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É SUV ou nave espacial? Veja como anda e conheça os mimos do Peugeot 3008

Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

10/07/2017 04h00

Segunda geração quer roubar clientes do Jeep Compass com ar futurista e dirigibilidade exemplar; assista à avaliação

"Rapaz, isso aí parece mais uma espaçonave, hein?". O comentário, feito por um pedestre ao ver o Peugeot 3008 2018 avaliado por UOL Carros numa rua de São Paulo (SP), sintetiza a sensação que sua nova geração provoca quando vista de perto.

Segunda geração começa a ser vendida nas lojas até o fim deste mês, em versão única (Griffe), por R$ 135.990. Meta é vender de 200 a 250 unidades ao mês, roubando potenciais clientes do bem-sucedido Jeep Compass. Clique aqui para ver a lista de equipamentos e mais detalhes sobre a estratégia de venda.

Space invader

O aspecto futurista e musculoso faz muitos pescoços se virarem por onde quer que o SUV (caso você ainda não tenha percebido, agora o 3008 é um SUV, não mais um monovolume) passe. Flagramos mais de uma pessoa olhando fixamente para a grande tentando identificar a insígnia da marca. É provável que procurassem o emblema da Land Rover.

Sim, o 3008 possui certa aura de veículo de luxo e de vanguarda, exatamente como a Peugeot quer vendê-lo. Tanto que aproveitamos para alertar: é um carro recomendado para quem realmente gosta de ser notado.

Difícil é dizer qual o detalhe mais extravagante. Seria a grade formada por pontos tridimensionais no lugar de filetes? Os faróis full-LED adaptativos, extremamente afilados e dotados de forte secção na base? As luzes fluidas de seta? Os vincos expressivos e a linha de cintura bastante elevada? A pintura bicolor com teto preto? As lanternas em LED, tripartidas, emulando as garras de um leão (animal símbolo da Peugeot) e integradas por uma faixa horizontal negra que percorre toda a largura da tampa do porta-malas? São muitos os aspectos "diferentões".

Por dentro, a sensação de "nave espacial" fica ainda mais acentuada. O motorista tem à disposição uma derivação ainda mais arrojada do "i-Cockpit", conjunto que oferece um volante pequeno e ovalado em posição mais baixa do que o convencional, formando par com um quadro de instrumentos posicionado mais acima. No caso do 3008, o cluster é integralmente digital, em tela de 12,3 polegadas de alta resolução.

Divulgação
Peugeot 3008 deixou de ser monovolume e em sua segunda geração assumiu totalmente identidade de SUV Imagem: Divulgação

Desempenho e conforto

Direção elétrica variável com respostas extremamente diretas cotnribui para deixar o 3008 "na mão" do condutor. Trem-de-força, formado pelo consagrado motor 1.6 THP (turbo) de 165 cv e 24,5 kgfm, aqui movido só a gasolina, e pela caixa automática Aisin de seis velocidades, também tem sua dose de participação nesse processo, pois oferece desempenho condizente com a proposta do veículo (se não dá para chamar desempenho de "esportivo", também não se pode reclamar de falta de fôlego).

Central multimídia de 8 polegadas com tela tátil voltada ao motorista e console central elevado deixam habitáculo bastante ergonômico.

Contudo, tanto o sistema de entretenimento (auxiliado por teclas similares às de um piano enfileiradas no centro do painel) quanto a manopla de câmbio (que mais parece um joystick de videogame dos anos 80) demandam certo tempo até serem compreendidos. Não que não sejam intuitivos: depois de duas ou três viagens, quando se pega a lógica de funcionamento, as operações passam a ocorrer de forma natural.

Conforto oferecido pelos assentos é primoroso. Peças são talhadas, seguram bem os ocupantes em curvas e recebem revestimento em couro de qualidade. Para a fileira dianteira há ainda a opção de aquecimento (em três níveis) e massagem. Espaço interno também agrada, especialmente pelo porta-malas de 520 litros (100 litros a mais que o do Compass), mas os vãos para pernas não são seu principal destaque.

Algumas mancadas

Materiais emborrachados, couro e tecidos em tom contrastante conferem ótimo aspecto ao acabamento de painel e guarnição das portas, mas aqui o 3008 mostra seu primeiro "deslize" como o veículo premium que se propõe a ser: há vários degraus e desalinhamentos na união entre os revestimentos.

Já os ombros elevados e as colunas traseiras alargadas ampliam as áreas de ponto cego do veículo e prejudicam a visibilidade, especialmente para enxergar motocicletas. O único alento é quando se aciona a marcha à ré: um conjunto de duas câmeras, uma posicionada no porta-malas e outra no teto, facilitam e muito as manobras.

Suspensões, não projetadas para nossa maltratada malha rodoviária, dão o batente muito cedo, apesar de não serem necessariamente duras. Ao mesmo tempo, os pneus de perfil baixo (235/50) montados sobre rodas de liga leve aro 19 se mostram pouco confortáveis na leitura de desníveis, o que resulta em pancadas "secas".

Assistente de subida em rampas por vezes não segura o veículo adequadamente quando se tira o pé do freio. Por falar em freio, tente manter o pedal acionado com força mínima e você sentirá uma trepidação e um ruído bastante incômodos. É preciso manter o pé bem pressionado para evitar que isso aconteça.

Conclusão

Apesar dos detalhes mencionados acima. no cômputo geral o 3008 se mostrou um modelo surpreendentemente sofisticado. É possível afirmar sem receio que ele é, hoje, o SUV médio generalista mais tecnológico à venda no Brasil, sendo mais moderno até mesmo que alguns representantes das marcas genuinamente de luxo.

É uma pena que a Peugeot tenha optado por vendê-lo somente numa versão de topo, a R$ 136 mil, mas para quem está disposto a gastar esse valor ele é, sem dúvidas, uma das melhores (senão a melhor) opções do mercado.

Mas claro: o investimento só vale para quem é afeito a extravagâncias e está disposto a "sair da caixinha" do que é oferecido usualmente em um automóvel. Pois o 3008, definitivamente, não é um carro comum. Ele é pensado para quem quer fugir do habitual e dirigir um carro que mais parece ter sido concebido em outro planeta.

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