Mobilidade

Brasil só vai se ligar em carro elétrico em 15 anos, diz chefão da VW

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Fábrica da VW no ABC: foco em carro flex mais eficientes nos próximos anos Imagem: Divulgação

Alessandro Reis

Colaboração para o UOL, em São Bernardo do Campo (SP)

21/08/2017 04h00

Para executivo falta interesse do governo e sobram problemas de infraestrutura, oferta de energia elétrica e impostos

Embora a Volkswagen tenha anunciado guinada histórica na Europa, concentrando os gastos em pesquisa e desenvolvimento de carros elétricos (impulsionada, internamente, pelo escândalo da fraude de motores a diesel), no Brasil a marca vai focar nos tradicionais motores flex a combustão, com foco em consumo e eficiência pelos próximos cinco a dez anos, uma vez que o país não tem política de incentivo a carros alternativos

Para o presidente da marca no Brasil, a situação só deve começar a ficar favorável a carros elétricos no país em 15 ou 20 anos.

Em entrevista concedida a jornalistas durante anúncio de investimentos de R$ 2,6 bilhões na fábrica de São Bernardo do Campo (SP), para produzir a nova geração do Polo e o sedã Virtus, o presidente da marca no Brasil, David Powels, afirmou que não vê elétricos ganhando relevância no país a curto prazo.

"Nos próximos cinco, dez anos, não sei se carro elétrico vai ter uma grande participação no mercado brasileiro. Não sei se isso vai ser uma prioridade do governo. Vamos ver quais as propostas que ele vai ter no Rota 2030", afirmou o executivo.

Na visão do executivo há problemas locais nas áreas de infraestrutura, oferta de energia elétrica e também de impostos.

Omar Paixão/Divulgação
Powels: "Não sei se investimento em elétricos será prioridade para o Brasil nos próximos cinco anos". Imagem: Omar Paixão/Divulgação

Com que política e estrutura?

Powels afirma faltar uma política definida por parte do governo, que incentiva o uso do etanol, mas ignora o comércio de carros elétricos e híbridos no país. UOL Carros já apontou que os elétricos estão sendo deixados para escanteio nas discussões sobre o Rota 2030, novo programa automotivo federal.

"Nosso mercado tem etanol em excesso, mas falta energia elétrica. Como a economia está se recuperando, o problema da energia vai ser ainda maior do que agora", apontou.

Segundo o executivo, a infraestrutura brasileira é ineficiente e não temos sequer uma regulamentação para postos de recarga: "Para esses carros funcionarem, precisa ter investimento de infraestrutura e não sei se esse investimento será uma prioridade para o Brasil nos próximos cinco anos".

Nesse sentido, o Brasil segue na contramão do cenário visto na Europa, onde sobretudo a legislação com limites cada vez mais estritos de emissões tem forçado as principais fabricantes a lançar um volume crescente de veículos total ou parcialmente eletrificados.

Longo prazo

Powels, porém, acredita que uma hora a "chave vai virar". "Se falarmos em prazo longo, nos próximos 15, 20 anos, o carro elétrico vai ter uma grande participação no mercado brasileiro", previu. "Mas a estratégia aqui das montadoras vai depender da política de governo", complementa.

É por isso que, na visão do presidente, a novíssima gama de veículos elétricos que a matriz da Volkswagen irá lançar na Alemanha até 2020 anos tem chances de ser vendida no Brasil, mesmo que como importada. "Vamos ter a oportunidade de trazer alguns desses carros, em volume pequeno, para lançar em cidades grandes, se houver demanda".

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