Mobilidade

Trump reduz exigências de segurança para acelerar carro autônomo nos EUA

Nicholas Kamm/AFP
Presidente Trump e Mary Barra, CEO da GM, posam ao lado do Bolt, que é elétrico e será autônomo Imagem: Nicholas Kamm/AFP

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em São Paulo (SP)

06/09/2017 18h08

Parlamentares norte-americanos aprovaram, por unanimidade, uma proposta abrangente enviada pelo gabinete do governo de Donald Trump para acelerar a fabricação e venda de carros autônomos nos Estados Unidos, informaram nesta tarde agências como "Reuters" e "Automotive News". 

Este projeto de lei agora vai ao Senado e, se aprovado também por lá, permitirá que as montadoras vendam até um limite de até 25 mil veículos no primeiro ano sem atender aos padrões básicos de segurança automotiva estabelecidos, limite que será ampliado para 100 mil veículos por ano ao longo dos três anos seguintes. Se mais unidades forem vendidas, será necessário seguir todo o protocolo estabelecido.

No governo anterior, o presidente Barack Obama propôs um pacote de US$ 4 bilhões para acelerar o desenvolvimento de carros elétricos, mas havia proposto que as fabricantes e autoridades de segurança viária discutissem uma série de medidas de segurança para autônomos, que resultaram no protocolo de 15 pontos. 

Com a troca no comando da Casa Branca, fabricantes como General Motors, Waymo (o antigo Google Car, agora em conjunto com a Fiat-Chrysler), Tesla, Ford, Uber (em conjunto com Volvo), Grupo Volkswagen, entre outras, iniciaram um lobby junto ao governo para facilitar a implantação de tecnologia autônoma. Se a ideia inicial difundida em diversos países é ter autônomos totais sendo vendidos em 2020, agora há planos para antecipar esta chegada.

Marcas celebram, associações reclamam

Em declaração oficial, a direção da GM afirma que a medida da Câmara é "um bom progresso em direção a uma lei que facilite a realização da segurança, mobilidade e benefícios ambientais dos veículos autônomos".

Na próxima semana, a Audi vai mostrar no Salão de Frankfurt a nova geração do A8, primeiro carro a ser vendido em lojas com Nível 3 de autonomia (um carro comum é Nível 0; um carro totalmente autônomo é Nível 5). Este carro chega às lojas europeias antes do final do ano e, em 2018, também aos EUA e Brasil.

Pelo projeto aprovado pelos congressistas nesta tarde, as fabricantes deverão apresentar relatórios de avaliação de segurança às autoridades, mas não haverá exigência de aprovação prévia das tecnologias avançadas de carros autônomos. Cada um dos Estados ainda pode estabelecer regras sobre registro, licenciamento, responsabilidade, seguros e inspeções de segurança, mas não será necessário definir padrões de desempenho para carros sem motoristas. 

De toda forma, o Congresso americano ainda pensa em exigir que as montadoras adicionem um alerta para que o responsável pelo carro verifique se os cintos de segurança estão afivelados, se nenhuma criança está sozinha a bordo e se os faróis estão operando corretamente. A proposta vale apenas para carros, não incluindo caminhões autônomos.

Grupos de defesa de consumidores estão buscando salvaguardas adicionais para a nova proposta de regras federais, mas o projeto está seguindo em regime de urgência, provocada por novos dados de acidentes em vias americanas. "A conta de veículo autônomo que acabou de passar pelo Congresso deixa um clima de 'oeste selvagem', sem proteções de segurança adequadas para os consumidores. É presunção de qualquer Estado estabelecer padrões de segurança, mas isso não existe a nível nacional", afirmou o grupo Consumer Watchdog em comunicado enviado à Reuters.

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Acidentes vão acabar?

Em 2015, o país registrou aumento de 7,7% no total de acidentes, maior salto anual desde 1966, quando mais de 6,3 milhões de pessoas ficaram feridas em 2,44 milhões de colisões. Estudo citando dados de 2014 mostra, ainda, que os custos de acidentes de trânsito nos EUA representaram perdas de US$ 836 bilhões (R$ 2,6 trilhões), sendo que 94% dos acidentes ocorreram por falha humana.

Um dos preceitos do carro autônomo defendido por fabricantes -- mas ainda sem qualquer comprovação prática -- diz respeito à possibilidade de reduzir drasticamente o total de acidentes automotivos. A Volvo Cars, inclusive, afirma querer zerar o número de acidentes e de mortes a bordo de carros da marca, na Europa, a partir de 2020.

Protocolos de segurança autônoma

Até 2016, autoridades e fabricantes norte-americanos discutiam séries de regras de segurança próprias para carros autônomos. Com isso, uma lista de pelo menos 15 medidas -- que agora podem se tornar desnecessárias -- se tornaram parâmetros básicos para o desenvolvimento de qualquer modelo autônomo: 

1. Compartilhamento de dados dos carros com autoridades;

2. Privacidade dos ocupantes deve ser priorizada;

3. Veículo deve responder rapidamente e se manter em movimento seguro mesmo com acidentes próximos, perda de tração e falhas de sistema;

4. Veículos devem ser "blindados" contra ataques online (hackers);

5. Carros devem ter uma forma fácil de passar do modo autônomo para o modo de controle humano (volantes e pedais);

6. Autônomos devem atender aos mesmos requisitos de segurança para ocupantes em caso de acidentes dos carros convencionais (resistindo ao mesmo padrão de crash-tests);

7. Fabricantes devem treinar vendedores e mecânicos para lidar com carros autônomos;

8. Todo novo software precisa ser validado por autoridades de segurança viária;

9. Carros autônomos acidentados precisam ser revisados e autorizados antes de voltar a rodar novamente;

10. Autônomos devem seguir as mesmas regras de trânsito válidas para motoristas;

11. "Ética" do carro autônomo deverá ser totalmente divulgada e aprovada por autoridades de trânsito;

12. Manual de "como", "onde" e "quando" um autônomo funciona deveria ser validado por autoridades de trânsito;

13. Comportamento de autônomos na vida real (com outros carros e com situações adversas) deve ser discutido junto a autoridades de trânsito;

14. Em caso de falha grave, o autônomo deve ser capaz de voltar a ser um "carro comum" de modo suave e seguro;

15. Fabricantes devem desenvolver por conta métodos de teste e de validação para todo tipo de nova tecnologia autônoma. 

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