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Avaliação: Jaguar E-Pace cobra R$ 280 mil para ser um pequeno SUV de luxo

Leonardo Felix

Do UOL, em Porto Vecchio (França)

19/02/2018 04h00

Veja como anda o mais novo "caçula" da marca britânica

Fazia frio, mas sol, quando a reportagem de UOL Carros desembarcou no aeroporto de Figari, Córsega -- uma ilha banhada pelo Mar Mediterrâneo sob o domínio da França, embora tenha maior proximidade geográfica com a Itália e carga cultural bastante própria --, para conhecer o Jaguar E-Pace.

Tivemos de ir longe assim porque o primeiro SUV compacto da história da marca britânica ainda não chegou ao Brasil. Embora versões e preços já estejam definidos -- entre R$ 195.400 e R$ 278.080 --, as primeiras unidades só aportarão por aqui em abril deste ano.

Como somos curiosos e ansiosos, topamos encarar algumas horas de voo para descobrir como anda o E-Pace antes que ele ganhe nossas ruas. Afinal, a fabricante tem a ousada meta de fazer dele seu modelo mais vendido em território brasileiro. Para conferir o resultado, basta dar o play e assistir à nossa avaliação em vídeo.

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Este caçula custa caro

O desenho de dois Jaguares no canto inferior esquerdo do para-brisa, um adulto e um filhote -- easter egg que nos faz achar que estamos entrando num carro da Jeep --, indica o que o E-Pace representa na gama global da Jaguar: o menor e mais acessível de seus produtos, voltado a quem está ingressando no mercado de luxo.

É por isso que, embora formado por materiais nobres tanto na carroceria -- alumínio, aços de alta resistência e magnésio -- quanto na cabine -- couro, metais escovados, revestimentos emborrachados e alcântara --, o E-Pace se apresenta menos luxuoso no comparativo com outros carros da montadora.

Uma pena que no Brasil o "suvinho" esteja longe daquilo que podemos considerar "acessível".

UOL Carros avaliou a versão de topo, R-Dynamic SE, que se aproxima de R$ 280 mil e deve responder por 20% das vendas. Por esse valor se espera um produto de altíssimo padrão (e em alguns aspectos o E-Pace é), mas a dúvida que ficou ao fim do teste de mais de 500 quilômetros foi: será que vale tudo isso mesmo?

Vejamos: o E-Pace possui um habitáculo nobre, mas não superluxuoso, conforme já relatamos. Também não é referência em espaço interno (com exceção ao ótimo porta-malas de 577 litros), pois tem 2,68 metros de entre-eixos e bancos grandes, o que tira um pouco do vão para as pernas.

Tampouco impressiona tecnologicamente. Ok, há chave inteligente, controle de cruzeiro adaptativo, projetor gráfico no para-brisa, quadro de instrumentos 100% digital de 12,3 polegadas, central multimídia com tela responsiva de 10 polegadas, bancos dianteiros com 14 ajustes elétricos, som Meridian de 380 Watts, sensores de pontos cegos e fadiga e frenagem automática emergencial.

A questão é: quais carros desse segmento já não dispõem de tudo isso? Nesse ponto o rival Volvo XC40 custará R$ 70 mil a menos e entregará bem mais, sendo um legítimo semiautônomo. Além disso, uma das principais funções de conectividade do E-Pace, a criação de um ponto de conexão com a internet a partir de um chip 4G, não estará disponível para o Brasil (segundo a Jaguar, por questões de homologação).

Divulgação
Easter egg no cantinho do para-brisa simboliza o papel do E-Pace: ser um Jaguar "caçula" Imagem: Divulgação

O que justifica o preço?

O que vai, então, motivar o consumidor a pagar o que a Jaguar está pedindo pelo E-Pace? Calma que há bons motivos para isso.

Primeiro, ele é muito prazeroso de dirigir: compacto (4,39 metros de comprimento), pesa menos de duas toneladas e traz sob o cofre o excelente motor 2.0 4-cilindros da família Ingenium -- com turbocompressor, duplo fluxo, 16 válvulas e injeção direta, rendendo 300 cv de potência (a 5.500 rpm) e 40,5 kgfm de torque (logo a 1.500 giros) --, gerenciado por câmbio automático de nove marchas da ZF. Com essas especificações, segundo a Jaguar, será possível ir de 0 a 100 km/h em menos de seis segundos.

Una isso ao excelente nível de rigidez da carroceria, à tração integral inteligente -- capaz de responder a mudanças no nível de aderência em um milésimo de segundo (constatamos isso ao entrar repentinamente num trecho com gelo no asfalto durante a avaliação) -- e às suspensões ativas muito bem calibradas, e pronto: temos em mãos um veículo que, dinamicamente, só lembra um SUV por causa do ponto H levemente elevado.

A diversão só não é maior porque o ronco do propulsor não empolga, nem mesmo no modo "Sport+". A direção com assistência elétrica progressiva também poderia ser um pouco mais firme nos momentos em que o carro é exigido de maneira mais esportiva.

Segundo motivo: o E-Pace é um modelo versátil e carrega resquícios de DNA Land Rover -- plataforma é a mesma de Evoque e Discovery Sport --, o que significa que encara ambientes fora-de-asfalto com galhardia. Óbvio que não dá para para esperar um desempenho genuinamente lameiro -- não há distribuição de torque sob demanda, por exemplo --, mas um off-road de nível intermediário ele vencerá sem problemas.

Terceiro, porque é um SUV bonito -- os faróis com formato quase triangular, ao estilo F-Type, lhe caíram muito bem --, chamativo e que gerará o que mais se espera de um automóvel assim: status. Afinal, estamos falando de um Jaguar, marca à qual pouca gente tem acesso no Brasil.

No fim das contas, o valor do E-Pace mostra que a fabricante até quer democratizar sua linha de produtos, mas não muito. O caçula da família será responsável por aumentar as vendas, certamente, mas assinar o cheque de R$ 280 mil ainda representará um pequeno exercício de exclusividade e luxo.

Viagem a convite da Jaguar Land Rover.

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