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Usado da vez: Mitsubishi TR4 é SUV de verdade, mas manutenção é cara

Rogério Cassimiro/Folhapress
SUV de verdade não tem medo de lama ou de pancada... mas fique atento à estrutura ao comprar um TR4 usado Imagem: Rogério Cassimiro/Folhapress

Fernando Miragaya

Colaboração para o UOL, no Rio (RJ)

16/03/2018 04h00

Disposição no off-road do SUV seminovo contrasta com conforto limitado

Utilitário esportivo hoje é sinônimo de carro urbano para ir fazer compras ou levar as crianças à escola. Mas a origem foi mais sincera, mesmo no Brasil: não muito tempo atrás, esse tipo de veículo não tinha medo de lama, pedra ou areia. O Mitsubishi Pajero  TR4 era um desses SUVs "de raiz" e hoje é opção de seminovo para quem quer um fora de estrada de fato.

Versão brasileira do Pajero  iO, até então importado, o TR4 (ou Pajerinho, como ficou conhecido) começou a ser produzido em Catalão (GO), em 2003 -- parou de ser fabricado em 2014. Mesmo com a chegada do fenômeno Ford EcoSport, o modelo da marca japonesa continuava como opção para quem queria um modelo compacto, hábil no off-road  e mais em conta.

Virtudes não faltam para esse ímpeto lameiro, que fica evidente em alguns números. O vão livre do solo é de mais de 21 cm e tem ângulo de ataque de 35 graus -- mesmo do de saída. Se quiser, é possível encarar um riacho com até 60 cm de profundidade -- ou em uma enchente na sua cidade... tudo segundo a Mitsubishi.

O motor 2.0 a gasolina da primeira leva dá conta do recado e trabalha bem em baixas rotações, ideal para terrenos fofos e menos aderentes. Virou flex em 2007, mas cobrou a conta: o consumo, que já não era muito bom, piorou.

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Mesmo assim, prefira os modelos entre 2010 até 2013. Eles custam de R$ 35 mil a R$ 43 mil e têm potência elevada para 135/140 cv na carona da reestilização que o TR4 sofreu em 2010. Continua com bom torque em baixa, mas é preciso paciência para encontrar velocidades maiores na hora de pegar a estrada.

Aqui você entenderá porque o modelo não tem computador de bordo. Com caixa automática de quatro marchas (existem versões com câmbio manual) com relações muito longas e mais de 1.500 kg, não há milagre. Só com sorte consegue-se médias urbanas melhores que 5 km/l com álcool e 7 km/l, com gasolina.

Divulgação
O motor 2.0 a gasolina da primeira leva dá conta do recado e trabalha bem em baixas rotações Imagem: Divulgação

O que olhar ao comprar um modelo off-road?

Lembre-se que, se a coisa ficar feia na trilha, tem-se a opção de reduzida. No entanto, antes de fechar negócio faça um test drive e fique atento a ruídos na hora de engatar a tração.

Também é importante levantar o jipinho e passar um pente fino para ver se não há vazamentos nas, especialmente caixas de transmissão e no diferencial. E também a amassados nos eixos e no tanque de combustível.

Além disso, a suspensão tem calibragem para aguentar o tranco do fora de estrada, porém, no asfalto, quica que nem um tratorzinho.

E lembre-se: este modelo tem fama de peças e manutenção caras. Uma bomba de combustível original do TR4 custa mais de R$ 800. E costumam cobrar mais de R$ 3 mil por uma caixa de transferência usada.

Em 2011 surgiu opção 4x2, mas aí faz mais sentido você comprar um SUV para passear no asfalto. Afinal, há outros poréns que o aventureiro iniciante precisa ficar atento no que diz respeito ao conforto do TR4.

A altura do solo faz com que os ocupantes fiquem com os joelhos muito articulados, o que cansa em viagens longas. O espaço atrás é mínimo e só cabem dois adultos. O porta-malas tem apenas 312 litros e vai caber pouca coisa de suas tralhas. E o acabamento é simplista, o desenho do painel vem direto do projeto dos anos 1990, com direito a reloginho digital.

Raio-X

+ Boas safras: 2011 e 2013.

+ Boa compra: TR4 4x4 Automático 2011, com preços entre R$ 39 mil e R$ 42 mil.

+ Pontos positivos: desempenho off-road, robustez e altura do solo.

+ Pontos negativos: conforto, consumo, manutenção e nível de ruído.

+ Evite: versões com tração 4x2.

+ Atenção: barulhos e dificuldades ao engatar a tração reduzida.

+ Atenção 2: à ponteira de escapamento, que costuma enferrujar precocemente.

+ Atenção 3: a vazamentos nas caixas de transmissão e mangueiras e a amassados nos eixos, para-lamas e tanque de combustível.

+ Atenção 4: a rachaduras aparentes no radiador.

+ Para tirar onda: Em 2014, a série O’Neill (grife californiana) celebrou os 30 anos de vida do Pajero e teve 600 unidades. A edição traz grafismos nos para-choques e nos vidros traseiros, rodas aro 17" na cor grafite, capa de estepe personalizada, moldura da grade pintada de prata, rack com espuma protetora e bancos com proteção de neoprene. É opção descolada, se você encontrar um em condições.

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