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É real? Volvo vai vender XC40 como celular nos EUA; no Brasil, quer liderar

Divulgação
Esse carro vai chegar por assinatura ao EUA e Europa. Vai dar certo? Imagem: Divulgação

Eugênio Augusto Brito, Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP) e Barcelona (Espanha)

30/11/2017 14h19

Volvo faz assinatura de seu novo carro nos EUA; no Brasil, promete bater Mercedes, Audi, BMW e Land Rover

São planos tão ambiciosos que nem parecem realistas: a Volvo diz que vai revolucionar o mercado automotivo com seu XC40, crossover/SUV compacto premium apresentado globalmente neste final de novembro, em Barcelona (Espanha). Na Europa e nos Estados Unidos, a marca irá vender seu menor utilitário esportivo como se fosse um aparelho de celular, com programa semelhante àqueles de assinatura de TV a cabo ou de serviços online (como o Netflix). No Brasil, a venda será tradicional, mas a marca promete ser líder do segmento, simples e direta, atropelando Land Rover e BMW, além de Audi e Mercedes-Benz.

Vamos primeiro à ideia para os mercados desenvolvidos, que é a mais instigante. O Volvo XC40 será comercializado por sistema de assinatura valido para a América do Norte e sete países europeus. Nos EUA, o pacote vai custar US$ 600 mensais para a versão Momentum, subindo a US$ 700 para a configuração R Design, mais completa e esportivada. Isso equivale a R$ 2 mil a R$ 2.300 mensais pelo câmbio direto atual.

Ao pagar este valor, online e no cartão, sem qualquer contato com o vendedor na loja, o motorista interessado no Volvo recebe as coordenadas via "equipe concièrge" (o serviço "Volvo On Call") sobre onde vai poder retirar o modelo. O carro é configurado com o pacote máximo da versão e o cliente escolhe apenas a cor. 

(Quem quiser ser "antiquado" poderá comprar o XC40 Momentum por US$ 35.200, subindo a US$ 37.700 para o R Design -- R$ 115 mil a R$ 124 mil.)

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Este custo mensal de US$ 600 ou US$ 700 inclui manutenção (de troca de pneus a palhetas de limpador, por exemplo) até reparos pequenos (como riscos e mini "encostadas" de lataria) e, claro, as revisões periódicas. Se houver problemas maiores, o seguro também está incluso, com franquia mínima (US$ 500) e mais cobertura pessoal (US$ 250 mil) e de terceiros (US$ 500 mil) para acidentes. No fim, o gasto extra acaba sendo mesmo, segundo a promessa da empresa, com gasolina.

"Sabemos que o uso do celular e da tecnologia mudou a vida das pessoas. Ninguém quem saber mais de realmente ter de comprar um carro para poder usá-lo. Importante é poder usá-lo quando precisar e saber, antecipadamente, quais são os custos", afirmou Hakan Samuelsson, CEO da Volvo.

Falando em "lealdade", o executivo afirma que ao final de 24 meses -- prazo da fidelização do plano de assinatura do XC40 --, o comprador pode simplesmente trocar seu velho XC40 pelo modelo atualizado, possivelmente já com inovações de visual e de tecnologia (o carro é um dos modelos que, atualmente, tem auxílio semi-autônomo, mas que poderá andar sozinho em alguns anos).

Esse serviço de assinatura é similar ao que é oferecido por Apple e Samsung nos EUA, mas também por algumas operadoras de celular e de TV a cabo aqui no Brasil. Longe de revolucionar o mercado, embora seja algo ainda novo na indústria de carros, é uma estratégia da marca sueca para conseguir vender seus modelos num mercado tão competitivo quanto o americano. Os compradores locais são ainda fissurados em suas próprias marcas (Ford, GM e FCA têm até suas subdivisões de luxo, a exemplo do que também fazem as asiáticas Nissan/Infiniti, Honda/Acura e Toyota/Lexus) e só têm trocado estas por ótimas novidades de Mercedes-Benz,BMW e Audi, bem como pelos elétricos da Tesla (quando essa consegue entregar).

Há até cinco anos, a Volvo era uma marca fadada à extinção nos EUA, junto à Mitsubishi, segundo alguns analistas locais. Retornou à lista de interesse com a aquisição pela chinesa Geely e o investimento em tecnologia de ponta. A adoção de modos diferentes de negócios pode atrair de vez o consumidor mais novo -- que anda desinteressado de carro e prefere usar o Uber para economizar dinheiro para comprar mais equipamentos eletrônicos.

Vale a pena, portanto, ficar de olho no sucesso (ou fracasso) da empreitada.

No Brasil, liderança é meta; mas tem loja?

Para o Brasil, planos grandes com o XC40: a Volvo quer aumentar em 50% as vendas no próximo ano, e assim se tornar a marca premium que mais vende SUVs no país. Dos 6 mil carros planejados para emplacamento em 2018, mais de 5 mil devem ser com esse tipo de carroceria: 2 mil XC40 e 2,5 mil XC60.

Serão três versões: XC40 T4 (192 cv, 4x2, R$ 169.950); XC40 Momentum (T5, 255 cv, 4WD, R$ 189.950); e XC40 R Design (R$ 209.950). 

Como atingir a meta com estes preços? O grande desafio será fortalecer a rede de concessionárias, pequena. Atualmente são apenas 30 lojas no país, sendo que outras duas estão confirmadas para abrir em Cuiabá (MT) e zona leste de São Paulo (SP) no primeiro trimestre do ano que vem.

"Para vender um carro nessa faixa de preços do XC40 será preciso alcançar consumidores mais emergentes", afirma João Oliveira, diretor de vendas da marca. "Estamos estudando chegar a cidades como Campo Grande, Manaus e cidades do ABC paulista. Mas temos que ir com cuidado, para não sufocar nossos atuais revendedores", aponta o executivo, demonstrando que a tarefa não será fácil.

Outro ponto será como atrair e fidelizar novos clientes. Oliveira admite que a operação brasileira da Volvo carece de uma estratégia unificada para temas como, por exemplo, negociação da troca por um carro usado. Outro ponto criticado por compradores é o pós-venda, com dificuldades para obter peças com prazos e preços viáveis.

O executivo diz que está negociando com concessionários  um possível programa de incentivo à recompra de carros usados da própria Volvo na troca por um novo. De mais concreto o que deve pintar, junto com o próprio XC40, será a possibilidade se estender a garantia dos carros de dois para três anos.

Mas e o pós-venda? Oliveira garante que haverá rede e peças para atender os consumidores entrantes. "Nossos estudos internos indicam que temos um dos serviços mais satisfatórios entre as marcas premium", se esquiva.

Também no Brasil, como nos EUA e Europa, será ficar de olho no futuro do XC40 -- e da Volvo. As promessas são altas, falta entregar.

* Viagem a convite da Volvo Cars

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