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Avaliação: Volkswagen Polo 1.6 anda bem e é seguro, mas lembra demais o Gol

Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

18/12/2017 04h00

Apesar da plataforma moderna e do bom motor, modelo oferece acabamento pobre e pouco recheio por R$ 59.040

Responsável por fatia entre 25 e 30% das vendas da sexta geração, o Polo 1.6 MSI é o que podemos chamar de "concorrente real" de modelos como Chevrolet Onix e Hyundai HB20. Afinal, a configuração 1.0 TSI propõe uma experiência distinta de condução, e portanto merece ser colocado num patamar acima desses rivais.

Já o 1.6 MSI tem proposta muito mais racional. Vendido em versão única de acabamento, parte de R$ 54.990 e chega a R$ 59.040 se dotado dos opcionais presentes na unidade avaliada por UOL Carros: pintura prata metálica (R$ 1.450) e pacote de segurança e conectividade com controle de estabilidade, assistente de partida em rampas, rodas de liga leve aro 15, volante multifuncional e tela central tátil capaz de projetar celulares Apple e Android (R$ 2.600).

De série o modelo já traz: quatro airbags; controle de tração; direção elétrica; computador de bordo; sistema de som com quatro alto-falantes; faróis de dupla parábola; chave canivete; ar-condicionado manual; suporte para celular com entrada USB; vidros elétricos com função "um-toque" nos dianteiros; banco do motorista com ajuste de altura; e travas elétricas.

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Os prós

A maior vantagem do Polo 1.6 MSI é ser tão acessível quanto os líderes de mercado e, ao mesmo tempo, oferecer um projeto muito mais moderno. O Polo utiliza a matriz modular MQB, é construído com aços de alta e ultra-alta resistência e, por isso, recebeu nota máxima em segurança para adultos e crianças nos testes do Latin NCAP.

Se levarmos em conta o acréscimo dos opcionais, já nesta versão o consumidor terá acesso a um excelente padrão de proteção. Além dos itens já citados, o Polo MSI utiliza cintos com pré-tensionador e limitador de carga, banco traseiro com cintos de três pontos e encostos de cabeça em todas as posições, e pontos de ancoragem para cadeirinhas infantis. É, disparado, o hatch compacto mais seguro à venda em nosso mercado.

Desempenho também não é problema. A configuração avaliada vem equipada com motor aspirado 4-cilindros flex de 1,6 litro e 16 válvulas, capaz de render de 110/117 cv (a 5.750 rpm) e 15,8/16,5 kgfm (gasolina/etanol). Não são dados extravagantes, mas garantem arrancadas e retomadas bastante satisfatórias na cidade. Câmbio é sempre manual de cinco marchas, utilizando a respeitada caixa MQ200.

Em rodovias fica faltando aquele toque extra que só o Polo TSI poderia oferecer. Como este não é seu foco, a boa notícia é que em nossas auferições a autonomia dentro do perímetro urbano ficou sempre entre 9 e 10 km/l com gasolina, mesmo com ar-condicionado ligado e encarando situações de trânsito bastante pesado. Segundo o Inmetro, é possível chegar a 12 km/l nessas condições.

Espaço interno é outro ponto forte, claro que no comparativo com outros hatches de porte similar: o Polo é largo (1,75 metro nessa dimensão) e tem entre-eixos 4 cm maior que o do Onix (2,56 m contra 2,52 m). Já os 300 litros de volume no porta-malas são similares aos de um HB20.

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Os contras

Se o Polo MSI é seguro, espaçoso e anda bem, o que falta a ele, então? Indo direto ao ponto: estilo e recheio.

Tivemos oportunidade de testar os Polo MSI e 200 TSI Highline ao mesmo tempo, e as diferenças de impacto visual proporcionado por ambas ficou bastante latente. Enquanto a unidade turbinada chamava bastante atenção e arrancava elogios, a aspirada passava quase despercebida nas ruas.

O motivo para isso é bem simples: o carro não tem faróis de neblina, luz diurna em LED, nenhum adereço marcante na carroceria nem as "rodonas" do irmão (seu jogo é de liga leve, porém num desenho bastante simplório). Não foi só uma pessoa que abordou nossa reportagem para chamá-lo de "Golzão".

Por dentro o acabamento também deixa a desejar, principalmente se compararmos com o do Fiat Argo, talvez o seu rival mais direto. Faltam, ainda, itens de comodidade e conforto. Pagar R$ 60 mil para ter que ajustar os retrovisores manualmente e não poder regular sequer a altura da coluna de direção? Complicado.

Conclusão

Como "carro", na acepção mais pura do termo, o Polo MSI vale muito a pena. Em segurança é imbatível, em espaço manda bem e em desempenho está de acordo com o que se oferece no segmento. Tudo isso, porém, é entregue de um jeito bastante discreto.

Para quem gosta de "aparecer" no trânsito ou liga para a oferta de "mimos" na cabine a opção deixa de ser interessante. Nesses aspectos a verdade é que ele lembra demais o Gol. Confira todos os detalhes do Polo 1.6 MSI em nosso álbum exclusivo.

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