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Corolla é o mais blindado do Brasil; veja quanto custou blindar em 2017

Lalo de Almeida/Folhapress
Funcionários trabalham na blindagem de carros em empresa específica de São Paulo; processo custa em média R$ 53,6 mil Imagem: Lalo de Almeida/Folhapress

Alessandro Reis

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

12/03/2018 04h00

Estado de SP lidera com 74% de todas as blindagens feitas no Brasil

Em 2017, 15.145 veículos foram blindados no Brasil e o modelo que mais recebeu a proteção balística nesse período foi o Toyota Corolla.

Também no ano passado, o Estado de São Paulo foi o que liderou em volume de blindagens, com 74% do total, seguido pelo Rio de Janeiro, com 8.45%. Além disso, 57% dos clientes de blindadoras no país foram do sexo masculino, sendo que 40% destes estão na faixa entre 50 e 59 anos.

Considerando profissão, 67% das pessoas que blindaram foram executivos ou empresários, seguidos por políticos, com 14%, logo à frente de juízes, que correspondem a 9%. Em quarto lugar estão artistas, com 8%.

Esses dados compõem pesquisa anual da Abrablin (Associação Brasileira de Blindagem) que a reportagem de UOL Carros obteve com exclusividade. O estudo tem dados de 27 empresas associadas, que representam 78% da produção total de blindados em 2017 -- ou 11.857 veículos. O volume total de mais de 15 mil unidades foi informado pelo Exército. O número foi 19,71% inferior às 18.865 unidades registradas em 2016.

Com isso, a frota de blindados do Brasil é de cerca de 197,6 mil veículos.

Divulgação
Audi Q5 é o primeiro SUV blindado de fábrica no mundo, mas custa R$ 354.990 Imagem: Divulgação

Por que caiu tanto

"De 2014 para cá, o setor de blindagens sofreu o mesmo que o mercado automobilístico porque estamos diretamente ligados à venda de carros novos, especialmente aqueles considerados premium, com preço acima de R$ 120 mil", explica Marcelo Christiansen, presidente da Abrablin. Para 2018, a entidade projeta crescimento de 25% no volume de blindagens.

Na opinião de Fábio Rovêdo de Melo, diretor da Concept Blindagens, associada da Abrablin, "o êxodo de muitas famílias de classe média e alta para outros países, a interrupção na contratação de expatriados por parte das grandes empresas e a massificação dos aplicativos de transporte", foram alguns dos fatores que influenciaram a baixa nas vendas. Ele também cita o aumento na oferta dos seminovos e a alta significativa nos valores dos carros importados, que também influenciou a busca pela blindagem de carros que não integram o segmento de luxo.

Surge disso o fato de o Corolla ter sido o modelo líder em blindagens em 2017.

Para o Christiansen, a sensação de insegurança manteve o setor aquecido e em crescimento ao longo da última década, exceto pela crise recente. Considerando apenas as blindagens da Abrablin, o volume registrado em 2007 foi de 5.312 veículos, contra 11.731 em 2014.

"Há dez anos, quando entrei no mercado, já usava carro blindado e vinha pensando que segurança era assunto muito sério no Brasil, sem perspectiva de melhora a médio prazo. Na época, muitos clientes e amigos diziam que não iam blindar seu carro, mas ao longo desse tempo mudaram de ideia por alguma razão. A insegurança só aumentou nessa década", relata. "Hoje, você é assaltado no farol de Fiat Uno, Atualmente, todo mundo deveria ter carro blindado. Tenho um cliente que, por exemplo, tem seus cinco carros blindados, mas nem todos são premium. Já blindei até Nissan March 1.0 com câmbio manual", complementa o presidente da Abrablin.

Avener Prado/Folhapress
Imagem: Avener Prado/Folhapress

Quanto custa?

De acordo com o levantamento da entidade, em 2017 o custo médio para blindar um veículo no Brasil foi de R$ 53,6 mil -- mais de 90% dos serviços correspondem à proteção balística de nível 3-A, que resiste a disparos de submetralhadoras, pistolas 9 mm e revólveres calibre 44.

De acordo com Marcelo Christiansen, blindar um March custa cerca R$ 55 mil; um Corolla, cerca de R$ 60 mil; e um Porsche Macan, quase R$ 80 mil. Carros mais caros têm mais custo, sobretudo no que se refere à desmontagem, que é mais complexa.

Quanto à remuneração de funcionários, o fato de o segmento de blindagens não ter muitos especialistas nem cursos técnicos consolidados, muitas das blindadoras têm de formar os profissionais na própria empresa. "Hoje eu não tenho nenhum funcionário na fábrica que ganhe menos de R$ 9 mil", revela o CEO da Abrablin.

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Confira abaixo detalhes curiosos da pesquisa:

Veículos mais blindados em 2017:

1. Toyota Corola: 15,10%
2. Jeep  Compass (9,82%)
3. Volvo XC60 (8,47%)
4. BMW X1 (7,94%)
5. Land Rover Discovery (7,34%)

Ranking de blindagens por estado em 2017:

1. SP: 73,99%
2. RJ: 8,45%
3. PE: 3,32%
4. RS: 2,65%
5. CE: 2,43%
6. MG: 2%
7. RN: 1,01%
8. PA: 0,45%
9. GO: 0,41%
10. PR: 0,17%

Perfil dos clientes:

Homens: 57%
Mulheres: 43%

Faixa etária:
18 a 24 anos: 2% homens e 5% mulheres
25 a 29 anos: 5% homens e 7% mulheres
30 a 39 anos: 10% homens e 18% mulheres
40 a 49 anos: 30% homens e 40% mulheres
50 a 59 anos: 40% homens e 20% mulheres
60 a 64 anos: 5% homens e 5% mulheres
65 a 69 anos: 5% homens e 3% mulheres
70 anos ou mais: 3% homens e 2% mulheres

Profissão:

1. Executivos/empresários: 67%
2. Políticos: 14%
3. Juízes: 9%
4. Artistas: 8%
5. Outros: 2%

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