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Crise política atrapalha vendas de carros mais que Economia, diz analista

Marlene Bergamo/Folhapress
Anúncio de carro à venda em concessionária fechada de São Paulo (SP): setor busca retomada aos trancos e barrancos Imagem: Marlene Bergamo/Folhapress

Leonardo Felix

Do UOL, em São Paulo (SP)

05/07/2017 06h00

Cenário econômico está mais estável, mas turbulência política vai atrasar processo de retomada, prevê consultora da Fenabrave

A mensagem que executivos da Fenabrave (associação nacional dos concessionários) quiseram passar aos jornalistas nesta terça-feira (4), em encontro sobre o balanço de vendas do primeiro semestre de 2017 e novas projeções para o restante do ano, foi um tanto tranquilizadora.

No lugar de questionamentos como "será que já chegamos ao fundo do poço?" o discurso foi de que "o pior já passou".

Ocorre que, mesmo que entre janeiro e junho deste ano o país tenha emplacado 991.475 carros de passeio e comerciais leves, alta de 4,25% sobre o mesmo período do ano passado, e mesmo que a projeção para o fechamento do ano tenha sido revisada para cima -- crescimento de 4,3% ante 2016, contra os 2,4% previstos em janeiro --, a situação ainda está longe do ideal.

Isso porque a crise que ameaça o núcleo do governo Michel Temer tem segurado o otimismo que vinha se formando entre membros do setor. "Não há dúvidas de que a crise política atravanca a retomada do crescimento", analisou Maria Tereza Fernandez, consultora econômica da Fenabrave.

Segundo a executiva, o cenário de incerteza sobre se Temer fica ou não no cargo, ou sobre o que acontecerá caso ele saia, é hoje mais responsável por atrapalhar a recuperação do que a situação econômica em si.

"Os sinais econômicos são de relativa tranquilidade, com retomada pequena e constante. O que ocorre é que todos os prognósticos tiveram de ser refeitos a partir de maio, depois das delações da JBS que atingiram diretamente o presidente", apontou a especialista.

Motos e pesados seguem no limbo

Tanto que, se os carros de passeio vão um pouco melhor, obrigado, a entidade prevê que o setor como um tudo continuará tendo enormes dificuldades na segunda metade de 2017: retração geral de 1,9% em relação ao já fraquíssimo 2016, sendo queda de 10,2% nas vendas de ônibus e caminhões, 13,5% nas de motocicletas e 7,1% nas de implementos rodoviários.

Há motivos para sorrir?

Apesar de todos os entraves, Maria Tereza Fernandez acredita que há motivos para ser otimista. "Mesmo diante de tudo que estamos passando na esfera política, vivemos em um período de aparente ordenamento econômico mínimo. Não está havendo pânico", destaca.

Segundo Alarico Assumpção, presidente da Fenabrave, esta foi a primeira vez desde 2013 que o setor apresentou crescimento nas vendas de carro de passeio na primeira metade de um ano, o que por si só já é motivo para respirar aliviado. 

"O sinal mais claro de reação é que tivemos aumento de cerca de 30% na procura por financiamentos", afirmou. Apesar disso, o acesso ao crédito continua bastante restrito: só três em cada dez pedidos acabam aprovados pelas instituições financeiras.

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