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Atraso do Governo trava planos da Renault no Brasil; saiba quais são eles

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Renault Kadjar (foto) não vem ao Brasil, mas um SUV do seu tamanho está cotado para surgir ainda este ano e vir para cá Imagem: Divulgação

Alessandro Reis

Colaboração para o UOL, em São José dos Pinhais (PR)

08/03/2018 04h00

Demora na entrega do Rota 2030 faz marca "congelar" investimentos

A indefinição gerada pelo atraso no anúncio do Rota 2030, novo regime automotivo que vai substituir o InovarAuto, está congelando investimentos e "segurando" futuros lançamentos da Renault.

Luiz Fernando Pedrucci, novo presidente da operação brasileira da marca, revelou que a empresa cogita lançar no país um novo SUV médio, maior que Duster e Captur, além de trazer o motor 1.3 turbo europeu, apresentado em dezembro e feito em parceria com a Mercedes-Benz, capaz de render entre 117 cv e 162 cv.

O grande problema é que a vinda dessas e de outras novidades -- como o "repreparo" do SUV Koleos, que chegou a ser confirmado no Brasil e agora está em compasso de espera --, depende do Rota 2030, programa do Governo responsável por definir fatores como metas de eficiência energética e redução de emissões, bem como incentivos e exigências para a nacionalização de componentes e tecnologias.

"Estamos aguardando o que será estabelecido pelo Rota 2030. Regras claras e de longo prazo são fundamentais para nosso segmento. Nesse sentido, o programa será a base para definirmos nossos próximos passos no país, além de investimentos", revelou Pedrucci durante inauguração de um novo processo da fábrica da Renault em São José dos Pinhais (PR), nesta terça-feira (6).

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Produção em massa de Kwid (foto) e Captur fizeram Renault ampliar produção no Paraná para três turnos Imagem: Divulgação

Motor puramente nacional

A sede agora é responsável pela produção dos blocos e cabeçotes de alumínio do motor 1.6 SCe, que equipam toda a linha da marca (exceto pelo Kwid), que antes eram importados do Japão. Para ser reponsável pelo total da produção do motor, o Complexo Industrial Ayrton Senna, recebeu investimentos de R$ 350 milhões; além disso, outros R$ 400 milhões foram investidos na modernização e na ampliação da planta.

"Fizemos o dever de casa, definimos investimentos há alguns anos, em momento de crise. Fechamos um ciclo de investimentos e, para definirmos o próximo, precisamos de mais clareza em relação ao futuro", disse Pedrucci durante conversa com UOL Carros, ressaltando que isso também vale para a definição de novos produtos.

A certeza para o Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro, é a apresentação da picape Alaskan. O utilitário será fabricado na Argentina, juntamente com a "primas" Nissan Frontier e Mercedes-Benz Classe X, já que todas compartilham plataforma e uma série de componentes.

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Que SUV é esse?

Quanto ao SUV médio comentado pela Renault, especula-se que seja o mesmo que apareceu coberto no mês passado, em ilustração da matriz da Renault. Segundo o presidente da Renault no Brasil, ele está nos planos.

"Claramente existe mercado para ele, mas ainda não posso dizer se vem", explica Pedrucci, que fez questão de ressaltar que esse utilitário, projetado para mercados como Rússia, China, Coreia do Sul e Brasil, não será uma versão simplificada do Kadjar vendido na Europa -- tática que foi adotada em relação ao Captur, que na Europa tem a mesma base do Clio 4 e aqui é feito sobre a base mais simples do Duster.

"O Kadjar não vem", ainda cravou o executivo.

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Na geladeira

O SUV Koleos, que tem porte de Volkswagen Touareg, também segue "congelado", apesar de sua vinda ao Brasil já ter sido até anunciada. Além disso, o Duster, que foi recentemente remodelado pela Dacia na Europa, estava previsto para 2019 mas ainda não tem data definida para chegar.

Tem mais: reportagem de UOL Carros flagrou, durante encontro com executivos da marca no Paraná, uma unidade de testes da picape Duster Oroch com tração 4x4, porém seu lançamento não foi confirmado. "Já fotografaram uma unidade dessa picape no passado e ela nunca foi lançada", lembrou o presidente ao ser questionado.

O que acontece antes é o lançamento de reestilizações de Logan e Sandero. Perguntado sobre o motor 1.3, Pedrucci disse que "trata-se de um motor muito bom, mas que sua vinda depende do direcionamento do Rota 2030 em relação a metas de eficiência". Esse propulsor poderia substituir o atual 2.0 aspirado presente no Captur, no Duster e na Oroch, além de novos modelos.

Ainda em relação ao Duster, o CEO da marca revelou que, por "questões de perda de competitividade", o utilitário feito no Paraná deixou de ser exportado para a Argentina, o que acontecia desde pouco depois do seu lançamento no Brasil, no fim de 2011. "Existe uma verba global que é alocada país por país, em função do que este investimento vai trazer. Essa indefinição (do governo) atrasa e a gente corre o risco de perder outros projetos para ainda mais países. Na semana passada foi produzido na Colômbia o primeiro Duster com destino para a Argentina", lamentou.

Apesar das incertezas, a Renault recentemente retomou os três turnos de produção e, com isso, contratou cerca de 1,3 mil colaboradores, totalizando aproximadamente 7,3 mil funcionários em suas quatro fábricas. Aconteceu, segundo a montadora, para dar conta da demanda pelo Kwid e pelo Captur, lançados em 2017. Desde a inauguração do complexo de São José dos Pinhais, há 20 anos, a Renault diz ter investido cerca de R$ 7 bi na unidade, cuja capacidade produtiva subiu de 400 mil para 600 mil veículos/ano.

A novidade desta semana, a fábrica de injeção de alumínio em motores, é capaz de produzir 250 mil cabeçotes e 250 mil blocos do motor 1.6 por ano. De acordo com Pedrucci, a escolha por esse motor se deve ao fato de ele ser usado pela maior parte da gama da marca no país. O 1.0 SCe, também lançado no fim de 2016, continua com bloco e cabeçote importados do Japão, embora sua fabricação também seja em São José dos Pinhais (PR).

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