Cultura do carro

Quatro anos depois do fim, Kombi ainda vende bem (e tem manutenção fácil)

Alessandro Reis

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

01/09/2017 08h00

Já são praticamente quatro anos de aposentadoria, mas engana-se quem pensa que a Kombi virou apenas item de colecionador, alvo de entusiastas e exportadores. Como foram feitas mais de 1,5 milhão de unidades no país de 1957 a 2013 e nenhum sucessor apareceu após isso, nada mais natural que o modelo siga com alta procura, agora no mercado de usados: em julho, a Velha Senhora figurou em sexto lugar no ranking oficial da Fenabrave, somando 6.513 negociações.

De janeiro a julho, somam-se 42.870 comercializações.

Em 2016, foram 72.850 trocas de mão da Velha Senhora. São números expressivos.

Com o apelo de sempre -- preço acessível, boa disponibilidade de peças de manutenção e mecânica simples de lidar -- ainda é um veículo muito usado para o trabalho, desde transporte de mercadorias até funcionar como food truck ou loja móvel. 

UOL Carros ouviu donos de Kombi que usam o veículo não apenas para pegar no pesado como também veículo de passeio. Em geral, os relatos são boa oferta de peças no chamado aftermarket, de componentes paralelos. A exceção fica por conta de detalhes de acabamento e itens de modelos mais antigos.

"Como foram produzidas muitas unidades e considerando que a Kombi compartilha componentes com outros modelos de grande volume, como Fusca, o mercado independente de itens de reposição está bem abastecido", avalia Antonio Fiola, presidente do Sindirepa (sindicato paulista da Indústria de Reparação de Veículos).

Os valores [das peças] ainda não ficaram mais caros, mas isso deve acontecer com o passar dos anos, quando a Kombi de fato virar raridade e ficar restrita aos colecionadores."

Ricardo Takamura/Arquivo pessoal
Essa Kombi 1974 do fotógrafo Ronaldo Poli tem dois trabalhos e ainda consegue curtir viagens ocasionais Imagem: Ricardo Takamura/Arquivo pessoal

Ainda está em conta

Empresário, publicitário e fotógrafo, Ronaldo Poli comprou uma Kombi 1974 em janeiro de 2013. Depois de cuidadosa reforma, presta serviço nos finais de semana transportando noivas em casamentos e também como "Photokombi", um estúdio fotográfico móvel.

Durante a semana, a Kombi velha de guerra assume o papel de pet shop sobre rodas, com itens para cães e gatos de seus clientes em São José dos Campos (SP).

"Me atrai a versatilidade de adaptação para as mais variadas funções, além de ser um carro de fácil manutenção. Anteriormente, recorria a desmanches e peças mais baratas. Atualmente, já não se encontra componentes com tanta facilidade para as mais antigas, de 1975 para trás", relata.

O jeito é recorrer a clubes de entusiastas da Kombi quando tem mais dificuldade para encontrar alguma peça.

Já o técnico em logística Técio Bruno comprou neste ano uma Kombi 1998 que até tem nome: Geralda. Do modelo envidraçado, a Kombi pega no batente fazendo entrega de mercadorias, enquanto os fins de semana são reservados ao lazer. "Está difícil achar algumas peças, mas nem todas. O limpador do para-brisa é um componente que não se encontra com tanta facilidade", relata.

O produtor de eventos Elton Bernardo prefere os modelos mais antigos, refrigerados a ar, e tornou-se o proprietário de uma Kombi Furgão 1991 há pouco mais de 40 dias. A "vida mudou", diz ele, que usa o veículo para transportar bebidas em eventos na capital paulista, além de peças automotivas que comercializa. "Mesmo sendo furgão, eu coloco meus amigos dentro e vamos passear. Pego estrada, pego trânsito, mas me divirto, pois a simplicidade e o pouco conforto são as coisas que acho legais na Kombi".

"Por ter motor refrigerado a ar, a manutenção é barata, tem muita peça no mercado e não podemos esquecer que as mais antigas compartilham muitos componentes com o Fusca. Para ter uma ideia, esses tempos troquei o cabo da embreagem e paguei só R$ 22", relata.

Rudinéia Hajjar/Reprodução
A Kombi Furgão que vira quarto sobre rodas:"Nenhum arrependimento em tê-la comprado" Imagem: Rudinéia Hajjar/Reprodução


Eduardo Henrique Neuhaus, empresário de Três Passos (RS) comprou há cerca de um ano uma Kombi Furgão 1986 para trabalho e uso pessoal. O veículo, inclusive, foi adaptado em quarto, com banco que vira cama e outros apetrechos para cair na estrada com a namorada em dias de folga.

"Temos quatro cachorros e um gato e todos viajam juntos. Quanto à manutenção, é fácil arrumar peças com preço acessível. Ainda existem mecânicos que gostam de lidar com carro velho. O importante é deixar tudo em dia é assim não haverá problemas", afirma Neuhaus, que encontrou a Kombi parada embaixo de uma árvore já há seis meses.

"Não tenho nenhum arrependimento em tê-la comprado. Com o tempo, será cada vez mais valorizada", conclui.

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