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Montadoras celebram recorde de exportação; Argentina é principal "freguesa"

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68.482 automóveis e utilitários leves foram exportados em março, alta de 64,6% na comparação com o mesmo mês de 2016 Imagem: Divulgação

Karina Craveiro

Colaboração para o UOL

21/04/2017 08h00

Saiba quais são e quanto custam carros nacionais que vão ao exterior

Pense naquele seu amigo ou parente que foi tentar a vida lá fora. Aquele que escolheu um novo país para morar, arregaçou as mangas e depois de algum tempo já colhe os frutos de uma vida confortável e próspera. Dá orgulho, não?

Pois saiba que a indústria automotiva nacional vive este momento quando se fala de exportação. E modelos como Volkswagen Gol, Chevrolet Onix e Renault Sandero são apenas alguns exemplos de "brasileirinhos" que fazem sucesso em países como Argentina, México, Chile, Uruguai, Colômbia e por aí vai. A lista ainda inclui outros mercados menos óbvios, como Estados Unidos, Panamá, Costa Rica, França, Egito, Gana, Togo e Costa do Marfim.

O caminho até a prosperidade, no entanto, foi longo e trabalhoso. Deu-se graças a acordos bilaterais, estabilidade da moeda americana e oferta das marcas que produzem localmente. O mês de março foi marcado por um recorde histórico: 68.482 automóveis e utilitários leves foram enviados ao mercado estrangeiro, alta de 64,6% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Já no primeiro trimestre deste ano, 172.693 carros feitos no Brasil foram exportados, crescimento de 69,7% ante o mesmo período de 2016. "As montadoras colocaram suas equipes para viajar e oferecer produtos. E mesmo que o mercado interno volte a crescer, o aumento das exportações se manterá. Temos capacidade ociosa muito grande", justifica Antonio Megale, presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores, a Anfavea, ponderando que o que impulsionou as exportações foi a venda para países da América Latina.

Para o consultor da ADK Automotive, Paulo Roberto Garbossa, o momento traduz a maturidade e a qualidade da indústria brasileira, que está apta ao nível mundial. "Não estamos falando de custo, mas quem ganha com isso é o consumidor local. Significa que nossos carros estão globalizados e temos qualidade de produto. A América Latina é nossa melhor consumidora, pois seus países têm necessidade de produto que o Brasil constrói", analisa.

Quem mais exporta?

+ Volkswagen:
106.578 unidades
+ Chevrolet: 92.844 unidades
+ Renault: 76.174 unidades
+ Ford: 65.365 unidades
+ FCA (Fiat/Chrysler): 64.493 unidades
+ Toyota: 44.602 unidades

Fonte: Anfavea/2016

"Quieres cotizar?"

A política de divulgação de preços na América Latina é diferente da que o público brasileiro está acostumado. Não são todos os sites das marcas que disponibilizam os preços dos modelos em linha. Muitas vezes é preciso se cadastrar -- e isso inclui responder um questionário longo com muitas perguntas, que vão desde o local de residência até o questionamento do uso do veículo para seu estilo de vida -- para finalmente saber quanto é preciso desembolsar para colocar o modelo na garagem.

A Argentina é o país mais "freguês" dos veículos "made in Brazil". No primeiro trimestre deste ano, as exportações para lá cresceram 39,5% se comparado com os três primeiros meses do ano passado. "Nossa estratégia é clara: buscamos novas oportunidades e novos mercados, oferecendo um portfólio de produtos de qualidade, adequados às necessidades de cada um dos países para os quais exportamos. Por meio dessas ações, temos conquistado cada vez maior participação nas vendas, aumentando nosso sucesso", diz o presidente da Volkswagen do Brasil e América do Sul, David Powels. A Volks é a maior exportadora do país atualmente.

Murilo Góes/UOL
Líder de vendas por 27 anos no Brasil (perdeu a ponta em 2014, para o Palio), Gol ainda é o mais querido fora do país e segue como carro nacional mais exportado Imagem: Murilo Góes/UOL

Gol ainda é líder

Enquanto no Brasil o Chevrolet Onix encabeça a lista dos mais emplacados, no nicho de exportações o Volkswagen Gol ainda é o mais popular. A marca alemã contabiliza 20.356 unidades vendidas para fora -- ele foi o modelo mais exportado de 2016, com 49.911 unidades.

No site da Volks na Argentina, o hatch começa e 204.694 pesos (cerca de R$ 42 mil) na versão de entrada Serie, com duas portas, e chega a 330.456 pesos ("salgados" R$ 67.743) na versão topo Highline, com câmbio automatizado I-Motion. No México, a configuração mais em conta, Trendline 1.6, custa 174.990 pesos mexicanos (algo em torno de R$ 29 mil). Já a mais completa, Trendline com câmbio automatizado, sai por 192.990 pesos (algo em torno de R$ 33 mil). Outros best-sellers da fabricante são Voyage e Saveiro, com 10.242 e 8.874 unidades exportadas no primeiro trimestre de 2017, respectivamente.

