Salão de Tóquio

Toyota pode ter SUV estilo "tanque de guerra" no Brasil para encarar HR-V

Eugênio Augusto Brito/UOL
Toyota TJ Cruiser Concept tem cara de carro forte e passa a ideia de um modelo robusto e espaçoso Imagem: Eugênio Augusto Brito/UOL

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em Tóquio (Japão)

25/10/2017 13h52

A Toyota usa o Salão do Automóvel de Tóquio para mostrar como o Japão é avançado: o público das Olimpíadas de 2020 só chega em dois anos, mas o novo táxi japonês (JPN Táxi) e o novo sedã grande preferido de motoristas locais (Crown) já estão prontos, assim como um ônibus inteligente movido a célula de hidrogênio que usa câmeras para deixar os passageiros seguros (Sora Bus). Há ainda conceitos de transportes que só vão dar certo em cinco, dez ou vinte anos. Mas nada disso serve para o Brasil.

Qual a solução, então? O chefão da marca para América Latina e Brasil, Steve St. Angelo, conversou com UOL Carros e afirmou: "Olhe menos para o Salão de Tóquio, tenha um pouco de paciência e preste atenção no próximo Salão de São Paulo". O evento ocorre daqui a um ano, mas o executivo está confiante: "Será o melhor momento da Toyota no Brasil, vamos surpreender a todos".

A Toyota pode se dar ao luxo de esperar mais um ano para surpreender o brasileiro? Ok, a marca é líder absoluta do segmento de sedãs médios com o Corolla (vende mais que o dobro do segundo colocado e ainda figura ao lado de carros pequenos no topo do ranking de modelos mais vendidos). Também é dona da preferência quando o assunto é picape média (ainda que de forma apertada, a Hilux vende mais que a rival Chevrolet S10).

Só que entre carros compactos e SUVs, ela está defasada. O Etios demorou anos para ter curso (e nível de equipamentos) corrigidos, enquanto não se vê qualquer alternativa a modelos como Honda HR-V, Jeep Renegade e Jeep Compass no horizonte.

Muito se fala, inclusive aqui em UOL Carros, sobre o uso do C-HR como rival perfeito ao HR-V, mas St. Angelo faz careta e discorda: "A imprensa chama o carro de SUV, mas ele é um crossover tecnológico e apertado demais no banco de trás". Segundo o executivo, poderia ser usado como um carro de estilo, sobretudo com motor híbrido (com chance de ser flex), mas ainda assim seria "caro demais" para o país.

Eugênio Augusto Brito/UOL
Daihatsu DN Trec é quase do tamanho de um WR-V, mas é um pouco mais alto e tem visual mais interessante Imagem: Eugênio Augusto Brito/UOL

Olhe para nossos conceitos

Qual a saída, então? St. Angelo sabe que a marca precisa de um SUV para chamar de seu e disse que soluções podem sair de conceitos. A própria Toyota mostra em Tóquio o TJ Cruiser que é, nas palavras dos próprios engenheiros, um "caixa de ferramentas sobre rodas".

"Quadradão", tem cara de carro forte e passa a ideia de um modelo robusto e espaçoso -- mas também é, convenhamos, bem estranho. A plataforma é a mesma TNGA do Prius e do próprio C-HR, ou seja, também guarda espaço para versão híbrida. EUA, Europa, China e outros países que não se "dariam bem" com o C-HR são alvos do TJ.

"Serve para o Brasil? Talvez", afirma St. Angelo. "Mas é apenas um conceito, ainda vamos medir as reações dos consumidores, por isso vamos mostrá-lo em salões. Eu também ficaria de olho também nos conceitos da Daihatsu, tem muita coisa boa saindo dali", completou o executivo.

Esta deixa aponta diretamente para o DN Trec, o carro da foto que abre esta reportagem: com o mesmo tamanho do Honda WR-V, porém mais alto e com visual mais interessante, o DN Trec usa a plataforma DNGA (uma versão de baixo custo da TNGA), tem espaço para cinco ocupantes e prevê motores 1.0 turbo ou 1.5 híbrido.

"A marca vai fornecer soluções para diversos mercados emergentes", aponta o chefão da empresa, dando pistas de que o modelo precisaria de alterações para o Brasil -- e que, portanto, ainda se trata de um estudo para nós.

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Steve St. Angelo, chefão da Toyota para América Latina, é reconhecido pelo bom senso de humor Imagem: Eugênio Augusto Brito/UOL

Confirmados

Há algo de concreto, então? St. Angelo abre um sorriso e fala do Yaris: "temos grandes planos para esta família, coisas que nunca pudemos fazer com o Etios.

Segundo o executivo, a base do Yaris vai permitir ir além do hatch e do sedã, que chegam a partir do segundo semestre do próximo ano. "Veja nosso conceito feito com o Yaris atual com a [divisão esportiva] Gazoo", afirma, fazendo referência ao carro de rali com mais de 260 cv. "São possibilidades incríveis e podemos ter versões e modelos especiais que servem ao Brasil, como nunca pudemos ter antes".

Fizemos a pergunta lógica: há chance de se fazer um SUV do Yaris? "Não sei se propriamente um SUV, mas um veículo especial", respondeu. Um Yaris aventureiro, talvez? "Algo de que os brasileiros gostam, você verá, vamos surpreender", despistou.

Por fim, UOL Carros perguntou sobre o Prius e sua nacionalização. St. Angelo diz que sairá do papel, mas apenas na próxima geração. Não é algo muito distante (deve acontecer apenas em quatro ou cinco anos)? "É? Então mostraremos algo com motor híbrido flex antes", concluiu com uma sonora gargalhada. "O próximo Salão de São Paulo será fantástico."

*Viagem a convite da Anfavea

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