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Donos de Polo dão dica à VW: carro novo precisa ser robusto como o antigo

Murilo Góes/UOL
Imagem: Murilo Góes/UOL

Fernando Miragaya

Colaboração para o UOL, no Rio (RJ)

25/09/2017 04h00

Anos 2000: em uma época em que a Volkswagen tinha no velho Gol sua base de vendas e no Golf de quarta geração o sopro de tecnologia, a chegada do Polo quebrou paradigmas. Em 2002, o Polo "mundial" trouxe plataforma moderna para a época (PQ24, depois usada até para fazer o Gol de quinta geração), com soldas a laser e avanços em termos de construção para o singelo segmento de compactos. Logo conquistou fãs.

Só que o que é bom não precisa durar tanto -- e, no Brasil, a indústria automobilística teima em esticar prazos de validade. À base de reestilizações em cima do modelo de quarta geração daqui, a VW brasileira pulou a quinta atualização do carro na Europa e depois encerrou de forma melancólica o ciclo do Polo nacional em 2013. Só agora o modelo volta à vida e às lojas com a sexta geração (justiça seja feita, quase que simultaneamente com o Velho Mundo).

E essa falha de continuidade é, veja só, uma das raras críticas ao modelo. UOL Carros ouviu donos do Polo e a maioria se derrete em elogios até hoje. Qualidade de construção e desempenho são os motivos que mais agradam ao donos e ex-donos, seja do hatch ou do sedã, seja com motor 1.6 (101/104 cv) ou 2.0 (116/120 cv).

Dono de Polo é tão fã, que acredita que essas virtudes deverão e serão mantidas na futura geração e dão poucos pitacos para carro que vem por aí: estão mais que satisfeitos com o que o modelo já entregava.

Forte e completo

Tempo não é problema para donos de Polo. O engenheiro Humberto José Buzzi, morador de Curitiba, tem seu Polo 2003 Sportline há 10 anos. Detalhe: foi o substituto do Polo 1.6 Comfortline, também 2003. Buzzi confessa que queria um Golf, mas que o custo/benefício do Polo compensava, já que ele transmitia a mesma segurança do hatch médio custando menos.

"Quando o vi pela primeira vez reparei imediatamente na robustez, como, por exemplo, nas portas reforçadas, no teto sem aquela borracha de vedação e no padrão de acabamento. Depois que comprei fui pesquisando e me tornei fã. Aqui em casa só temos Volkswagen e o Polo é o melhor", afirma.

Em Belo Horizonte, Hugo Guimarães é outro que tem um dos primeiros Polo fabricados no Brasil, na configuração sedã. O gestor de TI destaca o nível de equipamentos de série do carro, com direção com assistência eletro-hidráulica, volante com ajustes de altura e de profundidade e ar-condicionado digital -- equipamentos que, mesmo nos dias de hoje, ainda são raros em outros compactos.

Guimarães lembra que o comportamento dinâmico do carro é o que mais impressiona, principalmente para os padrões brasileiros do início dos anos 2000: "Você percebe essa qualidade de construção ao dirigir um carro de outra marca fabricado no país daquela época. É o mais robusto em curvas. Soldas a laser eram utilizadas em carros de luxo e esportivos, como BMW e Mercedes".

Arquivo pessoal
Humberto José Buzzi tem um Polo Sportline 2003 há 10 anos e enaltece o acabamento e a robustez do carro Imagem: Arquivo pessoal

Vontade esportiva

Desempenho é outro chamariz do veículo. O analista de suporte Juliano Souza, morador de Joinville (SC), se identifica tanto com essa vertente que está em seu quarto Polo: um GT 2010/2011, versão com detalhes mais arrojados e motor 2.0.

O anterior, um Plus 2010/11 (com o qual ficou cinco anos), ainda está com seu pai e o gosto pelo compacto parece ser hereditário: "Ele comprou um Polo hatch 2004 e, depois, um sedã 2007, ambos zero-quilômetro". A partir daí comecei a gostar do carro", recorda Souza.

A despeito de críticas da época, que consideravam o Polo um automóvel com pós-venda salgado, fora dos padrões da VW, Souza elogia até as condições de manutenção. "É um carro de manutenção fácil e barata. Nunca tive problemas, apenas fiz a devida revisão", garante.

Arquivo pessoal
Versão com detalhes arrojados e motor 2.0: este é o Polo GT 2011 de Juliano Souza, advogado de Joinville (SC) Imagem: Arquivo pessoal

Saudosismo

Eduardo Gonçalves Ferreira, advogado e morador do Rio de Janeiro, tem saudades do seu Polo Sedan 1.6 2006. Ele ficou quase três anos com o carro e jura que só trocou por um Bora porque precisava de mais espaço.

"O que mais gostava era da estabilidade e precisão, principalmente na estrada, que dá prazer ao dirigir. O motor me atendia o suficiente na cidade e na estrada. É um carro bem construído, que passava sensação de ser de categoria superior", ressalta.

Arquivo pessoal
Eduardo Ferreira tem saudades do Polo Sedan 1.6 2006. "Só troquei porque precisava de mais espaço" Imagem: Arquivo pessoal

O que o novo Polo deve ter?

Ferreira já está atento à nova geração, que será apresentada esta semana no Brasil, mas não pensa em comprar de imediato. Os outros donos de Polo também já crescem o olho para o renovado compacto. E até dão algumas dicas para a Volkswagen.

"A Volkswagen tem que fazer um preço justo. Para ganhar mercado aqui no Brasil, é preciso ter preço e itens que transmitam a sensação de estar levando mais por menos", sugere Humberto José Buzzi.

"Já tive a oportunidade de ver a nova versão, participei de um evento e vi o novo Polo. Gostei bastante, com exceção de alguns detalhes, como o suporte do celular que vem como no Gol, e ausência da borracha da janelinha traseira. É um carro totalmente novo e moderno. Esperamos que faça sucesso, já que o Polo parecia um pouco deixado de lado", pondera Juliano Souza.

Um consenso entre os admiradores do modelo é quanto ao prazo de validade do futuro Polo. O atual ficou mais de 10 anos no mercado com algumas reestilizações, novas versões, mas sem significativas mudanças estruturais ou no interior.

"Acho que foi uma estratégia ruim que se reflete até hoje, pois a VW tentou elevar o status do Fox, fez o Gol parecido com o Polo europeu e, com o lançamento do novo Polo, vemos sempre notícias sobre modificações da linha. Pessoas que não acompanham muito sobre carros podem achar que o Polo copia o Gol e ter uma rejeição inicial por ele", alerta Ferreira.

"Essa é uma das minhas maiores críticas sobre a Volkswagen no Brasil: o Polo nunca deveria ter saído de linha. As vendas esfriaram por política da marca e pela falta de enaltecer as qualidades do carro", finaliza Buzzi.

 

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