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Volkswagen Polo 1.0 é moderno e bom de dirigir; ou o que o Gol deveria ser

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

14/02/2018 04h00

Por R$ 49.990, versão de entrada é confortável e econômica, mas deve em acabamento

Até a sexta geração do Polo ser lançada no Brasil, falar em Polo 1.0 trazia más lembranças à Volkswagen. Culpa do antigo modelo lançado em 2002, que combinava as virtudes da quarta geração do hatch (como boa oferta de equipamentos e construção esmerada) ao fraco motor 1.0 16V empregado naquela época no Gol.

Por trás de sua chegada havia uma jogada estratégica da VW, que pretendia aproveitar a queda de 16% para 9% no IPI para carros com motor até 1 litro. Mas o fraco desempenho dos 79 cv combinado à diferença ínfima de preços entre as versões 1.0 e 1.6 -- apenas R$ 600 a menos -- decretou a "morte" do Polo 1.0.

Disposta a não repetir a história com o Polo MPI, a marca se precaveu adotando um conjunto mais eficiente desta vez. Trata-se do mesmo motor 1.0 de três cilindros, 75/84 cv e 9,7/10,4 kgfm (gasolina/etanol) de up! e Gol. UOL Carros testou esse modelo e comprova: o conjunto é muito melhor que o do Gol, que nem de perto pode ser comparado ao novo hatch.

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Pesado demais

Diferente de seus "irmãos" mais velhos, o Polo 1.0 praticamente extermina os problemas de ruído e vibração do motor tricilíndrico da Volkswagen. Se no Gol isso tudo é intenso e no up! fica no meio termo, no Polo não se ouve ou se sente quase nada. O bom isolamento acústico do carro deixa invadir apenas o agradável ronco metálico dos três cilindros nas acelerações.

Mesmo com o torque máximo se manifestando apenas nas 3.000 rpm, o Polo tem força em baixas rotações, sendo bastante ágil no ambiente urbano. Pesando 1.058 kg, o hatch sofre com a falta de fôlego em ultrapassagens e demanda paciência nas retomadas -- nada anormal em se tratando de carro "mil".

Merecem elogios as suspensões com arquitetura McPherson na dianteira e eixo de torção atrás. A calibragem é firme na medida certa, sem ser desconfortável mesmo em pisos irregulares. Neste ponto, o Polo MPI é um típico Volkswagen, seguindo a fórmula de sucesso adotada em vários modelos da marca, como o Golf e o próprio Polo da geração anterior.  

O baixo consumo é um dos pontos fortes do Polo. Segundo o Programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro, o hatch faz 12,9 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada, ambos com gasolina no tanque. Rodamos mais de 400 km por uma semana, combinando trechos urbanos com rodoviários. Em uma das ocasiões, o computador de bordo acusou média de 16,8 km/l, sempre com combustível derivado do petróleo.

Murilo Góes/UOL
Visual do novo Polo é o principal ponto de comparação com o Gol, e nesta imagem de traseira percebemos por quê: formato das lanternas, vinco da tampa do porta-malas, caimento do teto e desenho do para-choque são muito parecidos. Por outro lado, é perceptível o quanto o carro da direita tem dimensões mais generosas Imagem: Murilo Góes/UOL

Preço bom, acabamento nem tanto

O Polo MPI custa R$ 49.990, apenas R$ 10 abaixo da "barreira psicológica" dos R$ 50 mil. Por este valor traz quatro airbags, ar-condicionado analógico, direção elétrica, controle de tração, ganchos padrão Isofix e Top-tether e vidros elétricos nas quatro portas. 

Claro, há a questão dos pacotes opcionais da Volkswagen. Os espelhos precisam ser regulados manualmente e faróis de neblina não fazem parte nem da lista de equipamentos a serem pagos à parte. Também fica devendo rádio e computador de bordo, disponíveis apenas se o cliente escolher o pacote Connect Pack (R$ 2.600), presente no veículo avaliado.

Além destes itens, o Polo ganha no Connect Pack controle de estabilidade, bloqueio eletrônico do diferencial, rodas de liga leve aro 15, assistente de partida em rampas, volante multifuncional e central multimídia Composition Touch com App-Connect. Somando também os R$ 1.400 da pintura metálica, o hatch pode chegar aos R$ 54.040.

Considerando o carro base ou o mais completo, o problema está na falta capricho do acabamento interno. Sobra plástico pela cabine e as peças nem sempre são bem encaixadas -- a capa do puxador da porta do motorista, por exemplo, estava quase solta. A falta de texturas diferentes na cabine e o tom monocromático também contribuem para a sensação de pobreza.

UOL Carros se incomodou com dois detalhes de projeto: a ausência da maçaneta no porta-malas força o usuário a destravá-la na chave se a tampa não for bem fechada, e a alavanca do capô não pode ser puxada se a porta do motorista estiver fechada. 

Pelo menos é fácil achar uma boa posição de dirigir: mesmo com a coluna de direção fixa, o motorista pode regular a altura do banco, que é confortável e envolve bem o corpo. O Polo oferece espaço suficiente para cabeça, ombros e joelhos, inclusive para quem viaja atrás.

Murilo Góes/UOL
Simplicidade da cabine é incomodamente típica de um carro "mil", mas ao menos Polo MPI entrega dirigibilidade agradável, conforto e ergonomia Imagem: Murilo Góes/UOL

Gol bem melhorado

Rotular o Polo de "mini-Golf" foi uma decisão arriscada (e acertada) da Volkswagen por associá-lo ao prestígio de um modelo já consagrado, algo que se comprova na prática pelas qualidades do projeto.

O Polo MPI preserva algumas das melhores virtudes das versões mais caras, como a qualidade de construção, a modernidade do projeto e o conforto a bordo. Só que, nesta versão, o hatch está mais para Gol do que Golf. Ou pelo menos daquilo que o Gol deveria ser.

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