Cultura do carro

Fim dos "pelados"! Onix e HB20 mudaram mercado de carros em cinco anos

Arte: Murilo Góes/UOL Carros
Chevrolet Onix Hyundai HB20 Imagem: Arte: Murilo Góes/UOL Carros

Joel Leite

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

07/11/2017 14h24

Há cinco anos, dois modelos iniciaram uma mudança no mercado brasileiro de carros de passeio. As propostas eram semelhantes -- hatches compactos inéditos, com o diferencial de serem mais equipados que os existentes, depois evoluindo para uma família de modelos pequenos. As datas de chegada, também: foram apresentados na época do Salão do Automóvel de São Paulo de 2012, um sendo mostrado um pouco antes, outro no decorrer da feira (entre o final de outubro e a segunda semana de novembro), com estreia nas lojas ocorrendo na sequência. Em pouco mais de duas temporadas, com altos e baixos, Hyundai HB20 e Chevrolet Onix desbancaram os concorrentes, incluindo o então todo-poderoso Volkswagen Gol e o variado Fiat Palio. Esta semana, UOL Carros publica série lembrando essa pequena revolução.

Este primeiro texto é do jornalista especialista em mercado Joel Leite, blogueiro de UOL Carros e responsável pela Agência AutoInforme. Foi originalmente publicado, em sua forma integral, no blog O Mundo em Movimento

Franceso Abbruzzesi, então presidente da Citroën do Brasil, se curvou ao concorrente: "O HB20 colocou o carro brasileiro num patamar superior".

Era o ano de 2012, num mês de outubro como este, e a Hyundai Motor iniciava a operação da sua fábrica no Brasil para entregar o HB20, sustentada pelo êxito dos seus carros importados, que com uma intensa campanha publicitária feita pela Caoa, se tornaram objeto de desejo do consumidor. Na onda desse sucesso, o HB20 foi conquistando a simpatia do consumidor para, em menos de um ano, elevar a produção na fábrica de Piracicaba (SP) para três turnos e atingir vendas mensais da ordem de dez mil unidades, medida que garantiria a vice-liderança do mercado de carros para o HB20.

Na mesma época em que o HB20 chegou, a General Motors entendia que nenhum dos seus carros pequenos atendia o consumidor (Classic, Celta, Agile e Corsa disputavam o mesmo segmento, mas não ofereciam o "algo a mais" que o mercado esperava). No Salão do Automóvel de 2012, lançou o Chevrolet Onix com proposta semelhante àquela do HB20: um carro completo, baseado em três pilares, conforme explicou o diretor de marketing Hermann Mahnk: conectividade, alto nível de conteúdo e transmissão automática de seis marchas.

"Entendemos que o nosso catálogo não atendia o consumidor, que exigia um carro mais equipado, completo. Era preciso um carro que oferecesse maior valor agregado", afirmou Mahnke ao relembrar daquele momento.

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O diretor de marketing da GM faz referência aos carros básicos, que vinham (como muitos ainda vêm) sem equipamentos banais como ar condicionado, aparelho de som, direção hidráulica, vidros elétricos. Em 2012, valia tudo para economizar alguns trocados, ainda que as montadoras deixassem os seus clientes andando com um carro até sem ar quente ou com o porta-luvas sem tampa.

Anos antes, em 1998, o retrovisor do lado direito não era item obrigatório nos carros vendidos no Brasil. Pior: montadoras não incluíam o item nos seus carros de entrada, nem como opcional. Acredite!

O Onix assumiu a liderança em 2015 e nunca mais saiu do topo do ranking. O HB20 assumiu a vice-liderança em setembro de 2015 e continua no posto, enquanto os antigos líderes caiaram pela tabela.

Em 2012, o líder de vendas era o Gol, tendo Uno em segundo lugar e Palio em terceiro, todos carros de entrada. Fox, Celta, Strada, Fiesta, Siena, Classic e Sandero, mais ou menos completos, com carroceria hatch, sedã e até picape, mas todos compactos, completavam o ranking.

Observe a diferença em relação ao ranking atual: Onix na liderança e HB20 rondando o topo, são seguidos por Corolla em sexto (um sedã médio) e Honda HR-V em décimo (um SUV compacto), carros de maior porte e com maior valor agregado.

Menção honrosa: não esqueça do JAC J3

A semente que fez florescer o segmento dos carros completos, no entanto, foi incubada no ano anterior ao da chegada de HB20 e Onix, mais exatamente em 18 de março de 2011. Foi quando um carro chinês "chegou chegando". Amedrontou de tal forma as montadoras instaladas no Brasil, que, apenas seis meses depois, em setembro de 2011, elas conseguiram que o governo aplicasse uma barreira de proteção aos carros feitos no país: os importados passaram a recolher um IPI extra de 30 pontos percentuais -- o chamado "Super IPI".

A propalada "invasão chinesa" era responsável, então, por uma venda de menos de 70 mil carros, aproximadamente o mesmo volume vendido pela... Kombi.

Murilo Góes/UOL
JAC J3 chegou com forte campanha publicitária, muito conteúdo e um mote: "carro completão" Imagem: Murilo Góes/UOL

A rigor, foi o JAC J3 que inaugurou a era dos carros de entrada completos, custando R$ 37.900, preço superior aos dos peladões, que giravam em torno de R$ 30 mil, mas oferecendo um pacote semelhante ao que Onix e HB20 viriam a oferecer depois. O J3 vinha com motor 1.4 de 16 válvulas, sistema de freios ABS e airbag duplo (dupla de segurança que seria obrigatória somente três anos depois), CD player, rodas de liga leve e ar-condicionado. Equipados com esses itens, os carros de entrada na época custariam mais de R$ 42 mil.

Embora não tenha se posicionado na mesma linha de Onix e HB20, o Toyota Etios também tinha a proposta de oferecer mais equipamento, seguindo essa tendência. Só recentemente chegaram o novo Volkswagen Polo e Fiat Argo representando tudo isso em carros das duas líderes de antes.

Mahnke considera que carros como o Onix e o HB20 elevaram o patamar de exigência do mercado e por isso não acredita mais no sucesso de um carro básico.

"Os subcompactos retomam a fórmula de oferecer pouco, por isso não vão mais voltar à liderança do mercado", afirmou, fazendo referência velada a carros como o Kwid, da Renault, que chegou à vice-liderança e desbancou o próprio HB20 em setembro, no primeiro mês do seu lançamento, mas que não teria fôlego para se manter entre os líderes.

Cassio Pagliarini, diretor de vendas e marketing da Hyundai Brasil, faz análise semelhante: "Apostamos na fórmula de oferecer um carro completo; acreditamos que o consumidor brasileiro estava buscando algo mais. Nossa proposta foi aproveitar a imagem positiva da Hyundai construída no período anterior, oferecer um carro bonito e buscar um segmento superior do mercado. Não entramos para disputar preço. Colocamos um carro com airbag e ABS de série e para dar confiança ao consumidor oferecemos a garantia de cinco anos".

A propósito, a Hyundai encontrou o primeiro comprador do HB20, cuja garantia acabara nesses dias, e o presenteou com um HB20 modelo 2018, em ação de marketing.

Ambos dirigentes consideram encerrada a "era Gol", definida como aquela em que um carro básico tenha ficado por tanto tempo (27 anos) na liderança do mercado. Isso só ocorreu porque os principais concorrentes -- de Mille a Ka, Celta e Palio -- também eram modelos básicos básicos e quase sempre com motores de 1000 cc.

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