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Você sabe como funciona a manutenção de carros híbridos e elétricos?

Alessandro Reis

Colaboração para o UOL

11/07/2017 04h00

Especialistas explicam como funcionam os serviços de manutenção, seguro e plano de revisões dos chamados carros "verdes"

Quando se trata de carros elétricos e híbridos, é necessário tomar alguns cuidados ao utilizar o veículo para não danificar componentes eletrônicos e manter as baterias em boas condições. Uma das principais recomendações das montadoras com modelos deste tipo é, como em automóveis convencionais a combustão, não deixar o veículo parado por longos períodos.

De acordo com Emílio Paganoni, gerente sênior de treinamento, vendas e pós-vendas da BMW, o ideal é utilizar modelos como o i3 -- único carro 100% elétrico vendido no Brasil ao consumidor final -- com regularidade.

Ao deixar o veículo estacionado por muito tempo, recomenda-se mantê-lo plugado na rede de energia elétrica, de forma a manter a carga -- o i3 tem bateria convencional de 12 volts para fazer funcionar seus sistemas eletrônicos e um conjunto de 96 baterias distribuídas em oito módulos, que fazem funcionar o motor elétrico.

"O ideal é manter, quando estacionado, no Wallbox, que é o carregador rápido da BMW, também responsável por fazer o gerenciamento da energia. Se for ligar na rede elétrica convencional, esta deve estar devidamente aterrada, para evitar que picos de energia danifiquem componentes eletrônicos do carro. A própria tomada do i3 faz esse gerenciamento", explica Paganoni.

Segundo o executivo, esse gerenciamento evita danos e, mesmo que as baterias se esgotem, elas não são danificadas. "O problema é que a falta de energia pode causar problemas na parte eletrônica, que tem equipamentos e sistemas que precisam estar sempre em operação", complementa. A bateria de 12 volts é sempre alimentada pelas baterias de alta voltagem, mesmo com o automóvel desligado.

Outro mau hábito que pode deixar o dono de um carro elétrico no prejuízo é o uso de adaptadores de tomada não homologados pela fabricante, especialmente devido à alta amperagem que elétricos e híbridos plug-in demandam. Para se ter uma ideia, um eletrônico em geral requer cerca de seis ampéres, enquanto elétricos como o i3 pedem quase 300. "Por isso recomendamos usar exclusivamente a conexão que vem com o veículo. Adaptadores podem não aguentar a carga e superaquecer", complementa o executivo da BMW.

Murilo Góes/UOL
Prius, híbrido mais vendido do mundo (R$ 126,6 mil no Brasil), requer cuidados para preservar vida da bateria Imagem: Murilo Góes/UOL

O híbrido

A Toyota, que vende no Brasil o Prius, o híbrido mais vendido do mundo, também tem suas recomendações para evitar danos às baterias -- o modelo, porém, não requer recarga da rede elétrica pois as baterias são reabastecidas pelo próprio motor a combustão (por meio da desaceleração do carro ao frear).

No caso do Prius, um detalhe pode fazer as baterias durarem mais tempo: não obstruir a entrada de ar que ajuda a resfriá-las, localizada embaixo do assento traseiro, no lado esquerdo. Para evitar essa obstrução ou eventuais problemas de aquecimento, a fabricante recomenda cumprir à risca os planos de revisões.

Já a BMW informa que as baterias do i3 (como virou padrão na indústria, por motivos óbvios) são estanques, portanto, construídas e testadas para evitar entrada de água e líquidos e ainda de resistirem a impactos.

E se bater?

Em caso de colisão, a Toyota informa que os gastos com reparo são equivalentes aos de um veículo convencional. A marca recomenda, nessas situações, desligar a chave geral do veículo imediatamente e aguardar o resgate, já que "disponibilizou treinamento para os Bombeiros e à PM sobre precauções referentes ao sistema híbrido".

Quanto à manutenção, Emílio Paganoni, da BMW, diz que, embora exija mão de obra altamente especializada e treinada, especialmente para lidar com o sistema elétrico de alta voltagem, os custos de revisões são parecidos. "O motor e todo o sistema de propulsão de um carro elétrico é muito mais simples que o de um convencional, com poucas partes móveis. Aqui no Brasil nunca encontramos clientes com problema no motor elétrico desse modelo", informa.

