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"Quem adia atendimento de recall está correndo riscos", afirma especialista

Marcelo Justo/Folhapress
Muitos recalls acontecem devido a peças com falha que vêm de fornecedores; por isso, é sempre bom estar atento Imagem: Marcelo Justo/Folhapress

Fernando Calmon

Colaboração para o UOL

29/12/2017 15h04

Executivo ainda afirma que percentual de proprietários que atendem aos chamados é inferior a 40% por causa de falhas da legislação

O termo "recall" se difundiu e popularizou nos últimos 50 anos. A ação de um fabricante revocar (termo exato para a palavra inglesa recall) seu produto para fazer o devido reparo ou substituição, ao detectar falha de projeto ou processo de manufatura, iniciou-se na década de 1960 e começou pela indústria automobilística. Atualmente, há recalls até de brinquedos, mas os de veículos ainda provocam maior repercussão.

E como faz o dono de um carro que pode estar equipado com algum componente defeituoso? "Quando a pessoa não sabe que tem um problema, comporta-se de modo diferente de quando está informada. Por isso é muito importante que os proprietários fiquem atentos e sempre atendam aos recalls. Mas, aqui no Brasil, o percentual é inferior a 40%", revela Hélio Fonseca, perito em veículos automotores do IBAPE/SP (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo).

Para ele, isso se deve à falha de legislação quanto à forma de convocação. "Geralmente as chamadas são feitas na TV e em jornais, mas em anúncios pouco ilustrativos e complicados. Além disso, muitos carros já trocaram de dono. Por isso, é importante que a comunicação seja feita por documento registrado em nome e no endereço do atual proprietário do carro. Este, se não atender ao chamado, também deveria ser responsabilizado em parte, no caso de acidente, desde que estivesse ciente", afirma.

Para Fonseca, alguns fabricantes conseguiram com o Denatran endereços para comunicação direta de recalls específicos. Em geral, esses dados são protegidos por sigilo legal e nem empresas, nem concessionárias têm acesso. 

Uma solução mais fácil seria controlar o atendimento por meio de anotação no licenciamento anual. O Contran já publicou Resolução nesse sentido, porém nunca saiu do papel. Até quando?

E quando escondem?

A decisão de um fabricante de iniciar um recall é louvável, já que reconhece o problema e se dispõe a corrigi-lo sem ônus para os clientes. Mas nem sempre é assim: algumas vezes esta decisão acontece após uma série de ocorrências, até mesmo de acidentes fatais. E pior: houve casos, excepcionais de fato, em que sabiam do problema, porém tentaram minimizar...

Exemplo mais expressivo é o da Takata. A empresa que já foi a maior fabricante mundial de airbags por mais de uma década falseou resultados nos testes de segurança de seus produtos. Em algumas situações, os detonadores fazem as bolsas de ar expandir sem causa e lançar estilhaços, fato que já provocou 17 mortes e deixou dezenas de feridos ao redor do mundo.

Após desembolsar US$ 1 bilhão em multas e indenizações, além de ser obrigada a fazer o maior recall da história em mais de 100 milhões de veículos, inclusive no Brasil, a empresa faliu. Isto provocou enorme dor de cabeça para as fábricas dos veículos equipados com estes componentes, que são corresponsáveis pelo recall.

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Uma das dificuldades para resolver a situação é apontada por Fonseca. "Como envolve várias marcas, a substituição passa por processo mais lento", aponta.

Ocorrem, porém, outros problemas, como ele lembra. "Por ser um componente de precisão, o aumento expressivo e repentino na sua escala de produção poderá afetar a qualidade final. Além disso, a Takata também fornecia algumas partes do sistema aos seus concorrentes", detalha o engenheiro. "Isso obrigará a um processo por etapas e bem cuidadoso. Afinal há exigências jurídicas e, ao mesmo tempo, necessidade de diluir os custos em maior prazo", completa.

Para ele, é necessário uma reflexão em relação aos atuais sistemas de controle de qualidade. "Nas últimas décadas os métodos de produção enxuta, para ganhar tempo e reduzir custos, alteraram os sistemas de avaliação. Hoje as empresas trabalham com qualidade assegurada, na qual cada fornecedor garante seus processos. Mas uma única falha na cadeia de suprimentos pode gerar consequências gigantescas como esta da Takata", finaliza.

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