro simples e robusto
Imagem: Divulgação

O Panda nasceu na Itália em 1980 para ser um carro simples. As linhas desenhadas por Giorgetto Giugiaro eram retas e antecipavam os traços do Uno, que viria apenas três anos depois. A simplicidade permanecia no interior, que tinha cores vibrantes e bancos com capas laváveis.

A grande surpresa, porém, era a oferta da tração 4x4. O sistema desenvolvido pela austríaca Steyr-Puch foi o primeiro instalado em um veículo compacto com motor transversal. Seu acionamento acontecia por uma alavanca e a primeira marcha era extremamente reduzida (e indicada exclusivamente para uso off-road), a ponto de o condutor precisar sair da imobilidade em segunda marcha para não prejudicar o conjunto no asfalto.

Todo o conjunto de tração, incluindo até o eixo traseiro com freios e diferencial, era fornecido pela Steyr-Puch à Fiat, que apenas o instalava na carroceria reforçada do Panda. Atualmente, o compacto está em sua terceira geração e possui tração nas quatro rodas na configuração Cross, que faz os aventureiros urbanos corarem de vergonha com sua capacidade genuína de encarar trilhas.

2. Ford Pampa

Ford Pampa 4x4 - Divulgação - Divulgação
Pampa ganhou até o sobrenome Jeep no fim de sua vida
Imagem: Divulgação

A Pampa surgiu em 1982 baseada na segunda geração do Corcel. O primeiro utilitário derivado de um automóvel de passeio da Ford nasceu para encarar a Fiat 147 Pick-Up/City, pioneira no segmento de picapes compactas.

Dois anos depois veio a grande novidade: a Pampa 4x4 trazia caixa de transferência, eixo rígido na dianteira e roda livre automática. Curiosamente o sistema era uma espécie de "tração 4x4 parcial", com acionamento permanente apenas das rodas dianteiras. Cabia ao motorista acionar a tração traseira por uma caixa de transferência, que ocupava o lugar destinado às engrenagens da quinta marcha ? inexistente nesta versão. Seu acionamento acontecia por uma alavanca à direita da manopla de câmbio e o sistema de roda livre era automático.

O visual incluía rodas com cubos pronunciados (para acomodar a roda livre), pneus para uso fora de estrada, grade exclusiva e para-choques com pontos de ancoragem. Chapas de aço protegiam motor, câmbio e rolamento do eixo cardã. O visual externo era mais agressivo que o da Pampa 4x2: rodas com cubos pronunciados (para acomodar a roda livre), pneus lameiros, grade exclusiva e para-choques reforçados com pontos de ancoragem.

A ausência do diferencial central e as diferentes relações dos diferenciais (dianteiro e traseiro) limitavam o uso da tração 4x4 a pisos de baixa aderência, em linha reta e abaixo dos 60 km/h. Apesar de algumas deficiências e da fama de problemática (causada em parte por mau uso dos proprietários), a Pampa 4x4 foi fabricada até 1995 e saiu de cena sem deixar sucessor.

3. Volkswagen Worker

Caminhão VW Worker 15.210 - Divulgação - Divulgação
Caminhão foi desenvolvido para as Forças Armadas do Brasil
Imagem: Divulgação

Várias fabricantes de veículos utilitários vendem caminhões e ônibus com tração 4x4. A Volkswagen Caminhões e Ônibus vende duas versões do Worker 4x4 -- a 15.150 e a 15.210.

O projeto foi desenvolvido especialmente para as Forças Armadas, que realizaram testes em vários tipos de terreno e até provas de balística para analisar a resistência da cabine a estilhaçamentos.

O Worker 15.210 é movido por um motor MWM 6.10 TCA de seis cilindros, entregando 206 cv a 2.600 rpm e torque máximo de 67 kgfm a 1.700 rpm. Além da tração nas quatro rodas, o Worker ganhou maior altura livre do solo e pneus de uso misto.

A capacidade de carga é de cinco toneladas. Atualmente o caminhão deixou de ser exclusividade do Exército e ganhou uma variação "civil", podendo ser adquirido por qualquer empresa. Como os caminhões são feitos de acordo com as necessidades de cada cliente, não há preço definido.

4. Ford Belina

Ford Belina 4x4 - Reprodução - Reprodução
Belina tinha qualidades, mas ganhou fama de pouco durável
Imagem: Reprodução

A perua derivada do Corcel ganhou uma inusitada versão com tração nas quatro rodas em 1985, poucos meses após o lançamento da Pampa 4x4. Entretanto, problemas de durabilidade do projeto abreviaram a vida desta curiosa perua, que se despediu dois anos depois.

Nem tudo era igual nos dois modelos: a suspensão reforçada tinha molas helicoidais na traseira (a Pampa utilizava molas semielípticas) que davam um bom equilíbrio entre conforto e robustez. O sistema de tração parcial, porém, era o mesmo: uma caixa de transferência que acionava a tração traseira ocupava o lugar das engrenagens da quinta marcha.

Tudo que o motorista precisava fazer era puxar a alavanca ao lado do câmbio. A traseira tinha rodas livres automáticas, já que o arrasto dos semieixos e do cardã poderia desgastar o sistema e aumentar o consumo. Os pneus lameiros fabricados pela Pirelli tinham bom comportamento em pisos escorregadios, mas prejudicavam a estabilidade no asfalto.

A Belina, no entanto, foi vítima das limitações do sistema, que não trazia diferencial central e não atuava a velocidades acima dos 60 km/h. Todas essas características eram informadas no manual do proprietário, porém, sem muita clareza. A Ford até mudou as instruções do livreto pouco tempo depois, mas era tarde demais: vários proprietários já haviam tido problemas com o veículo. Sem a confiança da clientela, a Belina acabou saindo de cena em 1987.