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CES 2018: "Black Mirror" ganha vida com novas tecnologias para carros

Ricardo Ribeiro/UOL
Toyota e-Palette: autônomo de seis rodas, pode entregar só uma pizza ou levar o restaurante todo até você Imagem: Ricardo Ribeiro/UOL

Ricardo Ribeiro

Colaboração para o UOL, em Las Vegas (EUA)

10/01/2018 19h38

Carro que aprende a dirigir da Nissan, Ford fazendo "cidades conectadas", Toyota e seu super veículo de entrega são novidades

Vozes artificiais, quase sempre o clássico timbre feminino-metalizado e pausas muito marcadas, ecoam pelos corredores da área que abriga a CES 2018, em Las Vegas (EUA). Sistemas inteligentes ouvem, respondem, apreendem e, em alguns casos, intervêm nas ações dos usuários. Telas de tamanhos variados e sistemas que não dependem de botões dão o tom. E boa parte dessas interações acontecem dentro de carros.

Entre medo e entusiasmo diante de inovações promissoras, quem visita a mais importante feira de tecnologia do mundo -- já há algum tempo tomada por novidades da área automotiva -- pensa estar submergindo em um dos episódio da série "Black Mirror", aclamada série de TV que pode ser assistida por meio do serviço online Netflix. Na trama das quatro temporadas, um controverso futuro onde inovações tecnológicas colidem com relações e instintos (sombrios) de quem as utiliza. Mas são apenas os estandes de fabricantes de automóveis, cada vez mais presentes na feira.

UOL Carros passou por diversos desses estandes e todos reforçam apostas na venda de soluções integradas de mobilidade e em carros inteligentes. "Inteligentes", neste caso, significam carros que reconhecem o rosto do motorista, identificam expressões e estados de humor, ouvem claramente indagações e comandos e conseguem responder com ações corretas e podem até propor caminhos, horários e métodos de direção mais segura e/ou eficiente.

Isso tudo pode melhorar a experiência humana com suas novas funcionalidades. Mas também assusta qualquer um que seja avesso à tecnologia.

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"Montadoras, não. Fábricas de serviços de mobilidade"

A Toyota assombrou jornalistas e convidados com o protótipo e-Palette acompanhado do que chama de "Ecossistema de Mobilidade", um conjunto de serviços que serão oferecidos em conjunto com o modelo. O desenvolvimento do veículo final e dos programas de conectividade será feito em parceria com empresas interessadas no sistema, com Amazon, Pizza Hut e Uber já confirmadas.

A promessa é de que o retângulo de seis rodas, algo entre brega e futurista, terá motor elétrico, direção autônoma e a capacidade de ser adaptado para uma infinidade de usos: o e-Palette poderá ser um food-truck, um táxi autônomo, um veículo-robô entregador de pizza, um escritório ou loja sobre rodas ou até um hotel móvel. Parte dessas soluções pode ser configurada de modo individual ou por compartilhamento. Restaurantes, por exemplo, podem compartilhar um mesmo veículo, em vez de ter de comprar o seu -- de acordo com a entrega da vez, o e-Palette muda a aparência do painel de LED exterior para exibir o nome da marca em questão.

"Ao combinar vários e-Palettes em um só lugar, empresas ou comunidades podem criar rapidamente um hub móvel para serviços que vão desde clínicas médicas até entretenimento e festivais", explica Zack Hicks, vice-presidente sênior e chefe de informação da Toyota América do Norte. "Cada e-Palette pode ser reconfigurado para uma variedade de aplicações dentro de um único dia, todos gerenciados pela nossa plataforma de serviços de mobilidade e atendidos pela nossa rede de varejo”.

Viu só? A Toyota quer deixar de ser "apenas" a maior fabricante de carros do mundo para ser uma das maiores fornecedoras de logística e serviços móveis.

Quanto tempo para isso virar realidade? Segundo a empresa, o tempo de mais duas temporadas: os primeiros testes de visibilidade começam em 2020, em localidades previamente preparados.

