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Brasil bate recorde de exportações de carros; agradeça à crise por isso

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Volkswagen Polo: lançado no final de 2017 e já exportado para Argentina, Chile e Paraguai Imagem: Divulgação

Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

09/01/2018 04h00

Indústria automotiva nacional apresentou crescimento de quase 50% nas vendas para outros países em 2017

"A necessidade aguça o engenho", já diz um provérbio popular. Pois foi preciso o setor automotivo passar por uma de suas mais profundas crises, entre 2014 e 16, com retração de cerca de 40% na demanda interna, para que a indústria nacional tornasse mais agressiva sua política de exportações.

Tal movimentação era prevista pelo penúltimo presidente da Anfavea (associação das fabricantes instaladas no país), Luiz Moan, já em 2015, mas seus efeitos foram sentidos de forma mais latente no ano passado. O Brasil apresentou crescimento de 48,2% nas exportações de automóveis e comerciais leves em relação a 2016, alcançado recorde de 724.608 veículos pequenos.

Ações do governo até existiram, mas foram demasiadamente acanhadas para, sozinhas, explicarem o fenômeno. Nos últimos anos o país: renovou acordos (por cotas) que possuía com Argentina e México; fechou tratados de livre-comércio com Uruguai e Egito; instaurou um regime de importação e exportação com a Colômbia, limitado a 25 mil unidades por ano, livre de impostos.

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O "grosso" da alta, portanto, esteve na movimentação interna das montadoras em busca de novos mercados. "Cada fabricante atua de maneira individual em busca de novos contratos. E em 2017 conseguimos expandir bastante as exportações para países como Colômbia, Chile e Uruguai", avaliou Antonio Megale, atual presidente da Anfavea, durante coletiva para balanço final da produção em 2017, na semana passada.

Contribuíram, ainda, a recuperação do mercado argentino, principal "cliente" dos veículos brasileiros -- nossos vizinhos apresentaram alta superior a 30% nos emplacamentos em 2017, retornando ao patamar de 900 mil unidades/ano -- e a flutuação do real em patamar sempre próximo a R$ 3,30 perante o dólar.

Um dos reflexos positivos foi a criação de 3,9 mil postos de trabalho nas fábricas brasileiras de veículos pequenos em 2017, crescimento de 3,8% perante anos anteriores. Além disso, houve forte redução do número de trabalhadores em regimes de PSE (Programa Seguro Emprego) e "layoff".

Dá para exportar mais?

Segundo executivos da Anfavea, sim, e por um motivo muito simples: o país tem capacidade produtiva de 4,6 milhões de unidades ao ano, das quais há quase 2 milhões de "folga". A grande questão é como chegar lá.

"Para expandir é preciso conquistar novos mercados e consolidar aqueles que já conquistamos. Não é um processo fácil", disse Megale. Foco prioritário está na América Latina: Peru, Equador, Colômbia e Chile são países que, de acordo com a associação, têm espaço para receber mais carros brasileiros.

Em um segundo momento há a intenção de exportar mais para África e Oriente Médio. "Dentro de alguns anos devemos alcançar a casa de 1 milhão de veículos exportados por ano, mas não será tão rápido", previu Megale. Na avaliação do executivo, tal meta só deve ser alcançada depois de 2020.

Para 2018 a previsão da entidade é um crescimento mais modesto, de 4,6%, alcançando 760 mil exemplares.

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