Cultura do carro

De bolsista do Ciência Sem Fronteiras a premiado pela Ford: conheça Wesley

Divulgação
Wesley Bomfim: bolsista do ProUni na Bahia e participante de programas de estímulo à educação Imagem: Divulgação

Karina Craveiro

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

03/06/2017 04h00

Wesley Bomfim recebe bolsa de US$ 10 mil por projeto com carro elétrico, mas gostaria de ter um Mustang

O nome é Wesley, mas a história não tem nada de negativa ou fraudulenta: o baiano Wesley Victor Melo Bomfim, estudante de engenharia elétrica em Salvador, é um cara boa-praça, fã da NBA, muito falante e cheio de ideias e opiniões sobre o mundo automotivo. Algumas destas ideias, aliás, lhe renderam uma bolsa de estudos US$ 10 mil (cerca de R$ 33 mil) e o "Prêmio Global de Engenharia Alan Mulally", promovido mundialmente pela Ford.

Longe da figura clichê de nerd, Wesley Bomfim não tem nada de introspecção ou timidez e, aos 21 anos, sabe bem o que vai fazer após vencer outros 17 universitários no concurso da Ford: "Quero me especializar em engenharia automotiva, fazer uma pós-graduação. Atuar neste setor requer inovações frequentes e este é o pilar da engenharia: ser desafiado a todo momento, desenvolvendo algo novo", afirma.

Claro, uma iniciativa de incentivo como esta da fabricante americana ajuda: "Não é todo dia que você vê algo que incentive os estudos de forma financeira e até profissional. A área de engenharia tem mentes muito brilhantes, basta visitar qualquer faculdade que você acha alunos de altíssimo nível. Mas ainda falta bastante incentivo na área", opina Bomfim.

Como chegou lá

Sonhos acompanham Bomfim há tempos, sempre se dedicou aos estudos, mas também é clara a realidade de que incentivo é fundamental para que talentos como ele, filho único de uma contadora e um corretor de imóveis, tenham oportunidade.

Em 2016, Bomfim saiu do bairro Trobogy, em Salvador, para temporada de um ano na Universidade de Ciência e Tecnologia do Missouri. A experiência foi custeada pelo programa federal "Ciência Sem Fronteiras", que ultimamente anda sendo criticado pelo próprio governo.

O estudante já conhecia os EUA: em 2013, quando cursava o terceiro ano do ensino médio, foi indicado pelo Sesi local para participar do "Programa Conexão Mundo". Atualmente, Bomfim é bolsista da Unifacs (uma universidade privada da Bahia) graças ao programa de financiamento ProUni. 

"Viver fora do Brasil foi uma experiência bastante interessante, talvez a melhor que já tive até hoje. Me proporcionou ter contato com pessoas e lugares incríveis, universidades de altíssima qualidade e pessoas maravilhosas com as quais pude aprender muito", relembra.

Atualmente, é estagiário na empresa turca Kordsa, especializada em produção de fios de cobre e poliéster para pneus, no polo industrial de Camaçari (BA). E sabe que vencedores anteriores do programa da Ford foram convidados a estagiar na montadora, que fabrica Ecosport e Ka no local.

"Aceitaria trabalhar na Ford, com certeza. A gente tem de avaliar as oportunidades que aparecem. Sou feliz no que faço atualmente, mas temos que ver o que é melhor para a gente", acredita.

Arquivo pessoal
Bomfim posa em frente à estátua de Magic Johnson: fã dos Lakers e da NBA nas horas vagas Imagem: Arquivo pessoal

Pesquisa elétrica

Essa experiência no Missouri foi fundamental para vencer a premiação da Ford, acredita Bomfim. Para receber o prêmio, precisou cumprir requisitos como cursar engenharia mecânica, elétrica, mecatrônica, de computação ou de produção; ter média global 7,5 ou maior; inglês fluente; realizar trabalhos voluntários, ações de liderança acadêmica ou comunitária; e mostrar interesse por assuntos automotivos.

Na universidade americana, Wesley se envolveu em um projeto de carros elétricos, iniciado por um ex-estudante mas que estava abandonado em uma das salas do campus: "Conversei com o professor e peguei a chave do laboratório. Passei um semestre estudando a área, analisando o funcionamento da bateria e do motor, fazendo simulações de sistemas no computador. Foi a principal pesquisa que fiz na área", conta o universitário.

Estuda elétricos, mas quer um esportivo

Mesmo tendo pesquisado carros elétricos, Bomfim não acredita que este tipo de veículo vá se popularizar tão cedo. A aposta para ele é no longo prazo.

"Ainda vai demorar muito para que [o carro elétrico] se torne comum, só sendo justificado por questão econômica. Ainda é mais rentável produzir um carro a combustível fóssil. Sem falar que as próprias avenidas não estão preparadas, faltam postos de abastecimento e locais de manutenção", afirma.

Caso pudesse escolher qualquer automóvel para dirigir, porém, Bomfim conta que não seria elétrico: "Sempre fui encantado pelo Mustang, principalmente após minha estadia no exterior. Adoro o design do carro, além do excelente desempenho. Espero que seja um dos meus carros no futuro próximo", diz.

Detalhe: apesar do interesse por automóveis, a paixão pelo Mustang e até dos estudos na área -- ele curte a ideia de desenvolver sistemas elétricos, painéis e recursos tecnológicos integrados ao veículo --, Bomfim admite que sequer possui habilitação.

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