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Imagem: Ricardo Ribeiro/UOL

Carros inteligentes, cidades conectadas

A Ford também usará parcerias e até soluções de código aberto (ou seja, acessíveis para a colaboração de qualquer desenvolvedor) para criar o que chama de "cidades conectadas". Segundo Rich  Strader, vice-presidente de produtos para mobilidade da montadora, a plataforma fará cidades e carros inteligentes "conversarem".

O estande da marca apresenta alguns exemplos ambientados em cruzamentos urbanos. Todos são muito iniciais, crus, mas dão noção básica de como tudo vai evoluir da detecção de obstáculos, que você já vê em carros vendidos no Brasil, até os carros realmente autônomos que se informam sobre o trânsito ou avisam seus próximos passos com luminosos externos.

Há compartilhamento de viagens, entregas sob demanda e até um programa teste com a pizzaria Domino's, onde um Focus-robô faz as entregas. É meio... bobo, de fato, pensar num sedã executivo para entregar pizza, quando a realidade brasileira se vale de motoboys ou entregadores sobre bicicletas. Mas também é a previsão de um um futuro no qual pessoas não mais serão submetidas a trabalhos perigosos e desgastantes, pelo menos no que diz respeito a entregas sobre rodas.

"Requer uma conexão em grande escala de diversas fontes, serviços de transporte público, automóveis autônomos, ciclistas e até da infra-estrutura. Todos precisarão falar a mesma língua e se comunicar uns com os outros, se quisermos perceber o verdadeiro potencial desse tipo de ecossistema", explica Strader ao explicar como a cidade conectada do futuro vai funcionar.

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Neste momento, um carro aprende a contornar curvas com perfeição. Será? Nissan aposta Imagem: Ricardo Ribeiro/UOL

Carros que aprendem

Na ponta de todas essas tecnologias, estão os carros. E eles já aprendem a dirigir sozinhos, observando motoristas. A Nissan mostra resultados preliminares de um sistema de direção cujo cérebro eletrônico promete ser capaz de aprender diretamente com o cérebro do motorista. (Pausa para calafrios.)

Desde 2011, um grupo de pesquisa da marca estuda as diferentes ondas entre sinapses que ocorrem na cabeça do condutor antes de cada ação ao volante. Agora, este grupo começa a usar esses dados no desenvolvimento do novo sistema que será integrado a carros semi-autônomos e futuros autônomos.

"É prever, auxiliar e melhorar. O sistema coleta os dados permanentemente para entender o motorista e as rotas utilizadas. Assim, vai aprendendo e avalia quando e como deve intervir, corrigindo direção e velocidade em uma curva mal feita, por exemplo", explica Lucian Gheorghe, pesquisador sênior de inovação da Nissan.

Calma, que a ideia é melhorar o trânsito, mas sem colocar o homem na lista de extinção. Segundo Gheorghe, a tecnologia batizada de "Brain-to-Vehicle (B2V)" vai acelerar o tempo de reação dos motoristas e os dados serão aproveitados para aumentar o desempenho do veículo em modo autônomo.

Além dos resultados, o sistema aparece associado ao conceito elétrico IMx, crossover mostrado no Salão de Tóquio e ainda um pouco distante do mercado. "Será preciso que os sistemas de direção autônoma estejam bem instalados. Não antes de cinco ou até dez anos".

Com isso, o carro como conhecemos deve mudar de função. Lembra do smart, o modelo subcompacto da fabricante alemã Mercedes-Benz? Pois bem, a nova geração (mostrada durante o Salão de Frankfurt) vai deixar de ser um simples "micro-carro descolado" para virar a base de um serviço de carros compartilhados.

Ainda terá dois lugares e um visual que lembra o smart atual, mas será totalmente elétrico e autônomo. Um vidro poderá subir entre os bancos para mais privacidade a passageiros que compartilham uma rota (como já ocorre no Uber), mas que não se conhecem, nem têm qualquer pretensão de conversar.

Afinal, "the future is  bright", mas o humano atrás do volante será o mesmo de sempre.

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