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Acabou a febre: carro zero com estepe pendurado está entrando em extinção

Murilo Góes/UOL
Ford EcoSport é um dos únicos modelos que continuarão a oferecer estepe à mostra em todas as versões Imagem: Murilo Góes/UOL

Leonardo Felix
Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

14/07/2017 04h00

Projetos novos estão abolindo o pneu reserva exposto, cada vez mais restrita a projetos antigos. Veja quem ainda conta com o item

Ford EcoSport, Citroën Aircross, Chevrolet Spin Activ, Volkswagen CrossFox, Fiat Idea Adventure, Chery Tiggo. O que todos esses carros têm em comum? Todos possuem estepe pendurado na tampa do porta-malas, mesmo sendo veículos de proposta quase estritamente urbana.

Houve um momento em que desenhar um modelo com proposta mais robusta e "aventureira" no Brasil passava necessariamente por projetar o pneu reserva na parte de fora da carroceria. O EcoSport talvez seja o maior ícone desse conceito.

Entretanto, já é possível afirmar que a tendência está aos poucos arrefecendo. Observe os novos SUVs urbanos e hatches aventureiros: Honda HR-V e WR-V, Jeep Renegade, Nissan Kicks, Hyundai Creta e HB20X, Chevrolet Onix Activ, Ford Ka Trail... Nenhum deles traz o estepe à mostra.

Mesmo entre quem tradicionalmente adotava o estilo a situação está virando. Toyota RAV4 e Chery Tiggo, por exemplo, abandonaram a peça na troca de geração -- que, no caso do Tiggo, ainda está para ser lançada. Até utilitários e modelos off-road genuínos, como Suzuki Vitara e Land Rover Discovery, deixaram a "moda" para trás.

Já o Aircross não aboliu a solução de vez, mas na linha 2018 resolveu deixar a quinta roda pendurada no porta-malas apenas em uma das quatro versões oferecidas. Por quê? "Até 2016 as versões com estepe pendurado representavam mais de 50% das vendas. Hoje mal passa de 5%. É uma redução muito drástica", analisa Vitor Klizas, presidente da consultoria automotiva Jato Dynamics.

"Muitos clientes gostam do visual, porque dá uma sensação de mais robustez, mas também existe uma parcela importante que prefere o estepe guardado na parte interna, por questão de segurança, para evitar roubos e furtos. Preferimos dar essa opção aos compradores", justificou a UOL Carros Fábio Alves, gerente de marketing de produto da Citroën.

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Murilo Góes/UOL
Até os pseudo-aventureiros estão abandonando onda: basta ver Ka Trail, Onix Activ, HB20X, Sandero Stepway... Imagem: Murilo Góes/UOL

Falta de praticidade e insegurança falam contra

Falta de praticidade. Esse é o fator nevrálgico que tem afugentado consumidores dos veículos com estepe exposto.

"Veículos off-road genuínos dependem de bons ângulos de ataque e saída e de boa capacidade de carga, o que justifica o estepe exposto. Quando se aplica isso a um carro urbano, você acaba não usufruindo desse benefício e ainda sofre com detalhes que complicam o dia a dia do motorista: se o pneu está preso à tampa, então ela fica pesada e sujeita a deformações a barulhos. Se fica num suporte escamoteável, vai obrigar o dono a ter trabalho duplo toda vez que quiser abrir o porta-malas", explica o presidente da Jato.

Há ainda o fator segurança: as pessoas consideram que, nessa configuração, o conjunto fica mais suscetível a roubos. "É uma preocupação, sem dúvidas, mas que não impacta tanto na decisão quanto o problema da praticidade", argumenta o especialista.

Nossa reportagem conversou com proprietários de modelos dotados de estepe pendurado e constatou que esses dois fatores realmente são os que mais pesam contra. "Atualmente prefiro o estepe dentro do carro. É mais prático e diminui a chance de furtos", conta Leonardo Canhizares, auxiliar administrativo de Guarulhos, que é proprietário de um Aircross.

"Eu tive que comprar corrente para proteger mais, mas ela acaba encostando na carroceria e aumenta o risco de aranhar a pintura", relata a fonoaudióloga Renata Scancarelli, de São Paulo (SP), ex-dona de um Aircross. "Até acho bonito esteticamente, mas não é nada prático para abrir, principalmente em estacionamentos", acrescenta.

Alessandro Reis/UOL
Repare no estepe do EcoSport 2016 do aposentado Antônio José: são duas correntes para proteger a peça contra eventual furto Imagem: Alessandro Reis/UOL
Há quem goste

Não pense, porém, que todos os apreciadores do estepe externo mudaram sua opinião a respeito. Ainda há quem defenda ferrenhamente o estilo e a proposta do equipamento.

"Eu prefiro o estepe para fora. Nunca tive problemas para abrir nem com furtos, e nunca tive necessidade de comprar item de segurança para prendê-lo. Além do mais, o carro fica muito mais lindo assim", opina Michael Franklin, açougueiro de Curitiba e dono de um Aircross.

Já o aposentado Antônio José, proprietário de um EcoSport 2016 de São Paulo, aponta que a solução torna mais fácil a vida do motorista na hora de trocar um pneu furado. "Estepe na altura do assoalho do porta-malas é muito difícil de tirar. Tem que deitar no chão para fazer isso, o que eu acho ridículo", afirma.

O aposentado também garante não ter medo de ter o conjunto roubado, embora esteja usando não uma, mas duas correntes para prendê-lo. "Não me preocupo, porque o carro tem seguro. Coloquei o cadeado só para não facilitar as coisas para os ladrões", minimiza.

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Para a linha 2018, Citroën restringiu oferta do Aircross com estepe exposto à versão de topo Shine Imagem: Murilo Góes/UOL

Quem ainda mantém?

Por tudo isso, hoje são poucos os carros dotados de estepe exposto no Brasil. Atualmente só projetos mais antigos, como Suzuki Jimny, Mitsubishi Pajero Full e o próprio EcoSport, dispõem do item em toda a gama de versões. Aircross Shine, CrossFox e Spin Activ são as demais opções, atuando como mera "versão aventureira" na gama e sempre com menos de 20% de participação nas vendas integrais dos modelos.

A situação do EcoSport é a mais curiosa: na Europa e nos Estados Unidos o utilitário esportivo compacto já perdeu o pneu reserva à mostra, mas no Brasil a reestilização manterá a controversa peça em todas as versões. Oficialmente a Ford diz que tomou a decisão porque "os clientes pedem".

Alguns executivos, porém, deixaram escapar a UOL Carros que a mudança chegou a ser cogitada, mas "financeiramente não valeria a pena".

Afinal, seria preciso alterar o desenho da tampa do porta-malas e do para-choque traseiro (o que significa aumento de custos), além de sacrificar o já apertado espaço do bagageiro para acomodar a quinta roda, já que o país ainda não se acostumou a alternativas como estepe provisório, pneus runflat ou máquinas de reparo emergencial.

Vitor Klizas, da Jato, não acredita que a montadora americana vá perder clientes por conta dessa decisão. "Certamente a escolha está muito bem embasada nas pesquisas internas. Agora, se eles detectarem que estão ficando para trás por causa disso, certamente terão como atualizar o portfólio rapidamente", analisa.

Ou seja: não descarte a possibilidade de o EcoSport adotar versões sem pneu reserva num futuro próximo. Afinal, vem ficando cada vez mais claro que o item está para se tornar artigo em extinção.

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