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Ford EcoSport Storm tem jeito esportivo e tração integral por R$ 100 mil

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em Itatiba (SP)

30/01/2018 04h00

Apesar da cara de F-150 Raptor e da mecânica 4WD, configuração não é "lameira" nem nos pneus

A cara lembra aquela da picapona americana F-150 Raptor; a sigla 4WD indica a maior habilidade para pisos com menor aderência; os adereços plásticos ao longo da carroceria esbanjam um certo estilo aventureiro... e nada disso entrega a real vocação do novo Ford EcoSport Storm, que é o de ser uma opção ainda mais completa e descolada que a versão Titanium.

Com o mesmo motor 2.0 directflex (injeção direta de combustível, mas sem turbo), os mesmos 170/176 cavalos de potência e torque de 20,6/22,5 kgfm (gasolina/etanol), o mesmo câmbio automático de seis marchas (herdado do Focus) e a mesma habilidade de cumprir 0-100 km/h em 10,7 segundos quando abastecido com álcool, esse EcoSport Storm custa um pouco mais que o Titanium: R$ 99.990 (R$ 3.140 mais caro). 

Segundo Adriana Carradori, do Marketing da Ford, a ideia é aproveitar uma brecha de mercado para fortalecer o nome (e as vendas) do EcoSport. Com "preço competitivo que ninguém oferece nesse segmento, hoje, traz oferta de equipamentos do [EcoSport] Titanium com itens visuais e mudanças mecânicas exclusivos para se encaixar na faixa de preço entre R$ 95 mil e R$ 105 mil".

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Traduzindo: a Ford acredita que os rivais que vendem mais que o EcoSport -- Nissan Kicks, Jeep Renegade, Hyundai Creta, Honda HR-V, Jeep Compass (sendo este um modelo maior e de faixa mais cara: R$ 110 mil iniciais) estiveram à frente em 2017 -- o fazem mais pelo fator novidade e por serem bem equipados. Ninguém procura, na visão da empresa, modelos despojados (ainda que o preço seja menor). A ideia é ter veículos chamativos e "completões".

Assim, a resposta é oferecer um EcoSport com visual diferente (novidade) e "mais equipado que os rivais" -- com itens de conforto e conectividade já vistos no Titanium -- a "preço competitivo" e com mecânica revista. Isso e mais revisão a valor fixo, taxa de manutenção mais interessante e seguro definido pela própria fabricante seriam determinantes para recolocar o Eco no caminho da liderança. 

Você concorda com esta leitura do mercado feita pela Ford?

Murilo Góes/UOL
Eco Storm: jeitão é de aventureiro, mas uso será no bom e velho asfalto brasileiro Imagem: Murilo Góes/UOL

Mas atravessa lama?

De fato, a mecânica é revisada em relação à gama atual do EcoSport, ainda que muito tenha sido herdado do antigo EcoSport 4WD. Segundo Daniel Camargo, da Engenharia da Ford, o sistema de suspensão independente nas quatro rodas é similar, mas há "nova calibração, com novas molas, buchas e sustentação, mais equilíbrio na dirigibilidade e redução da vibração no volante em até 40%" para o modelo anterior.

De fato, há um pequeno ajuste na dianteira (17 mm a mais no curso da suspensão), além de uma revisão na dinâmica off-road: os sensores monitoram condição do piso para ajustar a tração, sem qualquer intervenção do motorista, mas a Ford diz que há maior compromisso de conforto e estabilidade, por exigência do comprador. Ou seja, como ninguém usa o carro em situação extrema e prefere o conforto, o carro nunca chega a ser "traseiro" e os pneus de uso misto (todo-terreno) usados no Eco 4WD antigo foram abandonados. Daí ter largado o sobrenome 4WD (embora a sigla ainda esteja lá e mesmo que o sistema seja mais simples, sem aptidão lameira) e adotado Storm ("tempestade", em alusão também a piso escorregadio, que será o principal momento de uso da tração) .

Com isso, embora o Storm tenha sido muito mais "na mão" do que um Eco comum, por conta da atuação constante da tração integral, ele tem tanta capacidade de encarar um terreno mais atribulado do que a versão convencional... pois é. Um fator contrário à compra é o consumo, que acaba sendo mais drástico, por conta do tracionamento -- nunca passou dos 5,5 km/l em nosso teste ao longo de uma semana.  

Mas se é mais urbano que lameiro, porque tanto adereço aventureiro? Para agradar ao consumidor, que sempre quer mais, segundo a Ford. Como o consumidor procura mais equipamento dentro da faixa de preço que está disposto a pagar, a marca até acredita que o Renegade Diesel 4x4 seria um rival direto, não tanto pela capacidade de tração em si, mas pelo "algo a mais". Tanto é assim, que os executivos da marca acreditam que a versão mais barata do Jeep (Custom, de R$ 110.290) é menos atrativa que o Storm, uma vez que "não tem o mesmo nível de equipamentos, algo só equilibrado pela versão de R$ 132 mil", nas palavras de Carradori, ainda que tenha 4x4 com reduzida. 
 
Por isso, modelos como os já citados Creta, HR-V e até o Tracker são os mais visados pela mira da Ford. De fato, o EcoSport Storm tem pacote muito interessante, uma boa dose de conforto interno e bastante tecnologia, inclusive aquela aliada à mecânica construtiva do carro. Resta saber se isso será o suficiente para convencer o consumidor a voltar a ter o Eco como referência (e sobre o Renegade 4x4 ser menos atrativo, ou não, prometemos um duelo em breve para responder).

Como é o EcoSport Titanium

UOL Carros

 

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