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Jeep Wrangler 2018 perde portas, teto, capô e até parabrisa no uso offroad

André Deliberato

Do UOL, em Tucson (EUA)

20/12/2017 04h00

Nova geração do utilitário é a mais desmontável (e versátil) já produzida em toda a história do modelo, garante fabricante

A convite da FCA do Brasil UOL Carros foi a Tucson, cidade desértica do estado americano do Arizona a cerca de 200 km da divisa com o México, para conhecer as capacidades da novíssima geração do Wrangler, utilitário mais clássico entre os Jeep e com mais "DNA de jipe" nas juntas, que foi apresentada recentemente no Salão de Los Angeles.

Para o Brasil, a marca diz ainda não ter definido data exata de importação (o Wrangler só tem produção local, na fábrica da empresa em Toledo, em Ohio), mas afirma que sua chegada está prevista para o segundo semestre do ano que vem, sem mencionar versões e/ou estimativas de preço.

A estreia do carro no mercado americano acontece agora, neste mês de dezembro, e as primeiras entregas estão previstas para janeiro. Aqui na terra do Tio San ele deverá custar pouco mais que valores atuais cobrados pela geração anterior, que variam entre US$ 23.995 e US$ 39.145 (algo entre R$ 72 mil e R$ 125 mil na conversão direta).

Wrangler é o sucessor histórico dos primeiros Jeep, que surgiram em 1941 para encarar a linha de frente da Segunda Guerra Mundial, junto dos soldados americanos. Três gerações do jipinho criado para a Guerra foram elaboradas e substituídas em 1987 pela primeira geração do (a partir dali com esse nome) Wrangler, que agora chega ao quarto capítulo de sua história. No total, já são sete gerações que formam a história do mais icônico dos Jeep.

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Como assim desmontável?

Hoje o Wrangler se tornou um carro de nicho para quem curte fazer trilhas e encarar desafios de off-road pesados, por isso a versatilidade do carro, que sempre foi uma de suas principais virtudes, foi aprimorada. Dependendo da versão, tudo nele -- obviamente dentro da medida do possível -- é retirável: portas, capô, teto, parabrisas, colunas B e C junto com toda a cobertura traseira, bancos... Tudo acontece de maneira fácil e prática, embora toda e qualquer modificação tenha de ser feita a mão (como seu cliente gosta).

Para ficar claro: o Wrangler já conseguia retirar "pedaços" da carroceria, mas o sistema foi atualizado com a chegada do novo modelo, permitindo manuseio ainda mais fácil se comparado ao de gerações anteriores.

Mecanicamente, de forma resumida, novo Wrangler perdeu peso, melhorou os níveis de eficiência dos motores, trocou sistema de suspensão e adotou nova caixa de câmbio, além de receber sistema de entretenimento de última geração, com possibilidade de conexão com smartphones (Carplay, AndroidAuto e até Baidu Carlife para consumidores chineses e indianos).

São três motores -- quatro-cilindros 2.0 turbo a gasolina; 4-cilindros 2.2 turbodiesel e V6 3.6 a gasolina --, câmbio automático de oito velocidades e sistema de tração 4x4 completo, com caixa reduzida e possibilidades de bloqueio do diferencial e até da barra estabilizadora.

Por enquanto, UOL Carros conseguiu a informação de que somente as configurações com motor 2 litros estão cotadas para nosso país (atualmente o Wrangler é vendido somente na versão Sport com motor V6).

Divulgação
Maior diferença visual do Wrangler está neste filete de LED incorporado à caixa de roda dianteira Imagem: Divulgação

Versões

Nos EUA o utilitário começará a ser vendido em quatro tipos de configurações diferentes: Sahara (mais voltada a luxo e conforto e sempre quatro portas); Rubicon (mais preparada para o off-road, porém recheada de tecnologia e com possibilidade de versão duas-portas); Sport e Sport+ (essas duas já voltadas a um uso fora-de-estrada mais hardcore, sempre com duas portas). A versão Sahara, aliás, pode ser equipada com um pacote de acabamento (que agrega diferenças visuais no interior e outro tipo de desenho de roda) chamado Overland, que também pode ser oferecido no Brasil.

UOL Carros teve a oportunidade de guiar os novos Wrangler Sahara Overland e Rubicon e, importante destacar, já conhecia a geração anterior, que testamos alguns anos atrás.

Melhorou demais o consumo de combustível e o conforto a bordo durante sua rodagem no asfalto — seja em trechos urbanos ou rodoviários. O silêncio da cabine chega até a surpreender, especialmente porque os carros avaliados vestiam pneus de uso misto, algo que poderia incomodar. A maciez portanto foi um ponto de destaque. Já a direção com assistência elétrica ficou anestesiada demais com a nova calibração e os freios poderiam ser um pouco mais sensíveis, mas é notável a evolução do carro de modo geral.

Muitas características do modelos anteriores, no entanto, permanecem intactas no carro e isso é bom para que ele não fuja da tradição: painel vertical; posição de dirigir com estilo meio "trator", comandos elétricos concentrados no console (afinal se as portas saem, onde iriam colocar os botões?) e estrutura de cabine com estilo “retrô” são alguns exemplos -- que agora são aliados de mais tecnologia.

O sistema Uconnect é praticamente o mesmo oferecido pelo Fiat Argo, ou seja, fácil de mexer e supercompleto, com comando de voz e possibilidade de ajustes por botões atrás do volante -- que ocupam o espaço de borboletas que poderiam estar no volante para trocas de marcha. Outras coisas também poderiam melhorar, a começar pela redução de botões no "cockpit" e pela conexão via CarPlay e AndroidAuto, que só pode ser feita via cabo (já tá na hora de surgir esse tipo de espelhamento via Bluetooth, né?).

Rodar com novos câmbio e motor dá outra pegada ao Wrangler. De certo modo (embora o atual também se esforçasse para tal), agora é possível rodar com a família inteira sem tremedeira ou desconforto. "Esse é o Wrangler mais luxuoso e todos os tempos, e ao mesmo tempo também é o mais 'Jipe' entre eles", repetiam os executivos da marca responsáveis por seu desenvolvimento.

Suas capacidades no uso off-road são referência dentro da marca e estão perto de beirar o excelente se se comparado a outros carros de outras marcas. A nova geração ainda possui ângulos de ataque e saída maiores e presenteia todo e qualquer cliente (independentemente da versão) com um kit de ferramentas para auxiliar na remoção e aplicação de componentes da carroceria. O que continua chato é o fato de ser necessário colocar a alavanca do câmbio em "P" para manusear o sistema e outros recursos da tração 4x4 -- ok, praticamente todo carro off-road faz isso, mas é desse modelo e dessa fabricante que temos que esperar as maiores inovações nesse quesito, né?

Divulgação
No Brasil, Wrangler é uma das referências em off-road e sua meta será vender a maior quantidade possível Imagem: Divulgação

Qual a meta do Wrangler?

No Brasil, continuar sendo visto como uma das referências no quesito off-road e vender a maior quantidade possível dos lotes que forem importados -- que a marca também não confirma quantos.

Rival de modelos também clássicos como Land Rover Defender e Mercedes-Benz Classe G (ambos em final de vida e sem previsão de substituto), o Wrangler se renova para poder dizer: vencemos a guerra.

Viagem a convite da Jeep Brasil

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