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Por R$ 179.900, Honda CR-V fica mais requintado, bom de dirigir e caro

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

30/03/2018 04h00

Agora importado dos EUA, SUV evolui em quase tudo, mas dispensa principais itens tecnológicos

Durante a apresentação do novo CR-V, a Honda frisou que o modelo é uma grande evolução em relação ao seu antecessor. E de fato é: a quinta geração do SUV está mais refinada, bonita e bem equipada. Só que está mais cara também: por ele pede-se R$ 179.900 – um aumento de R$ 31.900 frente ao modelo anterior.

Antes importado do México, o SUV passa a vir dos Estados Unidos, aumentando seu preço e ainda limitando sua oferta por aqui. Apenas 500 unidades serão trazidas para o Brasil neste ano, divididas em quatro lotes de 125 veículos. Neste momento, a prioridade da marca é abastecer o mercado norte-americano, onde o modelo faz bastante sucesso.

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Um de seus principais atrativos é o desempenho do motor 1.5 turbo. Embora seja o mesmo adotado no Civic Touring, a marca fez algumas modificações na turbina e na taxa de compressão para extrair mais 17 cv. Agora são 190 cv (16 cv a mais que o Civic) a 5.600 rpm e 24,6 kgfm disponíveis a bons 2.000 rpm.

Assistido por uma caixa CVT, o carro não sofre com falta de fôlego para movimentar seus 1.607 kg, ainda que o nível de ruído seja consideravelmente elevado nas acelerações plenas – efeito colateral da transmissão continuamente variável.

O design deve conquistar clientes. O utilitário esportivo traz a nova identidade visual da marca (conhecida como "Solid Wing Face"), lembrando muito o Civic e o... WR-V! Vale ressaltar, porém, que o CR-V veio antes (em 2016) do WR-V. Seja como for, alguns elementos típicos do CR-V, como a linha de cintura elevada e as lanternas nas colunas "C" foram preservadas nesta geração.

A qualidade de construção do CR-V também impressiona positivamente. O nível dos materiais empregados no revestimento interno está mais para Accord do que Civic, com plásticos de aspecto emborrachado, encaixes precisos e couro de boa qualidade. Só os apliques imitando madeira é que podem causar discórdia, embora não sejam de qualidade duvidosa.

A posição de dirigir lembra muito a de um sedã, agradando quem não é adepto da condução excessivamente "alta" de um SUV. O banco do motorista possui regulagens elétricas de distância e inclinação e até duas memórias.

A calibragem da suspensão (que tem buchas hidráulicas) é firme para um SUV, fazendo com que a carroceria role muito pouco nas curvas. O SUV vem também com o sistema de vetorização de torque, contribuindo para melhorar a estabilidade em condições críticas. Já a direção é leve e direta, mas não prejudica a condução na estrada.

Nem parece o mesmo

Do Civic vieram o volante multifuncional e o painel de instrumentos digital com uma tela TFT de sete polegadas. O CR-V, porém, traz funções extras, como o gráfico que exibe a distribuição do torque entre as rodas e o sensor de fadiga. Outro item presente apenas no SUV é o head up display, projetando informações do velocímetro e conta-giros. O CR-V também vem com um sistema de atenuamento de ruídos internos, presente em vários modelos de marcas de luxo.

O SUV tem ainda seis airbags, teto solar elétrico (que não é do tipo panorâmico), controles de estabilidade e de tração, chave presencial, freio de estacionamento elétrico e sensores de luz e de chuva. A central multimídia tem tela tátil de sete polegadas com suporte a Android Auto e Apple CarPlay, além de entradas auxiliar, USB e HDMI no console central.

Entre os bancos fica um generoso porta-objetos no descansa-braço, com direito a uma prateleira removível que abre espaço até para uma pequena bolsa de mão. Quem viaja no banco de trás conta com bom espaço para cabeça e pernas, além de duas saídas de ar-condicionado e um par de tomadas USB.

Falta o principal

A ausência mais sentida é a do Honda Sensing, o pacote de assistências de condução vendido nos EUA e que sequer vem para o Brasil. Sendo assim, o CR-V não oferece alerta de colisão frontal, frenagem automática, assistente de permanência em faixa, piloto automático adaptativo, alerta de pontos cegos e regulagem automática do farol alto.

Para piorar, todos estes itens são oferecidos em dois de seus principais concorrentes: Chevrolet Equinox Premier (R$ 155.990) e Peugeot 3008 Griffe Pack (R$ 154.990). O representante da GM, aliás, conta ainda com um motor 2.0 turbo de 252 cv.

É nítida a evolução do CR-V frente ao seu antecessor. O SUV ganhou design mais esportivo, melhor dirigibilidade e mais refinamento. Só não precisava cobrar tão caro por isso.

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