Segundo o executivo, o custo médio de manutenção de um i3 é semelhante ao do sedã 320i, inclusive porque ambos têm preços parecidos (cada unidade zero-quilômetro de ambos os modelos custa cerca de R$ 160 mil).

A Toyota informa que, no seu caso, acontece a mesma coisa, com preços muito próximos na comparação do Prius com o Corolla. A primeira revisão do Prius, por exemplo, custa R$ 237,39, contra R$ 269,89 do sedã médio -- até mais barata, portanto. A segunda e a terceira revisões, por sua vez, custam respectivamente R$ 624 e R$ 432 para ambos os modelos.

Tanto as baterias do i3 quanto as do Prius têm garantia de oito anos -- no caso do Toyota, ela vale por esse período ou 200 mil km rodados, o que acontecer primeiro, e inclui todo o sistema híbrido, incluindo as baterias e sua respectiva central de controle eletrônico, de controle de energia, inversor e conversor.

Em ambos, as montadoras afirmam que a duração da bateria duram o período da garantia ou até mais tempo. Paganoni, da BMW, diz que as do i3 duram até dez anos. "Como as baterias são distribuídas em módulos, se houver algum defeito não é preciso substituir todo o conjunto", relata.

Mas, quando acabar a vida útil, vale a pena trocar as baterias e seguir rodando com o carro? No caso do Prius, que é híbrido e usa baterias de menor capacidade de carga (e mais baratas), a resposta é sim: segundo a fabricante, o custo para a troca é de aproximadamente R$ 10,5 mil, já incluída a mão de obra, pouco mais de 8% do valor de um modelo zero (atualmente em R$ 126,6 mil). Já a BMW diz que a troca de todas as baterias do i3 "não é viável".

Tanto a Toyota quanto a BMW informam que contam com um programa de coleta, destinação e reciclagem das baterias após o fim de suas vidas úteis.

Seguro

De acordo com Marcella Ewerton, head de marketing da Bidu Corretora, carros híbridos não são necessariamente mais caros para segurar. Para se ter uma ideia, utilizando simulação baseada em um perfil fixo, um Ford Fusion Titanium Ecoboost AWD (R$ 158,7 mil) custa R$ 13.748,41 para segurar, contra R$ 12.636,11 do Fusion Hybrid, versão híbrida do sedã -- que inclusive é mais caro, com preço sugerido de R$ 163,7 mil.

"Não existe uma relação direta entre o tipo de combustível do carro e o preço do seguro, por isso não necessariamente os seguros de elétricos e híbridos serão mais caros do que dos carros convencionais. Fazendo uma analogia, seria como afirmar que carros a gasolina teriam um seguro mais caro ou mais barato do que um carro a diesel. Os modelos são avaliados em combinação com outras variáveis para a precificação do seguro", avalia Marcella.

Quanto aos autônomos, que devem começar a ganhar as ruas nos próximos anos, a executiva avalia que eles deverão fazer o valor dos seguros cair. "Provavelmente, o preço do seguro deverá cair para os autônomos, já que eles prometem mais segurança e menos acidentes. Segundo um estudo da seguradora americana MetroMile, o seguro para carros autônomos deverá cair cerca de 80% em relação ao dos veículos comuns nos Estados Unidos. No Brasil, o movimento deverá ser parecido, talvez não com a mesma intensidade", opina. Segundo a especialista, a responsabilidade em caso de acidente deverá ser combinada entre o segurado e as seguradoras. "Uma nova modalidade de seguros irá surgir e tudo deverá ser acordado entre as duas partes para que, em caso de acidentes, a parte correta seja responsabilizada", conclui.

Quanto à proposta que Anfavea e ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) vão levar ao Governo Federal como parte do plano Rota 2030, de isentar os elétricos e híbridos no Brasil da alíquota de 25% do IPI, além de ampliar os benefícios fiscais para esse tipo de veículo, Marcella Ewerton diz que não dá para prever uma consequente redução no valor do seguro.

"Não podemos dizer que só pela diminuição do preço dos veículos o seguro também ficará mais barato. São inúmeras as variáveis. O preço do veículo é um dos fatores levado em consideração na hora de precificar o seguro, já que em caso de perda total, quanto mais barato o carro for, menor será a indenização paga pela seguradora. Porém, diversos outros fatores compõem o preço do seguro, como o valor de peças [que, neste caso, podem ser mais caras], quilometragem rodada, local onde o carro passa a noite e o perfil do motorista", conclui.

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