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Avaliação: Nissan Frontier SE vai ao limite no off-road pesado; assista

Murilo Góes

Do UOL, em São Raimundo Nonato (PI)

10/01/2018 04h00

Veja como a picape se comportou no complicado trajeto de quase mil quilômetros (ida e volta) de Petrolina (PE) a São Raimundo Nonato (PI)

A Nissan resolveu colocar à prova, de uma maneira diferente, a capacidade off-road de sua picape Frontier, especificamente na versão SE. UOL Carros foi convidado a participar deste desafio na Serra da Capivara, no Piauí.

Foram mais de 900 quilômetros a bordo do modelo em sua versão intermediária, que é uma das opções a serem feitas na Argentina, a partir de 2018 -- rodamos com unidades importadas do México. Futuramente, a sede "hermana" também dará origem a Renault Alaskan e Mercedes-Benz Classe X, que usam a mesma plataforma.

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Como foi o roteiro

A jornada saía  de Petrolina, em Pernambuco, rumo à margem direita do Rio São Francisco, em Juazeiro, já na Bahia. Dali fomos até a barragem de Sobradinho por estradas de asfalto sofrível e sem acostamento, com muitos motociclistas, carroças e animais soltos pelo caminho. 

Após Casa Nova, enfrentamos longas retas em estradas de terra cascalhadas que cruzam o Parque Eólico Pedra do Reino até o primeiro desafio mais difícil da experiência fora-da-estrada até ali: as dunas que circundam o lago de Sobradinho nos períodos de estiagem.

Embora não muito altas, mas de areia muito fofa, atravessar a faixa de dunas exigiu bastante da tração 4x4, engatada por meio do seletor no console central -- em um botão ao lado direito ao volante, ainda, fica o desligamento do controle eletrônico de tração, que permite ao motor enviar força para todas as rodas mesmo que alguma delas não tenham aderência suficiente.

Com isso, a travessia acabou sendo tranquila por causa dos valentes motores das picapes, de 2,3 litros e biturbo, sempre aliados a um câmbio automático de sete marchas, que tem transições precisas.

Próximo à divisa entre Bahia e Piauí, encaramos o último trecho fora-da-estrada do primeiro dia. Foram 40 quilômetros de buracos, valetas e poeira suficiente para não se saber para onde estávamos indo.

Como estava a cabine?

Dentro da picape, porém, o conforto era garantido pelo bom espaço para os ocupantes e pela vedação impecável, mas, principalmente, pelo novo chassi, quatro vezes mais forte e ainda assim, mais leve que o anterior. A nova suspensão composta por um eixo rígido com molas helicoidais, como em um automóvel, fixado em cinco pontos de apoio ao chassi, também foi um diferencial que aprimorou o conjunto.

A chegada em São Raimundo Nonato, já no Piauí, sem cansaço ou dores no corpo mesmo após 440 quilômetros rodados no primeiro dia, foi a constatação prática de que a nova Frontier acolhe muito bem motorista e passageiros -- embora ainda seja de se estranhar a falta do cinto de segurança de três pontos e do apoio de cabeça na parte central do banco traseiro, algo praticamente impossível de entender em um carro de R$ 150 mil.

A volta

No segundo dia de expedição, redobramos a atenção com subidas e descidas íngremes. O Controle Inteligente de Descida (HDC) e o Sistema Inteligente de Partida em Rampa (HSA), disponíveis na Frontier SE, foram bastante úteis.

Na estrada, no entanto, em curvas mais fechadas e estreitas, as dimensões robustas e até exageradas da picape acabaram por se tornar mais um obstáculo -- em alguns casos, até, exigiram manobras adicionais. No total, são 5,25 m de comprimento, 1,75 m de altura e 1,85 m de largura.

Nessa hora, a ausência de câmera de ré e de sensores de estacionamento na versão SE deixa evidente uma de suas principais deficiências em relação à versão topo de linha.

No rodar, o conjunto do motor biturbo com o câmbio automático de sete marchas e a tração 4x4 se mostra excelente -- e como ele é comum em ambas as versões, as diferenças entre a nova Frontier SE e a LE acabam se limitando à estética e a itens de conveniência e conforto.

A volta para Petrolina serviu para comprovar que a nova Frontier, afinal, melhorou muito e é opção intermediária para quem procura uma picape para o trabalho e lazer. Faltam ainda alguns itens tecnológicos e de conforto oferecidos pelas suas principais concorrentes, mas sobram força, robustez e funcionalidade por um preço até que razoável.

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