Vice-líder, a Chevrolet faz mistério sobre seus números de exportações. Divulga apenas que Trailblazer, Onix, Prisma, Cobalt, S10, Montana e Spin são os produtos exportados para Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai. Em uma consulta no site oficial da marca na Colômbia, Onix é oferecido por 48.500 pesos colombianos (R$ 52.900), com motor 1.4. No Chile, o mesmo carro custa 7.990.000 (R$ 38 mil) -- mesmo preço do Prisma, aliás.

No terceiro degrau do pódio está a Renault, responsável por enviar para Argentina, México, Uruguai e Colômbia todos os modelos produzidos em solo nacional. A lista contempla o recém-lançado Captur e os já consolidados Sandero, Logan, Duster, Duster Oroch e Master. Um fato curioso é que a picape proveniente do utilitário Duster tem como destino final alguns países da África, como Gana, Togo e Costa do Marfim. O hatch compacto mais emplacado da fabricante francesa no Brasil também é o mais demandado para abastecer o mercado externo. O Sandero é oferecido a partir de 220.300 pesos argentinos (perto de R$ 45 mil). Outros produtos da linha, como Captur e Duster, chegam às ruas mexicanas a partir de 299.900.00 pesos (R$ 50.430) e 246.900.00 pesos (R$ 41.500), respectivamente.

Ford e Fiat assumem os quarto e quinto lugares, respectivamente, no ranking de exportação. Os carros exportados da marca da oval azul são EcoSport, New Fiesta, Ka, Ka+, Cargo e F-4000 -- foram 19 mil unidades enviadas para fora no primeiro trimestre de 2017 e os países abastecidos foram Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Uruguai.

Nos três meses, a Fiat mandou para fora 5.825 unidades do Mobi (o líder de exportações da FCA), seguido de Strada (4.035), Toro (3.763), Fiorino (3.619), Siena (2.627), Uno (2.453), Palio (1.749), Renegade (1.408), Grand Siena (1.328) e Palio Weekend (329). Os principais países clientes da FCA são Argentina, México, Uruguai, Chile, Paraguai, Peru, Colômbia, Bolívia, Panamá e Costa Rica. Como exemplo, o Mobi vale 154.500.00 pesos (R$ 26 mil) no México, enquanto o Uno tem tabela sugerida de 180.500.00 pesos mexicanos (R$ 30.350).

Na Argentina, o carrinho de entrada da montadora vale 211.800 pesos (R$ 45 mil), enquanto um Jeep Renegade pode ser seu a partir de 394 mil pesos (R$ 80 mil). Já a Strada custa a partir de 274.600 pesos (algo em torno de R$ 55 mil). Acima dela, a Toro pode ser adquirida por insanos 462.500 pesos (cerca de R$ 95 mil).

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Renault Duster começa em R$ 67.990 no Brasil; no México, exportado do Paraná, ele custa iniciais R$ 41.500 Imagem: Divulgação

Outros mercados

Depois de construir sua fábrica na cidade de Araguari, em Santa Catarina, a BMW começou a exportar o utilitário X1 para os Estados Unidos. Já saíram 3.700 unidades do modelo do Porto de Paranaguá, no Paraná, para o país da América do Norte. Lá, ele custa 33.750 dólares (R$ 106 mil).

Em 2016, a PSA Peugeot Citroën teve um crescimento de 71% em suas exportações, frente a 2015, com 43 mil veículos. Os veículos do grupo saem de Porto Real, na região sul-fluminense do Rio de Janeiro, e abastecem Uruguai, Paraguai, Equador e Bolívia, além da Argentina. No ano passado, 100 unidades do Aircross foram enviadas para o Egito. O monovolume, aliás, começará a ser mandado para a França ainda em 2017, embora em pouca quantidade, não revelada pela marca. O modelo mais exportado da Peugeot no ano passado foi o 208. No Paraguai, ele não sai por menos de 14.990 dólares (R$ 45 mil), enquanto um 2008 custa 19.490 dólares (R$ 61 mil). Na Argentina, um Citroën C3 tem tabela de 278.500 pesos (aproximadamente R$ 56 mil) -- no mesmo país, um 208 é vendido por 292.900 pesos R$ 60 mil).

O recém-estilizado Toyota Corolla pode chegar aos R$ 94 mil na Argentina, o equivalente a 458.900 pesos, na versão topo de linha (do país) SE-G CVT. O Etios alcança os R$ 62 mil (ou 305.900 pesos) na configuração mais completa, com câmbio automático. Sedã e hatch ainda são comercializados no Paraguai e Uruguai -- além do Peru, que recebe apenas o Etios. 

Versa e March, modelos compactos da Nissan também produzidos no Brasil, abastecem Argentina, Chile, Peru, Uruguai, Bolívia, Costa Rica, Paraguai e Panamá. No Chile, por exemplo, o sedã parte de 7.590.00 pesos chilenos (R$ 36.300), enquanto o hatch sai por 6.950.00 pesos (R$ 33.200).

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